Como o governo quer aumentar a oferta de proteção contra a queda do real para os investidores de longo prazo
Segundo o secretário do Tesouro, o objetivo é criar uma linha que estimule as instituições financeiras a oferecem mais produtos para proteção cambial

O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que o governo vai criar uma linha para estimular instituições financeiras a aumentar a oferta de proteção cambial, por meio de derivativos e opções.
No Brasil, para prazos mais longos, por exemplo, acima de cinco anos, praticamente não há liquidez para oferta de hedge (proteção).
"A estabilidade macroeconômica desempenha um papel fundamental na redução do risco, tanto da volatilidade quanto do risco da desvalorização futura das moedas", disse Ceron em debate promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em evento paralelo ao encontro ministerial do G20.
"O diferencial de taxas de juros só vai se resolver com a estabilização macroeconômica", afirmou Ceron, citando que o governo tem tomado uma série de medidas nessa direção, como o novo marco fiscal, a reforma tributária e aprimoramentos na política monetária.
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Em uma semana "emblemática" para o Brasil, que sedia a reunião de ministros das Finanças do G20, Ceron falou do lançamento do programa de proteção cambial.
O programa reúne um conjunto de medidas para permitir às empresas brasileiras captar recursos em moeda forte "com segurança" e reduzir o risco de investidores externos no Brasil.
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Como funcionará o programa?
Para estimular a captação no exterior, o governo criou uma linha chamada de blended finance, em que uma companhia que captar no exterior pode pegar uma parte do empréstimo no Brasil com recursos a taxas diferenciadas e prazos longos.
"Essa linha tem como objetivo tornar o custo competitivo e trazer poupança externa para o Brasil, sem uma exposição cambial excessiva."
Outra linha criada pelo Ministério da Fazenda, em conjunto com o BID, Banco Central (BC) e ministério do Meio Ambiente vai apoiar que bancos possam desenvolver produtos financeiros voltados ao hedge cambial. "O objetivo é aumentar a oferta de produtos derivativos no Brasil", disse o secretário.
Para hedge cambial acima de um ou dois anos há "dificuldade grande" em fechar contratos e para prazos mais longos, acima de 5 anos, praticamente não há liquidez, disse Ceron.
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"Parte desses problemas podem ser atenuados com essa linha." Seja para reduzir o risco de crédito dos bancos ou para evitar chamadas de margens.
Ainda pensando no hedge, o secretário falou da parceria com o BID, que vai captar recursos lá fora e repassar para o BC intermediar com empresas locais.
Há ainda uma linha de liquidez, voltada para projetos de infraestrutura, que normalmente precisam de recursos externos e sofrem com a volatilidade alta do câmbio.
"O fato dessa linha estar disponível pode ajudar a reduzir o risco e o custo do crédito das operações de dívida para esses projetos, tendo essa garantia que haverá manutenção do desembolso em moeda forte."
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