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Se as projeções se confirmarem, Gabriel Galípolo herdará de Campos Neto a missão de explicar ao CMN os motivos da inflação fora da meta

Os economistas de mercado elevaram suas projeções para a inflação acumulada em 2024 pela quarta semana seguida. Diante disso, pela primeira vez no ano, a estimativa para o IPCA ficou acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
É o que mostra a mais recente edição do boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central (BC).
De acordo com a mediana das projeções coletadas na semana passada, a expectativa para o IPCA acumulado em 2024 passou de +4,50% para +4,55%.
Há quatro semanas, a estimativa encontrava-se em +4,37%.
Se as projeções se confirmarem, uma das primeiras ações de Gabriel Galípolo como presidente do Banco Central (ele sucederá Roberto Campos Neto na virada do ano) será explicar publicamente por que o IPCA ficou acima do teto da meta.
A meta para a inflação deste ano é de 3%, mas com uma margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Portanto, ela pode ficar entre 1,5% e 4,5%.
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Na semana passada, a estimativa bateu exatamente no teto da meta de inflação. Agora ela escalou para 4,55%, superando o teto.
A estimativa para a inflação de 2025, teve leve oscilação para cima, passando de 3,99% para 4,00%, mas a expectativa é de algum arrefecimento ao longo do ano que vem.
Seja como for, Campos Neto e os demais diretores do BC ganharam um alívio para tentar cumprir a meta de inflação de 2024 depois de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ter alterado a bandeira tarifária sobre as contas de luz.
As projeções para o boletim Focus, vale lembrar, foram coletadas antes da mudança da bandeira.
Em outubro, a Aneel impôs bandeira vermelha patamar 2. Para novembro valerá a bandeira amarela. Isso significa que a tarifa adicional sobre cada 100 kWh consumidos cairá de R$ 7,877 para R$ 1,885.
Na semana passada, o IPCA-15 de outubro indicou a tarifa de energia elétrica residencial como o principal vilão da inflação no mês que se encerra.
No entanto, ainda não está claro qual será o impacto da mudança de bandeira tarifária sobre a inflação na reta final de 2024, uma vez que a nova bandeira foi anunciada no fim da tarde de sexta-feira.
As projeções para a inflação em 2024 não são as únicas presentes no boletim Focus.
O BC também trouxe as estimativas dos economistas de mercado para o PIB, o dólar e a taxa de juros.
De acordo com a mais recente edição da pesquisa Focus, a estimativa para a alta do PIB de 2024 subiu pela terceira semana seguida, alcançando agora 3,08%.
Ao mesmo tempo, a projeção para o dólar no fim do ano subiu pela segunda semana, para R$ 5,45. Hoje, ele iniciou a sessão acima dos R$ 5,70.
Já a taxa Selic deve chegar ao fim do ano em 11,75%. A taxa básica de juros no Brasil encontra-se atualmente em 10,75% ao ano.
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