Dona da Serasa compra ClearSale (CLSA3) com prêmio de 23,5% sobre cotações, mas por menos da metade do valor do IPO; ações sobem forte na B3. O que acontece com os acionistas agora?
Em meio à saída da ClearSale da bolsa após três anos desde o IPO, os investidores da companhia terão três opções de recebimento após a venda para a Experian

Após meses de negociação, a dona da Serasa no Brasil enfim abocanhou um dos principais players de soluções antifraude no país. A Experian acaba de anunciar nesta sexta-feira (4) a compra da ClearSale (CLSA3).
A aquisição saiu por R$ 1,98 bilhão, o que corresponde a um preço por ação de R$ 10,56 — um prêmio de 23,5% em relação ao último fechamento, de R$ 8,55.
- Alta da Selic: BTG avalia quais ações devem sofrer mais (e menos) com a alta da taxa de juros; veja aqui
Parece um bom negócio para quem comprou as ações recentemente, mas os investidores que entraram no IPO da ClearSale, em julho de 2021, não têm tanto o que comemorar.
Isso porque a Serasa avaliou a ClearSale a menos da metade do valor de mercado da época da abertura de capital, quando o valuation da companhia era da ordem de R$ 4,7 bilhões. Hoje, a companhia é avaliada em pouco mais de R$ 1,6 bilhão.
Desde os primeiros rumores da transação, as ações da ClearSale reagiram em forte alta na bolsa brasileira. No acumulado do ano, os papéis mais do que dobraram de valor, com ganhos que superam a marca dos 129%.
O desempenho positivo acompanha a expectativa de sinergias trazidas pelo negócio, já que a operação da companhia comandada por Eduardo Mônaco é considerada como altamente complementar ao da dona do Serasa.
Leia Também
Afinal, a Experian é um gigante global de gestão de informações e banco de dados, enquanto a ClearSale atua em três principais frentes de negócio atualmente: transacional em novos segmentos, como tickets e links de pagamentos; crédito e mercados financeiros, com score de crédito; e Pix.
“A combinação dos negócios das companhias trará benefícios significativos aos clientes da ClearSale e da Serasa Experian, dada a união das expertises possibilitando a oferta de soluções mais completas e eficientes ao mercado”, escreveu a empresa, em fato relevante enviado à CVM.
A conclusão da operação está sujeita a condições precedentes e aprovações regulatórias, como o aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e dos investidores em Assembleia Geral de Acionistas.
As ações da ClearSale iniciaram o pregão em forte alta. Por volta das 10h28, os papéis CLSA3 subiam 11,23, cotados a R$ 9,51 na B3.
As três opções dos acionistas da ClearSale (CLSA3)
O contrato entre a Experian e a ClearSale (CLSA3) prevê a incorporação de todas as ações CLSA3 pela dona da Serasa e a consequente transformação da companhia em subsidiária integral da Experian.
A dona da Serasa, por sua vez, deverá emitir novas ações preferenciais compulsoriamente resgatáveis de três classes diferentes.
- Quer receber guias e reportagens especiais do Seu Dinheiro com exclusividade? Clique aqui e faça parte do Clube de Investidores SD Select gratuitamente
Em meio à saída da ClearSale da bolsa após três anos desde o IPO, os investidores da companhia de soluções antifraude terão três opções de recebimento após a venda para a Experian.
A primeira delas é optar por receber os valores equivalentes à participação totalmente em dinheiro, em uma única parcela no valor de R$ 10,56.
Os acionistas também podem escolher o recebimento de 100% de suas fatias na ClearSale em BDRs (recibos de ações, em português) da Experian, que serão lançados na B3 após a operação.
Há ainda uma terceira opção: o investidor receberia 95% das cifras em dinheiro, a R$ 10,03 por ação, com a fatia restante de 5% (R$ 0,53) em BDRs da dona da Serasa.
Nessa opção, os acionistas ainda receberiam um valor adicional de até R$ 1,25 por ação CLSA3 a título de earn-out, que estaria condicionado ao atingimento de metas estabelecidas no contrato e que seria pago em cinco anos.
Hoje, os maiores acionistas da Clearsale são o fundador, Pedro Chiamulera, que detém uma fatia de 35,3% do capital da empresa de soluções antifraude, e a Innova Capital, que possui 17% da companhia.
O fundador da ClearSale já afirmou que optará pela primeira opção. Além do montante envolvido no negócio, Chiamulera também passa a desempenhar um cargo global de consultoria na Experian e assinou um termo de não competição pelos próximos cinco anos.
Os controladores ainda firmaram um acordo de voto em que concordaram em votar a favor da aprovação da transação e não vender ações até que a operação seja aprovada.
DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL