Burnout ou mimimi? O perigo da banalização de termos médicos e a falta de empatia no trabalho
A imprecisão no uso diagnósticos e a trivialização de temas de saúde mental não apenas minam a seriedade dessas questões, mas também obscurecem a importância da conscientização em saúde mental nos espaços corporativos

"Eu tenho TDAH."
"João está à beira de um burnout."
"Meu chefe é um verdadeiro narcisista."
Quem ainda não se deparou com alguma dessas afirmações recentemente provavelmente tirou férias do planeta Terra.
E frente a essas afirmações, a reação que vejo de forma mais recorrente no mundo do trabalho é: "lá vem o mimimi."
O uso massivo e sem critério de expressões que remetem a patologias, estados psíquicos e transtornos tem se intensificado na minha observação cotidiana e empírica.
Leia Também
A dívida pública, a dívida do condomínio e a euforia dos mercados: entenda o que você precisa saber antes de investir hoje
Eleições: o pêndulo virou e o fiscal entrou no preço
Temas que precisam ser tratados de forma séria e responsável hoje circulam entre as pessoas como algo trivial.
E essa banalização de termos médicos e psicológicos não apenas diminui a seriedade de condições reais, mas também pode perpetuar estigmas e mal-entendidos.
- Receba matérias especiais do Seu Dinheiro + recomendações de investimentos diretamente em seu WhatsApp. É só clicar aqui e entrar na In$ights, comunidade gratuita.
"Na boca do mentiroso, o certo é duvidoso"
Na fábula 'O Pastor mentiroso e o Lobo', um jovem pastor, entediado com a solidão ao pastorear suas ovelhas, decide enganar os aldeões gritando falsamente que um lobo estava atacando seu rebanho.
Apesar do descontentamento inicial, os aldeões correram em seu auxílio, proporcionando-lhe a companhia desejada.
Repetindo o truque várias vezes, o pastor perde a confiança dos aldeões.
Quando um lobo de fato ataca seu rebanho, seus gritos por ajuda são ignorados. Quando regressa à aldeia, o rapaz queixa-se amargamente, mas o homem mais velho e sábio da aldeia responde: "na boca do mentiroso, o certo é duvidoso".
Ao atribuirmos diagnósticos sem validação profissional médica, vamos desgastando os termos e a importância da discussão de tratamento desses quadros e de suas causas-raízes dentro do mundo do trabalho.
Nos tornamos pastores mentirosos e todo mundo acaba pagando a conta. Principalmente aqueles que de fato tem um diagnóstico de uma patologia ou transtorno e passam a ser julgados erroneamente como mais um no meio da manada.
- Leia também: Vanessa Lopes fora do BBB 24: o mundo do trabalho não tem um botão de desistência — o que fazer então?
Nos tornamos todos médicos?
Se o autodiagnóstico já é perigoso, quiçá quando fazemos o diagnóstico de outras pessoas.
Ao acusar alguém de ser qualquer coisa, como um narcisista, por exemplo, já estamos condenando essa pessoa a um rótulo que a reduz a arquétipos depreciativos.
É preciso ser responsável no processo de emitir um juízo de valor. Deixemos os diagnósticos conclusivos para os especialistas qualificados.
Primeiro foi a astrologia como justificativa, agora é a vez das patologias, transtornos e estados psíquicos
"Nossa, meu TDAH me faz estourar todos os prazos no trabalho."
Sinto muito em dizer, mas você pode estar usando um artifício que já não cola mais para justificar algo que você não priorizou ou não deu a devida atenção.
Ao fazer um diagnóstico da sua cabeça hipocondríaca, lembre-se que você será cobrado de um exame profissional sobre o que você afirma ser impeditivo para a realização de algo.
Urge a necessidade por uma revisão do nosso léxico
Sugiro um exercício de substituição de alguns termos que talvez você possa estar usando de forma equivocada:
Ao invés de: "eu tenho TDAH", experimente "eu sou muito disperso".
"Nossa, estou tendo um burnout", que tal substituir por "estou completamente exausto."
E, ao acusar um chefe ou colega de trabalho de narcisista sem ter certeza do quadro clínico, uma expressão possível seria "ele tem uma avaliação exagerada de si mesmo".
Para concluir, é essencial sublinhar que a imprecisão no uso de termos médicos e a trivialização de temas de saúde mental não apenas minam a seriedade dessas questões, mas também obscurecem a importância da empatia e da conscientização em saúde mental nos espaços de trabalho.
Destaco a urgência de cultivarmos um ambiente acolhedor, onde o diálogo sobre saúde mental seja incentivado, proporcionando a todos acesso a informações precisas e o suporte necessário.
Até a próxima,
Thiago Veras
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O risco do aluguel atrasado, o candidato favorito do mercado e os preços do petróleo: o que mexe com a bolsa hoje
1 de outubro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno
30 de setembro de 2026 - 20:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O caso dos CEOs bumerangue, a disputa eleitoral e o que movimenta os mercados hoje
30 de setembro de 2026 - 8:34O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O voto na curva de juros, o plano de R$ 1 bilhão da SkyFit e o que mais movimenta as bolsas hoje
29 de setembro de 2026 - 8:17O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A nova estratégia do Inter, segundo seu CEO, o novo impasse entre EUA e Irã e o que mais move os mercados hoje
28 de setembro de 2026 - 8:09DÉCIMO ANDAR
O desconto dos FIIs de shopping conta toda a história? Entenda os riscos e veja um fundo imobiliário do segmento para investir agora
27 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Qual será o novo imposto sobre bens e serviços, a carteira de ações para as eleições e as conversas entre EUA, Irã e China: o que move o mercado hoje
25 de setembro de 2026 - 8:15SEXTOU COM O RUY
Quer saber como construir uma carteira preparada para as eleições? É mais fácil do que você imagina
25 de setembro de 2026 - 7:10O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O sumiço das LCIs e LCAs com rendimentos de 95% a 100% do CDI, a nova guerra do mercado automotivo e o que mais ler hoje
24 de setembro de 2026 - 8:18EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Dólar x real — tem mais ainda para colhermos no câmbio
23 de setembro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Tubarões saem dos FIIs, o título que ainda paga IPCA+ 14% ao ano, o acordo entre Trump e Irã: o que move o mercado hoje
23 de setembro de 2026 - 8:30AINDA TEM DESCONTO
Saudade do Tesouro IPCA+ 8%? Este investimento ainda oferece até IPCA+ 14% — com isenção de imposto de renda
23 de setembro de 2026 - 7:05O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O fantasma que assombra as eleições e as contas públicas, a reunião entre EUA e China e o que mais move o mercado hoje
22 de setembro de 2026 - 8:38INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
Dois gigantes à mesa, um mundo em combustão: o que está em jogo no encontro entre Trump e Xi Jinping
22 de setembro de 2026 - 7:48O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O que o Bradesco fará com R$ 10 bilhões na conta e como resolver o buraco fiscal em 4 passos: o que ler hoje
21 de setembro de 2026 - 8:15PLANO A
Se você quer investir para o longo prazo, esta é a pergunta que deve se fazer antes das suas escolhas
20 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O pote de ouro da Vivara (VIVA3), o que fazer com a ação da Vale (VALE3), e o que move os mercados hoje
18 de setembro de 2026 - 8:11SEXTOU COM O RUY
Vale (VALE3) escapa do jogo de “vida ou morte” — mas você sabe o que fazer com as ações agora?
18 de setembro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO