O pior já passou para a Americanas (AMER3)? CEO diz que varejista está “onde queria” neste momento — mas ainda falta muito para o equilíbrio
Além dos resultados atrasados dos nove meses iniciais de 2023, a varejista anunciou que o plano de recuperação judicial foi homologado pela Justiça do Rio de Janeiro

Há quem diga que existe vida depois do tombo — e, no caso da Americanas (AMER3), após a descoberta de uma fraude contábil bilionária e de uma derrocada de 41% das ações em 2024, uma das dúvidas do mercado financeiro é se o pior já passou para a varejista ou se ainda há novos tropeços pelo caminho.
Na visão do presidente da varejista, Leonardo Coelho, o “ano de 2023 foi, sem dúvida, o mais difícil da história da companhia”, mas a empresa já superou a fase crítica e está onde planejava no caminho de recuperação.
A percepção vem à tona junto com a divulgação dos primeiros números referentes a 2023 e a notícia da homologação do plano de recuperação judicial da varejista.
Na avaliação do CEO, ainda há um longo caminho a ser percorrido para cumprir as projeções anunciadas em novembro e retomar a geração de caixa até 2025.
"Falta muito para nós chegarmos ao equilíbrio que nós prometemos para 2025, mas nós estamos exatamente onde queríamos estar neste momento", afirmou Coelho, durante a teleconferência de resultados da companhia na manhã desta segunda-feira (26).
“É um caminho gradual. Assim como um jogo, a cada fase que passa, o desafio aumenta, mas nossa habilidade de enfrentar também.”
Leia Também
- 10 ações para investir neste mês: veja a carteira recomendada da analista Larissa Quaresma, baixando este relatório gratuito.
Justiça homologa RJ da Americanas
Segundo a diretora financeira (CFO) e de relações com investidores (DRI) da Americanas (AMER3), Camille Faria, o plano de recuperação judicial foi homologado pela Justiça do Rio de Janeiro.
Agora, a decisão precisa ser publicada no Diário Oficial do Estado para que passem a correr os prazos regulamentares.
O balanço da Americanas (AMER3)
A Americanas (AMER3) publicou antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26) os balanços atrasados dos nove primeiros meses de 2023.
Depois de sucessivos reagendamentos de divulgação, os resultados enfim publicados mostraram um aumento da dívida, prejuízo bilionário e vendas em queda na companhia.
De janeiro a setembro do ano passado, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 4,611 bilhões. Apesar do resultado negativo, o indicador mostrou uma melhora de 23,5% em relação ao mesmo período de 2022, apesar da queda de 45,1% na receita da companhia.
Já a dívida líquida da varejista chegou ao fim do terceiro trimestre do ano passado 10,6% maior na comparação com o mesmo período de 2022, atingindo R$ 33,44 bilhões. Já a dívida bruta somou R$ 38 bilhões no período.
Segundo a Americanas, o balanço mostra uma “tendência de relevante redução” do endividamento em meio ao andamento do processo de recuperação judicial.
A receita líquida da varejista recuou 39,2% em relação ao terceiro trimestre de 2022, para R$ 3,26 bilhões.
Enquanto isso, a venda bruta da Americanas caiu 51,1% entre janeiro e setembro de 2023 na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 16,059 bilhões.
“O canal digital sofreu mais no primeiro momento do que o físico, porque passou por um choque de confiança”, afirmou o CEO, na conferência.
As vendas nos canais digitais da empresa despencaram 79,2% nos nove primeiros meses de 2023, para R$ 1,9 bilhão. No mesmo recorte, as vendas nas lojas físicas caíram 18,8%, para R$ 7,251 bilhões.
A empresa atribui essa queda à perda de credibilidade junto ao público após a revelação da fraude multibilionária nos balanços.
Apesar dos números, o presidente da Americanas avalia os resultados dos nove primeiros meses de 2023 como positivos, dada a crise vivida pela companhia.
