“A bandeira amarela ficou laranja”: Balanço do Banco do Brasil (BBAS3) faz ações caírem mais de 2% na bolsa hoje; entenda o motivo
Os analistas destacaram que o aumento das provisões chamou a atenção, ainda que os resultados tenham sido majoritariamente positivos

O Banco do Brasil (BBAS3) fechou a temporada de balanços dos grandes bancos brasileiros publicando resultados na noite da última quarta-feira (13). Analistas que acompanham a instituição mais de perto já esperavam algum impacto na publicação devido aos problemas no setor em que o BB é mais atuante: o agronegócio.
Com a redução no preço das commodities, as margens apertadas — com os produtores à espera do momento ideal para vender as safras — e os fenômenos climáticos extremos, empresas do setor começaram a entrar com sucessivos pedidos de recuperação judicial.
O caso mais emblemático é o da AgroGalaxy, com cerca de R$ 3,8 bilhões em dívidas com os principais credores, sendo uma das maiores fatias justamente a do Banco do Brasil.
Assim, o banco precisou elevar as provisões em quase 30% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, o que fez as sobrancelhas de todo mercado se levantarem.
Até mesmo a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, focou seus comentários na teleconferência de resultados com analistas em colocar panos quentes para explicar a situação. Não parece que deu frutos.
Por volta das 14h10, as ações BBAS3 recuavam 2,85%, negociadas a R$ 25,22. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,28%, aos 128.093 pontos e o dólar à vista operava em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,7852.
Leia Também
| Indicador | 3T24 | Var%(t/t) | Var%(a/a) |
| Lucro Líquido | R$ 9,515 bilhões | +0,01% | +8,3% |
| ROE (%) | 21,10% | -0,46 p.p. | -0,14 p.p. |
| Provisões | R$ 10,086 bilhões | +29,2% | +34,2% |
| Carteira de Crédito | R$ 1,204 trilhão | +12,99% | +13,0% |
- Temporada de balanços: fique por dentro dos resultados e análises mais importantes para o seu bolso com a cobertura exclusiva do Seu Dinheiro; acesse aqui gratuitamente
O amarelo ficou laranja: analistas comentam Banco do Brasil
Os analistas do BTG Pactual começaram o relatório com a seguinte frase: “amarelo virando laranja”, destacando, logo nas primeiras linhas, que o crescimento do lucro havia, sim, sido positivo, mas que a deterioração na qualidade dos ativos era preocupante.
A “bandeira amarela” foi hasteada logo após os resultados consolidados do primeiro semestre do ano, quando as provisões e inadimplência continuaram em alta, seguindo a tendência de crescimento do ano anterior.
“Nos últimos meses, a administração do Banco do Brasil sinalizou deterioração na carteira de crédito agrícola. Isso levou a desembolsos mais contidos no início do novo Plano Safra”, dizem os analistas sobre o terceiro trimestre.
De acordo com dados do governo federal, o Ministério da Agricultura forneceu R$ 400,59 bilhões em financiamentos para o agronegócio brasileiro, um montante recorde de crédito, incentivos e políticas agrícolas para médios e grandes produtores.
Crédito e inadimplência do Banco do Brasil
Só no Banco do Brasil, foram oferecidos R$ 260 bilhões do Plano Safra, dos quais R$ 97 bilhões foram desembolsados até o começo de novembro deste ano.
Outra linha que chamou a atenção dos analistas do BTG diz respeito ao aumento da inadimplência, que atingiu o patamar de 3,3% — superior ao trimestre imediatamente anterior (3,0%) e acima do mesmo período de 2023 (2,81%).
Mesmo assim, o banco fez provisões menores do que o aumento de inadimplentes durante o trimestre, o que levou a uma queda na taxa de cobertura de crédito.
Esse cenário, somado ao aumento da carteira de crédito do banco, fez o BTG levantar a “bandeira laranja” para o Banco do Brasil — “esperamos que ela não fique vermelha”, comentam os analistas. Ainda assim, a recomendação é de compra para os papéis BBAS3.
Expectativas baixas e resultados fracos
Mesmo antes da publicação de resultados, o JP Morgan esperava que o balanço do Banco do Brasil viesse mais fraco do que o das demais instituições brasileiras. A instituição avalia as ações BBAS3 como overweight — o equivalente a “compra”.
“Embora as expectativas do mercado fossem baixas”, escrevem os analistas, “porque dados regulatórios e fluxo de notícias indicavam uma piora na qualidade dos ativos do agronegócio, ainda consideramos o conjunto de resultados mais fraco do que o esperado e temos uma primeira impressão negativa”.
Inclusive, as provisões do Banco do Brasil ficaram 25% acima das estimativas do banco norte-americano. Vale lembrar que a linha que contabiliza o montante destinado à proteção de crédito foi ajustada para cima, com a nova projeção (guidance) subindo de R$ 31 bilhões a R$ 34 bilhões para R$ 34 bilhões a R$ 37 bilhões.
- Bancos tradicionais ou digitais: quem leva a melhor na temporada de balanços? Cadastre-se sem custos para conferir a divulgação de resultados em primeira mão
“A nova orientação de provisões implica uma força contrária de aproximadamente R$1 bilhão no Ebitda [medida usada para avaliar a geração de caixa de uma empresa] em relação às nossas estimativas atuais”, escrevem os analistas.
Na avaliação dos especialistas do Itaú BBA, o terceiro trimestre do Banco do Brasil encerra a temporada de resultados com uma tendência divergente em relação ao custo de risco em relação a outras instituições. O concorrente avalia os papéis BBAS3 como market perform, recomendação equivalente a “neutro”.
Há esperança para o Banco do Brasil (BBAS3)?
Se a carteira de crédito do agronegócio segue em expansão — e como uma preocupação para os analistas —, é de lá que também pode vir a salvação do Banco do Brasil.
Isso porque há uma perspectiva de melhora das condições climáticas para 2025, o que deve gerar uma tendência de normalização no setor.
Também vale dizer que o Banco do Brasil tem voltado os esforços do time jurídico para conter os sucessivos pedidos de recuperação judicial no agronegócio — que, além de impactarem os resultados das instituições financeiras, também encarecem o crédito para os produtores, como afirmam os executivos do banco.
Tal atuação gerou um resultado positivo no último mês: nenhum novo agente do agro entrou com pedido de recuperação judicial.
Por fim, os analistas do JP Morgan escrevem que, apesar do trimestre fraco, os rendimentos com dividendos e a relação preço/lucro para 2025 permanece em 3,8 vezes, o que é um “piso forte” para o Banco do Brasil.
MINORITY REPORT?
Do PABX aos drones com reconhecimento facial: como a Intelbras (INTB3) se reinventou e hoje usa a IA para ir além das câmeras de segurança
25 de agosto de 2026 - 6:07PENNY STOCK
Ações abaixo de R$ 1,00: Viveo (VVEO3) é cobrada pela B3 e traça plano para regularizar papéis
24 de agosto de 2026 - 20:00TENTATIVA DE FÔLEGO
Agora é pra valer: Braskem (BRKM5) entra com pedido de recuperação extrajudicial com mais de R$ 50 bilhões em dívidas
24 de agosto de 2026 - 18:34ALERTA MACROECONÔMICO
“O juro é o sintoma, não a causa”: o que os CEOs dos maiores bancos do Brasil esperam da economia após a eleição
24 de agosto de 2026 - 14:20A HISTÓRIA DA CRISE
De gigante petroquímica a uma dívida de US$ 11 bilhões: como a Braskem (BRKM5) chegou às portas da recuperação extrajudicial
24 de agosto de 2026 - 14:04TROCA DE CADEIRAS
Fundador do PagBank (PAGS34), Luiz Frias dá adeus ao conselho da dona da ‘moderninha’; o que muda para a empresa?
24 de agosto de 2026 - 12:07MAIS PRAZO PARA NEGOCIAR
Braskem (BRKM5) avança para pedir recuperação extrajudicial com mais de US$ 10 bilhões em dívida, diz jornal
24 de agosto de 2026 - 8:49DEFESA
Nova aposta dos irmãos Batista: Joesley e Wesley compram Avibras, maior indústria bélica do país e que está em profunda crise
22 de agosto de 2026 - 9:24BOM NEGÓCIO
A venda de fatia da Rumo (RAIL3) resolve os problemas da Cosan (CSAN3)? Veja o que diz o Citi
21 de agosto de 2026 - 16:12O TETO AINDA ESTÁ LONGE
Nubank ainda tem muito chão para crescer no Brasil; “pote de ouro” está justamente onde os bancões querem brigar
21 de agosto de 2026 - 13:31SONHO VIRANDO REALIDADE, MAS A QUE CUSTO?
Shein a preço de liquidação? Gigante chega ao IPO valendo um quarto do que no auge — mas há motivos para o desconto
21 de agosto de 2026 - 12:40EM BUSCA DE PETRÓLEO
Depois da Margem Equatorial, Petrobras (PETR4) agora quer atravessar o oceano para extrair petróleo em Gana
21 de agosto de 2026 - 11:15MAIS UMA REESTRUTURAÇÃO?
Aeris (AERI3) pede 60 dias de ‘blindagem’ contra credores enquanto tenta colocar dívida de R$ 1,94 bilhão em ordem
21 de agosto de 2026 - 10:41TROCA DE MÃOS
SPX e DSK Capital zeram aposta no Grupo Toky (TOKY3), mas ainda tem investidor interessado na dona da Mobly e Tok&Stok
21 de agosto de 2026 - 10:32CONARH 2026
Uma ‘cara diferente’ do BTG Pactual: como o banco se ‘reapresentou’ para clientes em sua participação no ConaRH, em São Paulo
21 de agosto de 2026 - 10:00VACAS LEITEIRAS
BB Seguridade (BBSE3) ou Caixa Seguridade (CXSE3): qual é a melhor ação para quem busca renda passiva com dividendos?
21 de agosto de 2026 - 6:11DETERIORAÇÃO DO CRÉDITO
Nem o Desenrola salva os bancões? Inadimplência ainda deve piorar no 3T26, mostra pesquisa do BC
20 de agosto de 2026 - 19:35APOSTA BILIONÁRIA
Prime Video prepara cheque de US$ 2 bilhões para disputar o mercado de streaming na América Latina; Brasil ganha peso na estratégia da Amazon
20 de agosto de 2026 - 18:24RISCO X OPORTUNIDADE
Gerdau (GGBR4) cai pelo segundo dia — alarme falso no mercado ou risco real para o investidor?
20 de agosto de 2026 - 13:30Marketing Digital