Rodolfo Amstalden: Selic — uma decisão com base em dados, não em datas
Hoje em dia, ao que parece, tudo tem que terminar cedo, e bebidas alcoólicas são proibidas. Por conseguinte, os debates deram lugar a decisões secas e comunicados pragmáticos

Não sei se o ministro Luiz Marinho sabe disso, mas as reuniões do Copom sobre a Selic costumam ser um tanto burocráticas.
Antigamente, as divulgações saíam bem mais tarde; rezava a lenda que a noite de quarta-feira era regada a whisky escocês, combustível de profundos debates intelectuais que transbordavam a economia rumo à arte e à filosofia.
Cada geração tem o Copom que merece.
Hoje em dia, ao que parece, tudo tem que terminar cedo, e bebidas alcoólicas são proibidas. Por conseguinte, os debates deram lugar a decisões secas e comunicados pragmáticos.
Em tese, quanto mais irrelevante for a reunião em si, e quanto mais pobre em discordâncias, melhor a performance do Comitê - capaz de galopar suavemente, sem o uso de rédeas.
Ainda assim, a conjuntura às vezes provoca um cavalo de pau, e o Copom é impelido a sair da mesmice.
Leia Também
Parece ser o caso desta vez, em que restará alguma polêmica em qualquer dos caminhos escolhidos pela nossa outrora entediante política monetária.
- Existe renda fixa “imune” à queda da Selic? Analista recomenda títulos que podem render bem mais do que o IPCA e do que CDI. Baixe o relatório gratuito aqui.
O que esperar da Selic hoje
Grosso modo, há três possibilidades dignas de nota para este grande evento de 8 de maio:
- O Copom pode manter sua palavra legada e cortar a Selic em 50bps, equilibrando esse corte ousado com um discurso mais hawkish.
ou
- Pode rasgar promessas ultrapassadas e adotar um corte modesto de 25 bps, acompanhado do famoso discurso "dependente de dados".
ou
- Pode simplesmente não mexer na Selic, terceirizando completamente seu trabalho aos futuros movimentos do Fed.
A essa altura dos acontecimentos, a maior parte do mercado aposta no ajuste de 25 bps, e quase ninguém acredita na terceira hipótese.
Eu mesmo acho que os 25 bps constituem a alternativa "menos pior". No entanto, não podemos fingir que se trata de uma escolha pacificada.
Poucas semanas atrás, o cenário quase unânime para hoje era de um corte de 50 bps, e os mais recentes indicadores macro (no Brasil e nos EUA) parecem corroborar uma tendência benigna para o afrouxo monetário prospectivo, ao contrário do que vinha acontecendo com os dados do 1T24.
- Leia também: Rodolfo Amstalden: O “bate e assopra” de Lula.
E no final das contas...
Será estranho se o Copom reduzir o ritmo para 25 bps agora, se depois ele for induzido (por razões técnicas ou políticas) a voltar com uma dinâmica de 50 bps de corte.
Mas talvez o Comitê realmente esteja lá para fazer coisas minimamente estranhas quando necessário.
Rodar um modelo estatístico, jogar umas pedras de gelo no copo, abrir aquela velha garrafa de single malt e deixar o papo rolar solto.
Topam?
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A volta do fantasma dos distratos, o peso dos juros para o desempenho da bolsa e tudo o que mexe com o seu bolso hoje
15 de outubro de 2026 - 8:35EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: O empurrão que faltava para o Novo Keynesianismo
14 de outubro de 2026 - 19:45O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Brasileiros à prova da teoria financeira, ‘Pix MEI’, o renascimento do Magalu e o que mais mexe com o seu bolso hoje
14 de outubro de 2026 - 8:28O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para as PMES, o sumiço das LCIs e LCAs que pagavam 95% e o que agita os mercados hoje
13 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
É o fim dos aplicativos de banco? Os gerentes de IA e as notícias mais importantes para o seu bolso neste feriado
12 de outubro de 2026 - 8:01TRILHAS DE CARREIRA
Ter lado sem perder o eixo: o que está em jogo no trabalho quando você se posiciona politicamente em tempo de eleição
11 de outubro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A conta que você não pode atrasar, os encantos da China e o que mais mexe com seu bolso hoje
9 de outubro de 2026 - 8:47O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A guerra do delivery pelo seu restaurante, o fim do ‘aceita VR?’ e o que esperar dos mercados hoje
8 de outubro de 2026 - 8:54EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Upside de 50% à frente, mas nunca vem de graça
7 de outubro de 2026 - 19:51O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A bolsa desanimou, mas os juros não: ativos para um mundo com a Selic menor e o que mais mexe com seu bolso hoje
7 de outubro de 2026 - 8:38O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A dívida pública, a dívida do condomínio e a euforia dos mercados: entenda o que você precisa saber antes de investir hoje
6 de outubro de 2026 - 8:42INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
Eleições: o pêndulo virou e o fiscal entrou no preço
6 de outubro de 2026 - 7:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A ação que aguenta o tranco do segundo turno e o que esperar dos mercados hoje
5 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O ESG na análise de risco, o impacto das eleições na Petrobras (PETR4) e o que mais move o mercado hoje
2 de outubro de 2026 - 8:24SEXTOU COM O RUY
Por que você deveria ter Petrobras (PETR4) na carteira — independentemente de quem ganhar as eleições?
2 de outubro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O risco do aluguel atrasado, o candidato favorito do mercado e os preços do petróleo: o que mexe com a bolsa hoje
1 de outubro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno
30 de setembro de 2026 - 20:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O caso dos CEOs bumerangue, a disputa eleitoral e o que movimenta os mercados hoje
30 de setembro de 2026 - 8:34O MELHOR DO SEU DINHEIRO