BRF (BRFS3) entrega resultados acima das estimativas e salta na B3; mas é hora de comprar a ação da dona de Sadia e Perdigão?
Papéis do frigorífico sobem quase 10% nesta terça e figuram entre as maiores altas do Ibovespa; mas analistas ainda mantêm cautela

As ações da BRF (BRFS3) saltam quase 10% nesta terça-feira (27) na B3 após a divulgação de resultados em muitas métricas acima do esperado pelo mercado para o quarto trimestre de 2023. Acompanhe nossa cobertura completa de mercados.
A companhia reportou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 1,9 bilhão no período, uma alta de 76,3% ante o quarto trimestre de 2022 e acima do consenso de mercado, que era de R$ 1,7 bilhão.
Já a margem Ebitda ajustado atingiu 13,2%, acima dos 11,7% esperados pelo mercado e 5,9 pontos percentuais frente a um ano antes.
No ano de 2023, o Ebitda ajustado somou R$ 4,7 bilhões, uma alta de 14,8% na comparação anual, e a margem Ebitda ajustado foi de 8,8%, 1,2 ponto percentual mais alta do que um ano antes.
O lucro líquido atingiu R$ 754 milhões no quarto trimestre, bem acima do consenso de mercado, de cerca de R$ 300 milhões, e revertendo o prejuízo de R$ 956 milhões do 4T22. No ano, porém, a BRF teve prejuízo líquido de R$ 1,9 bilhão, ainda assim uma queda de cerca de 40% em relação às perdas de 2022.
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Custos menores, preços maiores e eficiência
Segundo o CEO da companhia, Miguel Gularte, os números foram impulsionados "por uma melhor performance operacional e pela disciplina financeira da companhia que, em sequência ao follow on, contribuíram para a redução significativa da alavancagem", escreveu no release de resultados.
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Esta atingiu 2,01 vezes a dívida líquida/Ebitda, ante um indicador de 3,55 vezes no 4T22.
A companhia foi beneficiada pelos custos menores com grãos, preços maiores dos produtos in natura, normalização da sobreoferta de frango e um bem-sucedido programa de eficiência, o BRF+, que gerou ganhos de R$ 525 milhões no 4T23, totalizando R$ 2,2 bilhões em 2023.
"Entre os destaques positivos do ano está também o avanço da rentabilidade no Brasil, amparado pela contínua evolução da execução comercial, pelo melhor desempenho de todo o portfólio e pela consistência do trabalho de nossas marcas Sadia, Perdigão, Qualy e Banvit, que seguem na liderança dos mercados", diz Goularte.
Assim, a companhia conseguiu resultados mais saudáveis mesmo com volumes e receitas menores.
Mercado internacional se destacou
Os resultados da BRF no mercado internacional foram um dos grandes destaques do balanço, com as vendas puxadas pelo segmento Halal, melhores preços e mix de vendas. A margem Ebitda do segmento atingiu 11,1%, crescimento de 8,4 pontos percentuais na base anual.
Já no mercado doméstico, a margem Ebitda atingiu 15,6%, um crescimento de 5,7 pontos percentuais na comparação ano a ano, puxada pela forte demanda e vendas de produtos comemorativos no fim do ano.
Outro destaque do balanço, na visão dos analistas, foi a geração de caixa livre de R$ 613 milhões, ante uma queima de caixa de R$ 87 milhões no 4T22.
A visão dos analistas: hora de comprar BRF (BRFS3)?
Apesar de o balanço ter sido bem recebido pelos analistas de diversas instituições financeiras, que notaram que as ações BRFS3 deviam subir em resposta à revisão de estimativas para a empresa por parte do mercado, para boa parte deles ainda não é hora de colocar as ações da dona da Sadia e da Perdigão na carteira.
O BTG Pactual, para quem diversas métricas da BRF vieram em linha com as estimativas, diz que "continua a celebrar" o retorno da companhia à lucratividade e a melhora de margens.
O banco tem uma estimativa de Ebitda para a companhia em 2024 de R$ 6,7 bilhões, acima do consenso do mercado, mas o qual acredita ser "razoavelmente alcançável", com base na margem apresentada no quarto trimestre e nas perspectivas de custos.
Um mercado de aves mais forte, sustentado por oferta mais baixa nos Estados Unidos e alguma racionalidade na produção brasileira, também devem ajudar.
"Dito isso, ainda vemos os múltiplos baseados no resultado líquido da BRF como alguns dos mais exigentes das empresas que cobrimos. A menos que a companhia consiga ultrapassar o atual nível de margem Ebitda de 12% a 13%, tememos que o potencial de valorização se mantenha limitado", dizem os analistas do BTG, que mantiveram a recomendação neutra para a ação, com preço-alvo para 12 meses em R$ 13.
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Quem também se manteve neutro foi o JP Morgan, que assinalou dois pontos negativos do resultado da BRF: a queda de receitas e volumes no Brasil e uma geração de fluxo de caixa ao acionista abaixo das suas expectativas.
A Genial Investimentos diz enxergar aspectos promissores para as ações da dona de Sadia e Perdigão, como a perspectiva de queda das commodities que compõem o custo da companhia (soja e milho), a normalização da dinâmica de oferta e demanda de frango e continuidade dos ganhos de eficiência.
Por outro lado, fatores como uma falta de clareza sobre a manutenção das melhorias operacionais no segmento internacional, a incerteza sobre a capacidade da companhia de manter a alavancagem controlada, o histórico da BRF de usar muito caixa após captações e a forte concorrência no mercado local levam a corretora a manter recomendação neutra para as ações BRFS3, com preço-alvo em 12 meses de R$ 14.
Já a XP Investimentos tem recomendação de compra para o papel BRFS3. "Com uma alavancagem menor e um novo histórico do management, continuamos altamente convencidos com a história de turnaround da BRF e a reforçamos como nossa Top Pick", dizem os analistas da corretora, em relatório.
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