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O gestor Rodrigo Azevedo vê prêmio no Brasil, sem grandes riscos de curtíssimo prazo — mas não o suficiente para construir uma posição estrutural no portfólio
É quase que impossível deixar um dos maiores eventos de 2024 do mercado financeiro brasileiro sem falar sobre investimentos no Brasil. Mas, na visão de Rodrigo Azevedo, sócio-fundador e CIO da estratégia macro da Ibiuna Investimentos, não há muito com o que se animar em relação ao cenário local neste ano.
Sócio de uma das maiores gestoras independentes de recursos do país — com mais de R$ 29 bilhões em ativos sob administração —, esse não é o único chapéu já usado por Azevedo. Na realidade, antes da Ibiuna, o executivo foi diretor de política monetária no Banco Central do Brasil entre 2004 e 2007 e chegou a ser membro votante do Copom.
Durante o evento do UBS, “Latin America Investment Conference” (LAIC), Azevedo afirmou que vê prêmio no Brasil, sem grandes riscos de curtíssimo prazo.
“O Brasil tem uma posição de balanço de pagamentos muito sólida. A gente conseguiu conduzir uma desinflação muito relevante — com a inflação voltando para a meta. O juro está voltando para patamar neutro e temos um crescimento que, por vários outros fatores, está surpreendendo para cima no curto prazo”, disse Azevedo.
Porém, isso não é o suficiente para construir uma posição estrutural no portfólio de investimentos da Ibiuna — hoje, a alocação doméstica é “reduzida e tática”, segundo o gestor.
Isso porque, apesar da melhora de cenário no Brasil, não são fundamentos locais que devem impulsionar o país neste ano, mas sim movimentos no exterior, como um potencial corte dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) ainda neste ano.
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Aliás, o sócio da gestora prevê que o Fed inicie as reduções nos juros norte-americanos "em algum momento nos próximos 3 a 4 meses". Na quarta-feira (31), o BC dos EUA realiza a primeira reunião de política monetária de 2024.
"Acho que ele não começa em março. Em março deve sinalizar e cortar em maio", disse o gestor, no evento. “Enquanto houver esse tipo de situação global, o Brasil vai performar positivamente, mas os prêmios no Brasil são muito influenciados pelo macro. Isso não é uma história do Brasil, então prefiro fazer essa alocação global”, afirma Azevedo.
Na análise da Ibiuna Investimentos, o Brasil não conta com uma boa estratégia de política econômica — e o sócio da gestora destaca a situação de rating de crédito do país nas últimas décadas.
“Entre 1994 e 2008, a gente conduziu uma política em um tripé de superávit primário, meta de inflação e câmbio flutuante. Ao aplicar essa política no ambiente externo muito favorável, a gente essencialmente consertou o nosso teto enquanto o sol estava brilhando”, conta o gestor.
Porém, logo a política do Brasil mudou — e a situação de rating do país também, com o nível de avaliação de risco despencando diversos patamares entre 2010 e 2015.
“A gente está indo na mesma direção. Depois de consertar o teto de novo, volta a dizer que tudo o que foi feito de 2016 para cá esteve errado”, diz Azevedo.
“O que vocês acham que vai acontecer com o rating do Brasil nos próximos três a quatro anos? Brasília promete que vai ser diferente desta vez, mas a esses níveis de preço, eu vejo muitas outras oportunidades de investimento no mundo, então eu não preciso estar aplicado no Brasil”, acrescentou.
No final do ano passado, a S&P Global elevou o rating do Brasil para BB, com perspectiva estável. A mudança ocorreu logo após a aprovação da reforma tributária e deixou o país a dois degraus do grau de investimento.
Antes, em julho de 2023, a Fitch Ratings havia elevado a nota de crédito do Brasil para BB, com perspectiva estável — deixando o país, na classificação da agência, um degrau mais perto do grau de investimento.
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