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A companhia ainda anunciou uma reformulação da gestão, formalizando um indicado direto do presidente Gustavo Pimenta em um dos negócios mais estratégicos
Se o dia do rock é celebrado em 13 de julho, nesta terça-feira (3) é dia da Vale (VALE3). A mineradora realizou o famoso encontro anual com investidores e analistas em Nova York e apresentou a agenda estratégica, as perspectivas de negócios daqui para frente e até mais uma mudança de gestão sob o comando do novo presidente Gustavo Pimenta.
Os grandes números da Vale divulgados hoje incluem um capex (investimentos) de US$ 6,1 bilhões em 2024 e de US$ 6,5 bilhões em 2025. Já o gasto fixo em soluções de minério de ferro esperado para este ano é de US$ 6,1 bilhões, e de US$ 6 bilhões para o ano que vem.
Olhando mais de perto os investimentos deste ano, entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões serão destinados a soluções de minério de ferro em 2024 — um ritmo que deve ser mantido nos próximos anos.
Para o segmento de metais para a transição energética, a mineradora espera direcionar entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões neste ano e nos próximos.
A Vale também planeja destinar US$ 1,7 bilhão para crescimento e por volta de US$ 4,4 bilhões para manutenção neste ano, o que totaliza o capex de US$ 6,1 bilhões previsto para o período.
Para o ano que vem, a mineradora espera investir de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões em crescimento e de US$ 4 bilhões a US$ 4,5 bilhões em manutenção, o que resulta em um capex de US$ 6,5 bilhões.
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Além dos investimentos, o mercado também olha com atenção para o custo caixa C1 — que considera os gastos para produzir o minério e levá-lo até o porto.
É importante lembrar que a preocupação com o custo é ainda mais relevante neste momento, já que as perspectivas para os preços do minério de ferro não são as mais encorajadoras diante, especialmente, da crise na China.
Neste item, a Vale projeta cerca de US$ 22 por tonelada em 2024, entre US$ 20,50 e US$ 22 em 2025 e abaixo de US$ 20 em 2026. Para 2030, a expectativa é de US$ 18 a US$ 19,50.
Do lado da produção, a Vale também atualizou as projeções e, agora, estima 328 milhões de toneladas de finos de minério de ferro em 2024.
Para 2025, a expectativa é de 325 a 335 milhões de toneladas e, para 2025, de 340 a 360 milhões de toneladas. Em 2030, a mineradora espera produzir 360 milhões de toneladas da commodity.
A mineradora espera também produzir 160 mil toneladas de cobre neste ano, entre 160 e 175 mil toneladas em 2025, e entre 350 e 380 mil toneladas em 2026. A mineradora projeta uma produção entre 420 e 500 mil toneladas para 2030 e de 700 mil toneladas para 2035.
No níquel, a Vale estima uma produção de cerca de 160 mil toneladas em 2024, entre 160 e 175 mil toneladas em 2025, entre 175 e 210 mil toneladas em 2026 e entre 210 e 250 mil toneladas em 2030.
Há dois meses chegava ao fim uma novela envolvendo a troca de comando da Vale. Depois de tentativas de interferência do governo por meio da indicação do ex-ministro Guido Mantega, Gustavo Pimenta foi o escolhido para suceder Eduardo Bartolomeo como CEO da mineradora.
Em mais um movimento de reorganização, a Vale anunciou nesta terça (3) que o conselho de administração aprovou Rogério Nogueira como vice-presidente comercial e de novos negócios.
Executivo de carreira na mineradora, ele vinha exercendo de maneira interina a função de vice-presidente de soluções de minério de ferro.
Agora, Nogueira fica encarregado não só de comandar o principal negócio da Vale como, por ser indicação direta de Pimenta, pode levar a bandeira da nova gestão — estar mais perto dos clientes — adiante.
A Vale abriu o pregão desta terça-feira em alta de 0,59%, cotada a R$ 59,27. A abertura positiva veio na esteira da valorização do minério de ferro e depois de a mineradora atualizar as projeções e formalizar a aquisição de 15% de participação na Anglo American Minério de Ferro Brasil — empresa que atualmente detém o complexo Minas-Rio (Minas-Rio).
Pouco depois, porém, as ações VALE3 passaram a operar em queda. No início da tarde, os papéis recuavam 0,39%, cotados a R$ 58,69. No ano, os ativos seguem amargando perdas: -18% em 2024.
O investidor que não é exatamente um especialista em mineração pode se perguntar, com todos os números e reformulações sobre a mesa, se chegou a hora de comprar ou vender as ações da Vale.
O Itaú BBA reafirmou a recomendação de compra para os ADRS, com preço-alvo de US$ 13 para 2025 — o que representa um potencial de valorização de 33% com relação ao fechamento anterior em Nova York.
O banco avalia como neutras as projeções apresentadas pela Vale hoje e destacou o custo entregue na China, que deve diminuir para US$ 53 a US$ 57 por tonelada em 2025 — de US$ 57 por tonelada em 2024 — ligeiramente acima da estimativa de US$ 52 do BBA.
“Em uma nota negativa, a Vale revisou para cima sua previsão de custo entregue na China em 2026, para US$ 50 a US$ 54 por tonelada — de US$ 45 por tonelada antes —, mas notamos que esta faixa já está em linha com nossa previsão oficial de US$ 52 por tonelada”, afirmaram os analistas.
O Citi também seguiu com a recomendação de compra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 15, o que representa um potencial de valorização de 53% sobre o fechamento de ontem em Nova York.
O banco norte-americano chama atenção para as previsões tanto para a produção de níquel quanto a de cobre, que serão ligeiramente maiores em 2025 e diz a perspectiva mais baixa para metais básicos explica a reação negativa das ações da mineradora após a abertura.
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