O que fazer com as ações da Petrobras (PETR4) agora? Saiba se é hora de vender ou se a queda abriu oportunidade
O ruído em torno da saída de Jean Paul Prates na presidência da estatal já custou a perda de mais de R$ 60 bilhões em valor de mercado

Como um dia que parece não ter fim, o mercado foi pego de surpresa na noite da terça-feira (14) com a demissão de Jean Paul Prates da presidência da Petrobras (PETR4).
A reação foi imediata. Minutos após a notícia, os recibos de ações (ADRs) da estatal negociados em Nova York caíram mais de 5%. A forte queda continuou por toda a madrugada e nos negócios na bolsa brasileira no pregão desta quarta-feira não poderia ser diferente.
As ações ordinárias (PETR3) — que dão direito a voto — e preferenciais (PETR4) da Petrobras abriram o dia com queda de quase 7%. Nos primeiros minutos de mercado aberto, o ruído em torno da saída de Prates custou a perda de mais de R$ 27 bilhões em valor de mercado. Siga os mercados.
Enquanto isso, a dúvida que paira sobre o investidor da estatal neste momento é: o que fazer com as ações? A saída do CEO vai de fato mudar a orientação da Petrobras para pior? Ou, ao contrário, a queda de hoje dos papéis representa uma oportunidade de compra a preços mais convidativos?
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Petrobras terminou o dia como a maior queda do Ibovespa. PETR4 registrou baixa de 6,78%, a R$ 40,02; PETR3 caiu 5,90%, a R$ 38,46. Em Nova York, PBR fechou com baixa de 6,71%, a US$ 15,57.
A companhia perdeu cerca de R$ 34 bilhões em valor de mercado apenas no pregão desta quarta-feira (15), passando a valer R$ 513,8 bilhões.
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E agora, Petrobras (PETR4)?
Bem, em resumo a resposta é: não faça nada ainda.
Embora a reação unânime do mercado ao episódio seja negativa, não houve mudanças nas recomendações das ações da Petrobras — nem para o bem nem para o mal — entre os analistas que o Seu Dinheiro consultou..
BTG Pactual e XP, por exemplo, mantiveram a recomendação de compra para as ações. Na mesma linha, o Citi e o Santander permanecem com uma postura neutra sobre os papéis.
A permanência do senador na cadeira de CEO já estava em xeque desde março, em um verdadeiro cabo de guerra sobre o pagamento de dividendos extraordinários referentes ao quarto trimestre. Mas não só.
As divergências entre Prates e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, também fazem parte desse processo de ‘fritura’ de Prates na cadeira de comando da estatal. Até o nome de Aloizio Mercadante, hoje presidente do BNDES, foi cotado para o cargo de CEO — mas não vingou após a reação negativa do mercado e de aliados do governo.
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Por que a saída de Prates é tão negativa?
Mesmo com a possível saída de Jean Paul Prates há meses, a demissão foi considerada uma surpresa pelos analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro, em menos de 25 horas depois da divulgação dos resultados do primeiro trimestre.
Assim como nas demais trocas do comando da estatal, as preocupações sobre mudanças na política de investimentos e maior interferência política na companhia são o que assombram o mercado hoje.
Há também outro consenso: a saída de Prates pouco tem relação com o desempenho do senador na cadeira de comando.
“Prates vinha entregando bons números, sem mudanças radicais na fórmula que vem dando certo para os resultados da petroleira nos últimos anos”, disse Ruy Hungria, da Empiricus.
A pedra no sapato de Prates, por sua vez, seria “insatisfação com o ritmo de implementação de investimentos na empresa”.
Para Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama, um dos riscos é o aumento de investimentos nos próximos trimestres em setores que não são o core business da Petrobras, como o setor de refino.
“Vemos que a orientação dessa troca [no comando] é para dar mais ênfase no programa de investimentos, com aumento, em destaque, de investimentos no setor de refino, que é um setor que tem um retorno aquém do core da Petrobras” — que é a extração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, afirma Soares. “Qualquer movimento que venha se desfocar desse nicho vai ser mal visto pelo mercado.”
Já Frederico Nobre, chefe de análises da Warren Investimentos, acrescenta que a troca traz insegurança porque Magda Chambriard, a nova CEO da Petrobras, é conhecida por ter uma visão estratégica diferente para a companhia, incluindo a atual política de dividendos.
Para o BTG Pactual, Prates era visto como um forte defensor de uma remuneração sólida aos acionistas. Já a posição de Chambriard sobre esta questão ainda deve ser provada e será crucial para renovar a segurança.
No primeiro momento, os analistas do banco afirmam que nas trocas anteriores de comando houve poucos impactos tangíveis que levaram a uma revisão significativa das previsões de geração de fluxo de caixa do acionista (FCFE).
“Acreditamos que este pragmatismo permanecerá em vigor, impulsionado pela necessidade contínua do governo federal de gerir as contas fiscais e pelas rigorosas regras de governança e métricas de rentabilidade necessárias para a aprovação de investimentos inorgânicos”, escrevem os analistas.
Dividendos em risco?
Um dos temas sensíveis para Petrobras (PETR4) é o pagamento de dividendos. Em março, quando a estatal anunciou o congelamento dos dividendos extraordinários do quatro trimestre, as ações despencaram mais de 8%.
Depois de uma queda de braço com o governo, a estatal liberou metade desses proventos — o equivalente a R$ 22,7 bilhões — no mês passado. Os outros 50% devem ser pagos até o começo do ano que vem.
Mas com a mudança repentina no comando da estatal, a dúvida surgiu novamente. Porém, por agora, os analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro não esperam uma mudança no que já foi combinado.
“Embora não esperemos mudanças significativas nos dividendos e planos de capex a curto prazo, reconhecemos que a incerteza aumenta consideravelmente a percepção de risco”, o que explica a forte queda das ações hoje, na avaliação da XP.
Na visão do BTG, há poucas evidências, até agora, de novas medidas que possam ameaçar os rendimentos de dividendos de dois dígitos em 2024 e 2025. "Continuamos a acreditar que a empresa prosseguirá com novas fusões e aquisições e adotará estratégias para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis”, escrevem os analistas Pedro Soares, Thiago Duarte e Henrique Pérez.
Para o Santander, há pelo menos três pontos a se monitorar a partir de agora:
(i) ritmo de execução do Capex (principalmente em downstream);
(ii) aceleração de M&As, em especial, nos projetos de refino, petroquímica e energia renovável; e
(iii) preços dos combustíveis e seus impactos na geração de caixa e distribuição de dividendos.
Ou seja, o risco no curto prazo está nas discussões envolvendo maior plano de investimentos e crescimento mais lento para produção em 2024 e 2025.
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