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Outros fatores pontuais, como questões climáticas e problemas logísticos afetaram a Vale (VALE3) ao longo do 1T23

Que o balanço da Vale (VALE3) viria fraco, isso já era mesmo previsto e estava precificado nas ações da mineradora. Mas, após uma análise mais detalhada dos números e também do discurso dos executivos durante a teleconferência realizada na manhã desta quinta-feira (27), uma coisa ficou mais clara: a companhia vai precisar "se virar" para entregar dados melhores, em especial na linha de custos.
Veja abaixo como vieram as principais linhas do resultado referente ao primeiro trimestre deste ano:
Segundo a própria mineradora, o resultado foi impactado pelos menores preços realizados de minério de ferro, seu carro-chefe, além das vendas menores.
Analistas já alertavam sobre o descasamento entre oferta e demanda enfrentado pela Vale e a empolgação excessiva com a retomada da China.
Normalmente, a China compra minério antes do feriado da Semana Dourada, que acontece no começo de maio, de olho num consumo mais forte que acontece logo após essa data.
O problema é que neste ano as compras não estão tão aceleradas como era esperado, o que prejudicou a Vale e acendeu um alerta sobre o consumo chinês.
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Em sua análise, Fernando Ferrer da Empiricus Research, pontua que o resultado da Vale afasta ainda mais a tese de forte recuperação do preço das commodities com a reabertura chinesa.
Durante a teleconferência com analistas, o presidente da empresa, Eduardo Bartolomeo, reforçou que esse desencontro entre oferta e demanda também aconteceu por conta de problemas operacionais e também por questões climáticas, mas que o problema deve ser resolvido ao longo de 2023.
Como é de costume, a Vale não faz mudanças em seu guidance apesar de eventos como esse, e o CEO afirmou estar "muito confiante" no cumprimento das metas estabelecidas.
Em relatório, o Santander aponta que especialmente o Ebitda veio abaixo do consenso e "bem abaixo" das expectativas da equipe. Segundo o documento, a diferença em relação ao modelo dos analistas é explicada principalmente pelos volumes de venda de minério de ferro e preços mais fracos do que o esperado.
Apesar disso, o Santander mantém sua recomendação de compra para o ativo, mas ainda prefere o cobre dentro do setor de commodities.
"A dura realidade é que a Vale apresentou resultados abaixo da média contra seus pares australianos e vai precisar de algum tempo para recuperar a confiança do mercado", escreveram os analistas do BTG Pactual.
O banco também manteve recomendação de compra para o papel, com base no valuation ainda atraente. Porém, a equipe pondera o fato de que a Vale tem sido mais afetada por fatores macroeconômicos do que por uma história própria.
Confira o episódio desta semana do quadro A Dinheirista, em que a repórter Julia Wiltgen resolve esse e mais casos cabeludos envolvendo dinheiro.
No longo prazo, o BTG Pactual ainda enxerga a chegada da Cosan (CSAN3) ao conselho e a tão falada venda da divisão de metais básicos como pontos mais positivos para a mineradora e investidores com olhos num horizonte mais amplo.
De acordo com o JP Morgan, o resultado referente ao primeiro trimestre de 2023 pode trazer revisões para a ação, mas, no momento, o banco não realizou nenhuma alteração em suas projeções para a empresa e manteve recomendação neutra.
Já o Bradesco BBI, em parceria com a Ágora Investimentos, ressalta que apesar dos resultados mais fracos, a Vale foi afetada por fatores bastante pontuais, principalmente quando fala-se de chuvas e exportações.
De maneira geral, a equipe também permanece positiva com a companhia e crente de que os fundamentos do mercado de minério de ferro devem melhorar nos próximos meses.
Apesar do balanço avaliado como ruim em boa parte de suas linhas, as ações da Vale (VALE3) operavam em alta de 1,08%, cotadas a R$ 71,03 no início da tarde de hoje.
De acordo com dados compilados pela plataforma TradeMap, das 14 recomendações para o ativo, 10 são de compra e quatro são de manutenção.

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