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Esses carros são reconhecidamente bons produtos, mas vendem pouco; saiba quando (e se) vale a pena comprá-los
Comprar um carro que está entre os mais vendidos pode ser vantajoso porque são modelos com mais facilidade de encontrar peças e componentes, podem ter seguro e franquia mais amigáveis e, em geral, têm menor desvalorização e maior aceitação na revenda.
Para aqueles que gostam de carros e não escolhem pelo ranking dos mais vendidos, há à disposição dezenas de opções dos mais variados tipos, preços e tamanhos, entre novos e usados.
A decisão não é fácil, ainda mais quando entre tantas ofertas há modelos realmente bons, mas pouco conhecidos, que mal se vê nas ruas.
Isso não significa que esses carros menos vendidos tenham problemas, mas que por diversos motivos não estão na moda.
São os que chamamos de “injustiçados”: carros reconhecidamente bons, vencedores de prêmios e aplaudidos por especialistas, mas que não vingaram nas vendas.
Do ponto de vista econômico, a não ser que eles estejam numa bela promoção ou numa oportunidade única de revenda, eles não representam muitas vantagens.
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Mas se for citá-las, podemos começar por ser um carro diferente e menos comum nas garagens e estacionamentos de shoppings, por exemplo.
Importante também se for para satisfazer sua decisão de ter um carro que, embora venda menos, seja do jeito que você quer. Portanto, são razões pessoais, de seu gosto.
Entre as desvantagens, um carro de nicho ou com menor volume de vendas pode ter mais dificuldades de encontrar peças e fazer manutenção, o seguro por consequência ser mais caro e dar mais trabalho na revenda.
Se o consumidor se preocupa com a revenda ou não perder dinheiro, melhor esquecer.
Mas se a ideia for satisfazer um desejo, pesquise por promoções ou queima de estoque com um belo desconto ou a compra de um modelo seminovo já desvalorizado e considere um casamento mais duradouro: aquele carro para usar bastante, por pelo menos 5 anos.
Elencamos 7 modelos mais recentes de carros que ainda estão em linha, e que configuram nessa categoria: são bons produtos, mas injustiçados no mercado. Vamos entender por quê?
A dupla produzida em Itirapina (SP) foi lançada entre o fim de 2021 (sedã) e o início de 2022 (hatchback), evoluções de seus antecessores e tendo o inédito dois-volumes como sucessor do monovolume Fit, que saiu de linha em 2021. Ambos são equipados com o motor 1.5 aspirado de até 126 cv de potência acoplado ao câmbio CVT e por aí pode estar um dos problemas: alguns dos concorrentes trazem opção de motor 1.0 turbo de 3 cilindros, caso do Polo, HB20 e 208. No sedã, a briga é com Nissan Versa (1.6 aspirado), Volkswagen Virtus e Chevrolet Onix Plus (os três com opção 1.0 turbo). Ainda assim, os Honda mandam bem no consumo.

Por estarem num patamar acima desses hatches e sedãs compactos, em acabamento e conteúdos, os dois City estão entre os mais caros. O hatch parte de R$ 113.600 e vai a R$ 138 mil e o sedã, de R$ 115.300 a R$ 140.500. Mais curioso é que as mil unidades médias ao mês emplacadas dos dois City ainda perdem para modelos defasados da Toyota, as duas opções de Yaris que devem sair de linha no final deste ano e ainda conseguem vender o dobro dos City. Os dois Honda são dignos de elogios pelas suas qualidades, mas derrapam no preço, num segmento que é sensível a isso. A Honda também tem uma fraca participação nas vendas diretas (empresas, taxistas, PCD) desses modelos, segmento que seus concorrentes nadam de braçada.
O segmento de sedãs, que já brilhou no passado, perdeu espaço para os SUVs nos últimos anos. Entre os médios, o Corolla ainda segue como sobrevivente, apesar da redução drástica de participação. Tanto que, em 2021, a Honda decidiu encerrar a produção de seu representante, o Civic, após 24 anos no Brasil e em sua décima geração.

No início de 2023, a montadora retomou as vendas do sedã médio, agora importado da Tailândia em sua 11ª geração, maior, mais moderno e híbrido. O consumo é um de seus destaques: na cidade chega a fazer 18 km/litro. O novo Civic evoluiu, está excelente, mas difícil é convencer alguém a gastar R$ 266 mil nele. Por causa disso, emplaca em média parcas 150 unidades por mês.
A picape intermediária, aclamada nos EUA, veio com a proposta de incomodar as médias e compactas em meados de 2022. Seu design remete a uma F-150 compacta, sonho de consumo de muitos picapeiros. Construída em monobloco (plataforma que proporciona mais conforto), ela de fato mais se aproxima de um SUV com caçamba do que as picapes feitas sobre chassi e mais robustas. Para se diferenciar, vem bem equipada e com o forte motor 2.0 turbo, que rende 253 cv de potência. Em 2023, a Ford acrescentou a inédita versão híbrida no segmento, que promete mais de 800 km de autonomia. Nem isso foi suficiente para emplacá-la.

Mais uma vez, o problema não foi o produto e sim sua estratégia de preço. Enquanto a mais forte hoje custa R$ 227.200, a Hybrid sai a R$ 237.200, mesmo importadas do México, país com o qual o Brasil mantém acordo comercial que reduz a carga fiscal. Nos primeiros meses desse ano, as duas Maverick emplacam em média 200 unidades ao mês, desempenho muito fraco para quem mirava roubar mercado das outras: a Toro vende cerca de 4 mil unidades ao mês enquanto a Rampage tem média de 2 mil emplacamentos mensais. Por um pouco mais, talvez o consumidor de picape preferira levar as Ranger turbodiesel.
O compacto elétrico chegou de supetão, logo após o lançamento do BYD Dolphin, e surpreendeu pela qualidade construtiva e tecnologias. Prometia ser um modelo de entrada dos EVs, com design arrojado, interior sofisticado desde a versão mais acessível, boa autonomia e preços competitivos. Na sua versão de entrada, Skin, leva vantagem sobre o Dolphin similar. Mas vende um terço do principal concorrente. Em relação ao Dolphin, o Ora 03 perde em espaço... e só. Em desempenho, tecnologias, dirigibilidade e acabamento é superior.

Com pouco mais de oito meses no mercado, ainda pode decolar. Quando foi lançado, em setembro passado, teve 200 unidades vendidas em 48 horas. Mas nos quatro primeiros meses deste ano emplacou em média 640 unidades ao mês, enquanto seu principal rival, 1.700 unidades, quase o triplo. Entre as explicações para entender suas “baixas” vendas, talvez a injustiça seja na comparação com o BYD, esse sim um “fenômeno”. O conterrâneo chinês caiu no gosto do brasileiro e virou referência, até porque a BYD tem mais opções elétricas disponíveis e com boas vendas: Seal, Dolphin Mini e Yuan Plus. A GWM, que tenta ser uma marca premium, vai ter de se esforçar mais para mostrar as qualidades de seu modelo de entrada.
O chamado crossover, mistura de SUV e hatch, foi lançado em 2018, antes da marca francesa se unir à Fiat e Jeep. Depois de virar Stellantis, a direção do grupo resolveu fazer da Citroën uma montadora de carros mais acessíveis. E mesmo com todo o investimento na marca em expansão da rede e melhoria no atendimento do pós-venda foi suficiente para apagar um passado de desconfiança por causa de seu histórico.

Antigos Citroën apresentavam falhas na suspensão, no câmbio automático e na eletrônica. O C4 Cactus, embora seja um produto muito bom, não conseguiu superar a má fama nunca embalou e só vem declinando nas vendas: em média, 300 unidades mensais em 2023 e este ano, cerca de 150. No final do ano passado, a Citroën lançou o C3 Aircross, o que deve decretar em breve o fim do C4 Cactus. Uma pena.
A primeira geração do SUV médio foi lançada no Brasil em 2020 com ares de desconfiança: vinha da China, produzido em parceria com a Jiangling Motors, o que na época era visto como um produto de qualidade inferior. Logo na sequência do lançamento, a Ford elevou seu preço. Para piorar, no início de 2021 a montadora anunciou que fecharia sua fábrica no Brasil. Nessa fase conturbada, o Territory não conseguiu melhorar seu desempenho.

Em 2023, uma nova tentativa: nascia no fim do ano um novo projeto. Ainda chinês, mas em outro momento. A Ford havia vencido a insegurança de sua permanência no Brasil. A marca virou uma bem-sucedida e lucrativa importadora. Além disso, design mais moderno, motor mais potente, espaço, conforto e conteúdos por um preço bem mais competitivo, mirando Compass e Commander. Este ano, tem em média 400 unidades vendidas por mês, que não faz nem sombra aos rivais da Jeep. O problema foi manter o nome antigo (que é bom, forte), mas de um produto que não deu certo. Em outros mercados o SUV é chamado de Equator Sport, pior que Territory. Mas em um segmento tão competitivo é preciso um esforço maior para se sobressair.
Veterano do mercado brasileiro, o SUV está presente nas ruas desde 1995. Em sua quinta geração, o Sportage vem importado da Eslováquia e é detentor de diversos prêmios da imprensa especializada. Um SUV equipado com sistema híbrido-leve, que se destaca pelo design marcante, espaço interno, conforto, boa segurança, desempenho e tecnologias. Mas enfrenta desafios: preço alto, rede de concessionárias enxuta de uma marca que perdeu espaço no Brasil, apesar de seus bons produtos diante de uma concorrência acirrada.

Como resultado tem vendas inexpressivas: cerca de 100 unidades por mês. O sul-coreano de uma marca que sempre foi importadora perde espaço para uma concorrência cada vez mais acirrada de produtos brasileiros (Hyundai e Caoa Chery) e chineses – chineses, aliás, que futuramente fabricarão no Brasil – BYD e GWM.
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