“Confiança não se recupera com discurso e nem do dia para a noite. Estamos em um transatlântico, então não é possível dar um cavalo de pau. Pretendemos gradativamente mostrar onde estamos acertando e errando, além de deixar claramente os números da Americanas e entregar o que nos comprometemos, que é voltar a gerar lucro em 2025”, disse o CEO.
O resultado corporativo da Americanas (AMER3) do quarto trimestre de 2023 está programado para vir a público em 26 de março.
- Já sabe onde investir agora que as empresas estão divulgando seus balanços do 4T23? Veja análises completas da Empiricus Research e saiba se você deve comprar, vender ou se manter neutro em cada uma das principais ações da bolsa. Clique aqui para receber os relatórios GRATUITOS.
Americanas (AMER3) o que está por vir?
Segundo o CEO, a reestruturação da varejista é dividida em três camadas, sendo a primeira delas a de estancamento da crise, com foco em manter a operação de pé.
“Nos organizamos para estancar a crise, gerar caixa e buscar novas formas de crescimento”, conta Coelho. “Tem muita coisa a fazer e reconstruir, e não vai ser um caminho fácil.”
Para Coelho, o reposicionamento estratégico da Americanas (AMER3) é fundamental para manter a posição relevante da companhia no setor de varejo.
A mudança de estratégia incluiu o fechamento de 99 lojas físicas da Americanas que estavam com resultados abaixo do esperado e que seriam “muito difíceis de ter a realidade de resultado revertida”, segundo o CEO.
Apesar do desligamento de lojas, a empresa ainda mantém mais de 1.700 unidades espalhadas pelo Brasil.
“É de se esperar mais fechamentos de lojas, bem como mais aberturas”, disse Coelho.
Entre as próximas etapas da recuperação judicial, está a votação do aumento de capital de R$ 24 bilhões aprovado pelos credores no plano de referência.
A expectativa é que a Americanas convoque uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para votar o aumento de capital até 15 de abril, com a AGE programada para maio deste ano.
Segundo a CFO da empresa, a projeção é que a operação, que responderá por metade da capitalização da companhia, aconteça em junho deste ano.
A executiva ainda afirma que, com capital equalizado, a empresa poderá voltar a focar apenas na operação e na busca por novas avenidas de crescimento.
A varejista espera reduzir a dívida bruta dos R$ 38,372 bilhões registrados até setembro do ano passado para R$ 1,875 bilhão após a capitalização.
Geração de caixa e venda de ativos
De acordo com o CEO da varejista, o foco da Americanas neste ano e em 2025 será a geração de caixa operacional em todos os negócios, com destaque para o novo modelo do canal digital focado em rentabilidade.
Para o meio digital, a estratégia é zerar o déficit operacional. A projeção da companhia é atingir o equilíbrio no canal no fim do primeiro semestre do ano que vem.
Questionada por analistas, a direção da empresa de varejo ainda comentou sobre a venda de ativos e a busca por melhoria de alocação de capital.
De acordo com o plano de recuperação judicial, a companhia tem obrigação de venda da HNT e Uni.co, e colocou ainda os ativos da Ame como opção.
“Não existe venda de liquidação dos ativos, mas análise contínua”, afirma o presidente Leonardo Coelho.
“Retomamos o convite para que continuem acreditando na Americanas”, disse o CEO.
No pregão desta segunda-feira (26), as ações da Americanas têm um desempenho modesto. Por volta das 14h40, os papéis AMER3 marcavam leve alta de 1,92%, negociados a R$ 0,53.
Em um ano, os ativos amargam queda de 52%. Confira a cobertura em tempo real de mercados do Seu Dinheiro.
CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS
Dia cheio no Bradesco (BBDC4): de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações até o “Pix” internacional
30 de setembro de 2026 - 19:33QUEM SOBE QUANDO OS JUROS CAEM?
JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral
30 de setembro de 2026 - 12:10CORTANDO ONDE DÁ
Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
30 de setembro de 2026 - 10:53REESTRUTURAÇÃO CORPORATIVA
Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
30 de setembro de 2026 - 10:33GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO