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Analistas explicam o bom desempenho da estatal na bolsa, mas acreditam que pode ser hora de reduzir a exposição no papel
No acumulado dos últimos 12 meses, a Petrobras (PETR3; PETR4), segunda ação de maior peso no Ibovespa, ganhou R$ 211 bilhões em valor de mercado, um salto de quase 60% em relação a um ano antes, quando rondava o patamar de R$ 360 bilhões.
De outubro até segunda-feira (19), a estatal bateu dez recordes em market cap, sendo seis somente neste mês de fevereiro, e chegou a R$ 571,4 bilhões, o maior valor de suas ações e de mercado de todos os tempos.
A ação ordinária da Petrobras (PETR3) encerrou o pregão naquela data cotada a R$ 44,49, e a preferencial (PETR4), a R$ 42,90.
A título de comparação, a Vale (VALE3), que puxa a carteira teórica do principal índice da bolsa brasileira, perdeu mais de R$ 110 bilhões em valor de mercado nos últimos 12 meses, enquanto o Itaú (ITUB3; ITUB4), a terceira ação mais valiosa da carteira, elevou em quase R$ 79 bilhões o seu valor na B3, no mesmo intervalo.
É consenso no mercado que, além da boa performance do petróleo no exterior, muito por conta da crise geopolítica envolvendo o Oriente Médio, o plano de investimentos da Petrobras não foi tão agressivo como o mercado esperava, o que reanimou o investidor, tendo em vista a possibilidade de manutenção de boas cifras em dividendos distribuídos aos acionistas.
"Se está pagando bons dividendos, significa dizer que a empresa não está investindo em projetos ruins, o que era um pouco o receio do mercado em relação à Petrobras", observa Fernando Siqueira, head da área de Research, da Guide Investimentos.
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Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama Investimentos, cita inclusive a iniciativa de exploração da margem equatorial que, em sua opinião, é uma "uma excelente notícia" para a estatal.
"Traz uma fronteira de crescimento relevante para a companhia, em um negócio que ela realmente faz dinheiro, que é a extração em água profunda", acrescenta, considerando ainda o programa de recompra que segue um ritmo bem relevante. "Isso também tem ajudado a puxar o papel para cima", diz.
No início do mês, em comemoração a mais um recorde em valor de mercado, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que o recorde de valor da companhia "coroa o trabalho feito ao longo de todo o primeiro ano de nova gestão", iniciada em janeiro do ano passado.
"Estamos muito satisfeitos com os sucessivos recordes de valor de mercado. Esse recorde, assim como os outros que a Petrobras atingiu em 2023, é consequência da retomada de investimentos que a nova gestão tem realizado no último ano", disse, na época.
O market cap ou valor de mercado é um indicador que ajuda a classificar a reputação de uma empresa. O cálculo é a multiplicação do valor da ação pelo número de ações existentes.
Essa é, no entanto, apenas uma das variáveis a considerar na hora de entrar ou sair de um papel. Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos, explica que o pagamento de dividendos é outra. E, nesse caso, a Vale pode ser uma opção, já que nos últimos 12 meses entregou um dividend yield de 9%.
"Agora, se for um investidor que quer um pouco mais de crescimento da ação do que o mercado consegue entregar, talvez não seja um momento para Vale, que sofre uma precificação muito correlacionada com a China e seu setor imobiliário, que enfrenta dificuldades e tem travado o ativo", pondera.
Mota adverte que, para o investidor mais preocupado com a valorização do patrimônio e que esteja posicionado em Petrobras, é de suma importância a busca por realização ao menos de parte desse lucro gerado nos últimos meses, muito por conta das oscilações do mercado, mas também pelo risco imputado a qualquer empresa de capital aberto, seja privada ou estatal.
"A gente pode ver uma empresa valendo R$ 200 bilhões hoje e, amanhã, por conta de alguma notícia ruim, perdendo metade disso. Assim, o investidor que não realizou no tempo oportuno, quando o ativo estava num patamar mais alto de preço, ficou com o lucro só no papel, ou seja, não efetivou o lucro", explica.
À medida que a inflação dá trégua e, simultaneamente, condições para a manutenção de um afrouxamento da política monetária maior por parte do Banco Central, surgem alternativas na bolsa.
Fernando Siqueira, da Guide, avalia que uma boa dica no momento é reduzir um pouco a exposição em Petrobras, mas não para comprar Vale, uma vez que existe um leque de "opções" para lucrar.
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Siqueira cita como "bons nomes" a EcoRodovias, que é uma ação barata, na sua opinião, além de SBF (dona da Centauro) e Assaí, esta última com bons fundamentos para crescer com mais vigor em 2024.
"A rede [Assaí] vem em uma expansão muito grande, o que fará os resultados serem muito maiores. Essa conversão das lojas Extra caminha bem. Está muito mais perto de concluir do que de iniciar e isso melhora os resultados", fundamenta.
Vale lembrar que algumas ações do segmento small caps também andaram muito no último ano. C&A, por exemplo, quadruplicou o valor de mercado, saindo de R$ 659,6 milhões, em 17 de fevereiro do ano passado, para mais de R$ 2,4 bilhões, hoje.
No setor imobiliário, o destaque ficou com Tenda, que mais do que dobrou o market cap, de R$ 476,8 milhões para 1,319 bilhão, enquanto Plano&Plano foi de R$ 894,6 milhões a R$ 2,5 bilhões, em igual intervalo.
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