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SUCESSÃO NO BC

Faltou coragem para Campos Neto? Novo presidente do Banco Central deve ter firmeza para anunciar cortes de juros, diz Lula

Para o petista, o sucessor de Roberto Campos Neto no comando da autoridade monetária “não deverá favores” ao presidente da República

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Imagem: Agência Brasil/Montagem Felipe Alves

Na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja quem for o sucessor de Roberto Campos Neto no Banco Central, o novo chefe da autoridade monetária precisará ter coragem para baixar os juros quando necessário — e agora é a hora de cortar a Selic.

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Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta-feira (16), Lula afirmou que quem assumir o comando do BC “não deverá favores” ao presidente da República. 

"A pessoa que eu vou indicar tem que ter muito caráter, muita seriedade e muita responsabilidade. A pessoa que eu indicar não deve favor ao presidente da República. A pessoa que eu vou indicar é uma pessoa que vai ter compromisso com o povo brasileiro. Na hora que precisar reduzir a taxa de juros, ele vai ter que ter coragem de dizer que vai reduzir. Na hora que vai aumentar, ele vai ter que ter a mesma coragem de dizer que vai aumentar", disse o presidente.

Vale lembrar que Campos Neto, que foi indicado ao comando do BC no governo de Jair Bolsonaro, tem mandato à frente da autoridade monetária até o fim do ano. 

Mas o governo vê uma espécie de brecha para indicar o próximo presidente já nas próximas duas semanas, apesar de a nova gestão começar só em 2025. Ainda ontem, Lula afirmou que precisa indicar “agora” o substituto para que a troca do cargo ocorra no final do ano.

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O mais cotado é Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária do Banco Central.

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Na visão de Lula, apesar de ter autonomia, o Banco Central "deve ao povo brasileiro" — e não há explicação para a Selic estar no patamar atual, em 10,50% ao ano.

"Nós, obviamente, levamos em conta a necessidade de autonomia do Banco Central, mas é importante lembrar que o Banco Central deve ao povo brasileiro", disse. 

Relembrando, desde 2021, a lei de autonomia do Banco Central garante mandatos fixos ao presidente e diretores da autarquia de quatro anos, não coincidentes com o mandato do Presidente da República, com direito a uma recondução.

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No caso de Roberto Campos Neto, esse prazo vence em dezembro de 2024 — e o economista já deixou claro que não tem a intenção de estender sua permanência como presidente do Banco Central até 2028.

O presidente afirmou que tem expectativa de que a Selic comece a cair e mencionou a possibilidade de uma redução nas taxas de juros dos Estados Unidos.

O que falta para a indicação do sucessor de Campos Neto

Lula disse que quer conversar com o Senado antes de indicar o novo presidente do Banco Central. Isso porque o escolhido precisa ser aprovado em votação pela Casa Alta antes de assumir o cargo. 

"Antes de indicar eu quero conversar com o presidente do Senado, quero conversar com o presidente da comissão, para que as pessoas, ao serem indicadas, sejam votadas logo. Para que as pessoas não fiquem sofrendo desgaste, especulação política durante meses", declarou Lula.

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Em entrevista, o presidente voltou a repetir que não sabe se será Gabriel Galípolo o indicado para ocupar a cadeira de Campos Neto.

O petista também negou que tenha algum problema pessoal com o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. 

"O problema não é pessoal, ele não me desagradou. Ele desagradou ao País, desagradou ao setor produtivo", disse.

Em relação à economia brasileira, o presidente disse que sempre que alguém tenta "inventar", o resultado é ruim. 

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"Todo momento em que alguém tentou inventar na economia, ou todo momento em que o presidente da República se meteu a ser economista, não deu certo esse País.”

*Com informações do Estadão Conteúdo

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