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PIB cresceu 2,9% no acumulado do ano passado; já na comparação trimestral, a economia brasileira ficou no zero a zero
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil somou 10,9 trilhões em 2023. Trata-se de um crescimento de 2,9% na comparação com 2022.
O resultado cheio do PIB do ano passado veio ligeiramente abaixo das estimativas. Economistas consultados pelo Broadcast esperavam expansão de 3,0%.
No entanto, trata-se de um crescimento econômico bem maior do que os mesmos economistas esperavam quando 2023 começou.
Para que você tenha uma referência, a primeira pesquisa Focus de 2023 trazia uma expectativa de expansão do PIB de 0,78%.
À medida que o ano avançava, um desempenho mais robusto da economia levou a discussões sobre por que as projeções divergiam tanto dos números apurados.
De qualquer modo, se os economistas subestimaram o desempenho econômico no começo do ano, o mesmo não se pode dizer sobre o segundo semestre.
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Confira a seguir duas notícias ruins e duas boas sobre o PIB do Brasil no quarto trimestre.
A boa notícia sobre o PIB é justamente o resultado cheio de 2023.
A indústria brasileira cresceu 1,6% no ano passado. O setor de serviços expandiu-se 2,4%. O consumo das famílias aumentou 3,1%.
Mas quem fez a diferença mesmo foi a agropecuária, com um crescimento acumulado de 15,1% em relação a 2022.
Na comparação com o quarto trimestre de 2022, o PIB do Brasil cresceu 2,1% entre outubro e dezembro de 2023.
Trata-se de uma leve aceleração em relação ao terceiro trimestre, quando a economia expandiu-se 2,0% na comparação anual.
A economia brasileira cresceu 2,9% em 2023 como um todo. Quando recortado apenas o quarto trimestre, porém, o PIB nacional parou de crescer.
E nem foi agora. Desde o começo do ano, os economistas anteviam uma desaceleração da economia no segundo semestre de 2023. E ela se confirmou.
O PIB do quarto trimestre ficou no zero a zero quando comparado aos três meses anteriores.
Mas não só. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou hoje os números do terceiro trimestre.
Com isso, a expansão de 0,1% observada originalmente na passagem do segundo para o terceiro trimestre transformou-se em outro zero a zero.
A taxa de investimento encontra-se no nível mais baixo desde 2019.
Nos cálculos do IBGE, a chamada formação bruta de capital fixo recuou 3,0% no ano passado.
Isso fez com que a taxa de investimento, calculada a partir da formação bruta de capital fixo sobre o PIB, caísse a 16,5%.
Embora a taxa de investimento esteja no nível mais baixo desde 2019, quando atingiu 15,5%, a formação bruta de capital fixo trouxe alguma melhora na passagem do terceiro para o quarto trimestre, crescendo 0,9%.
Oficialmente, o resultado do quarto trimestre foi de 0,0% em relação ao terceiro. Se adicionarmos uma casa decimal, porém, houve uma queda discreta: -0,04%.
É ruim em um primeiro momento, mas pode ser bom mais adiante.
Isso porque uma eventual surpresa positiva no PIB do quarto trimestre poderia aumentar a chance de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) diminuir o ritmo dos cortes de juros mais adiante.
Com a economia em desaceleração, aumentam as chances de a taxa Selic chegar ao fim do atual ciclo de alívio monetário confortavelmente abaixo dos 10% ao ano.
“A composição geral do PIB demonstra uma economia que desacelera em função do aperto monetário passado, mas não indica recessão iminente”, disse Felipe Sichel, economista-chefe de Porto Asset.
Para Felipe Salto, economista da Warren Investimentos, há outros benefícios potenciais do resultado do quarto trimestre.
“Entendo que a redução dos juros criou um pano de fundo instigante ao investimento, o que deve aparecer com maior força em 2024”, afirmou.
Ainda de acordo com ele, se o governo mantiver a linha da política fiscal, “2024 poderá até apresentar crescimento econômico um pouco menor que o do ano anterior, mas com uma composição muito boa. A indústria deve ser recuperar [...] nas esteiras da alta do consumo e do investimento".
No momento, a pesquisa Focus aponta para uma alta de 1,75% do PIB em 2024.
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