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Vice-presidente da Berkshire Hathaway morreu ontem, aos 99 anos; seu amigo e sócio, Buffett costumava dizer que os dois pensavam de forma muito parecida
O mundo dos investimentos perdeu ontem (28) um dos seus maiores expoentes contemporâneos. Charlie Munger, braço direito do megainvestidor Warren Buffett, morreu aos 99 anos, “pacificamente com sua família”, de acordo com o comunicado divulgado pela Berkshire Hathaway, da qual foi sócio e vice-presidente até o fim da vida.
Sua relação com Buffett não se limitou à sociedade, porém. Os dois eram amigos há nada menos que 64 anos, e o Oráculo de Omaha falava de Munger com deferência e admiração, tendo afirmado que “a Berkshire Hathaway não poderia ter chegado ao seu status atual sem a inspiração, sabedoria e participação de Charlie.”
Também disse que o amigo o tornou “uma pessoa melhor do que seria de outra forma” e que viveu “uma vida melhor” por causa dele. “Encontre um sócio muito inteligente e de alto nível – de preferência um pouco mais velho que você – e ouça cuidadosamente o que ele diz”, escreveu o megainvestidor a seus acionistas no começo deste ano.
As lições de Munger não inspiraram apenas Buffett, mas também investidores do mundo todo. A seguir, recordamos 8 lições de Charlie Munger para o bolso e a vida:
Em carta recente aos acionistas da Berkshire Hathaway, Warren Buffett compartilhou algumas citações/lições de seu sócio e amigo Charlie Munger que resumem bem a sua visão sobre investimentos:
Investir não é um jogo de azar, e bolsa não é cassino. Para Munger, o investidor bem-sucedido compra um negócio e se torna um acionista para o longo prazo, para que o negócio tenha tempo de crescer, mentalidade que também é compartilhada por Buffett.
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Apesar de defender a paciência, Munger também lembrava que, quando uma oportunidade realmente boa se apresenta, o investidor não deve hesitar muito.
Conforme disse ao “The Wall Street Journal” certa vez, o investimento de sucesso requer “a louca combinação de iniciativa e paciência, e estar pronto para atacar quando a oportunidade aparece, pois neste mundo as oportunidades não duram muito tempo.”
Reconheça seus vieses e tente neutralizá-los, seja um analista e não um torcedor. O mais importante, ao analisar um investimento, é a sua real perspectiva, e não o que você gostaria que fosse.
A estratégia de “comprar e segurar” uma ação (buy-and-hold), pela qual Buffett e Munger sempre foram conhecidos, não significa que você nunca deverá se desfazer de um investimento na sua vida.
Se as premissas que o levaram a comprar uma ação não se mostrarem mais válidas, se o negócio não se mostrar mais sólido, você deve considerar a venda e a migração para um ativo com perspectivas melhores.
O investidor não deve se deixar levar por modismos, ruídos de mercado ou narrativas superficiais. Ele deve buscar negócios com a capacidade de resistir ao teste do tempo.
E se você não tem tempo de analisar cada investimento ou não sente confiante para fazê-lo, não o faça e não tente bater o mercado.
Para Munger, a maioria das pessoas provavelmente estaria melhor se apenas investisse em fundos indexados (como ETFs, que seguem índices de mercado), em vez de tentar escolher ações (fazer stock picking, no jargão do mercado).
“Essa é uma coisa perfeitamente racional de se fazer para alguém que não quer pensar muito sobre isso e não tem razões para achar que tem alguma vantagem como stock picker”, disse Munger, certa vez.
Todo investimento tem riscos, e você deve conhecê-los muito bem. Mas aqui, Munger faz também um alerta sobre o uso de alavancagem (tomar dinheiro emprestado para investir e aumentar seu retorno), pois ela aumenta seu risco significativamente em algo que já é arriscado.
Não se trata de defender a superconcentração dos investimentos, mas de lembrar ao investidor que um punhado de decisões muito acertadas é capaz de compensar, em resultado, aqueles ativos da carteira que vão apresentar uma performance ruim.
Munger defendia que devemos ler constantemente e não apenas sobre a nossa área profissional. Mas também gostava de reforçar que as pessoas com frequência desconhecem ou avaliam mal os limites do próprio conhecimento.
“Conhecer o limite do seu círculo de competência é uma das coisas mais difíceis de se fazer. Saber o que você não sabe é muito mais útil na vida e nos negócios do que ser brilhante”, disse Munger.
Talvez essa tenha sido a chave para que Buffett, Munger e sua Berkshire Hathaway tenham se mantido relevantes no mundo dos investimentos por tanto tempo.
A mentalidade de mudar de opinião pôde ser vista, por exemplo, naquele que é a maior posição da Berkshire hoje, as ações da Apple. Em 2012, Buffett preferia se manter fora desse investimento. Apenas quando a big tech atingiu uma sólida posição de dominância e um preço bom foi que a Berkshire entrou no negócio.
“É tão simples gastar mais do que você ganha, investir de forma sensata, evitar pessoas e atividades tóxicas, continuar aprendendo por toda a sua vida e obter muitas gratificações adiadas [recompensas futuras]. Se você fizer tudo isso, é quase certo que terá sucesso. Se não, vai precisar de muita sorte."
- Charlie Munger, em reunião com acionistas da Berkshire Hathaway em maio.
Charlie Munger sempre foi um grande crítico do investimento puramente especulativo e também das criptomoedas, sobre os quais nunca mediu palavras para avaliar.
Munger chamava a especulação de vício que prejudica o país. Sobre as criptomoedas, o investidor as chamou de repugnantes e contrárias aos interesses da civilização, e afirmou que o bitcoin “é um produto financeiro inventado a partir do nada”.
Ele chegou a escrever um artigo para o “The Wall Street Journal” neste ano defendendo o banimento dos criptoativos pelos reguladores e dizendo que “criptomoedas não são moedas, nem commodities e nem títulos. Em vez disso, são contratos de aposta com quase 100% de vantagem para a casa.”
*Com The Motley Fool, Fortune e The Wall Street Journal.
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