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Há três anos, a Squadra deu o sinal de alerta para o que seria uma fraude milionária na resseguradora, que agora volta ao holofotes com as crises na Americanas e na Oi; saiba o que pode acontecer com a empresa
O rombo bilionário na Americanas (AMER3) e os sinais de que a Oi (OIBR3) pode dar entrada em um segundo pedido de recuperação judicial fazem o mercado olhar com mais cautela para outra empresa envolvida em problemas contábeis: IRB (IRBR3) — a resseguradora que se viu envolvida em uma fraude milionária descoberta há três anos pela Squadra.
Por isso, o Citi avaliou vários cenários possíveis para a empresa. A conclusão do banco é que ainda é cedo para dizer se o IRB precisará de uma nova injeção de capital — embora não tenha descartado este cenário.
"Desenhamos alguns cenários com variáveis relevantes (ganhos com venda de imóveis, sazonalidade positiva no primeiro trimestre e a possível repetição de perdas no seguro rural)", diz o analista Gabriel Gusan, do Citi, em relatório.
O banco afirma que a resseguradora ainda está sobre a "corda bamba" e que, a depender de variáveis como o desempenho do resseguro rural, uma nova capitalização pode ser necessária ainda em 2023.
"Descobrimos que nem tudo está perdido, mas a companhia ainda está na corda bamba", diz Gusan.
O analista explica que o interesse dos clientes em discutir os negócios do IRB aumentou, ainda que a possível necessidade de capital faça com que a maior parte deles continue pessimista com o papel. Por isso, o banco fez as simulações.
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O Citi tem recomendação neutra de alto risco para as ações IRBR3, com preço-alvo de R$ 27, o que representa um potencial de valorização de 10,9% em relação ao fechamento de quinta-feira (02).
No cenário-base do Citi, o IRB é capaz de chegar ao segundo trimestre de 2023 sem levantar recursos — ainda que por uma margem estreita.
No cenário menos otimista, a empresa necessitaria de uma nova capitalização em meados deste ano, após levantar R$ 1,2 bilhão no segundo semestre de 2022 para enquadrar os índices de solvência nas exigências da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Vale lembrar que essa não foi a primeira capitalização da resseguradora desde o começo da sua reestruturação, em 2020.
Segundo o banco, há ainda fatores como os ajustes patrimoniais, que podem amplificar os prejuízos ou os lucros e, consequentemente, influenciar os índices de solvência da empresa.
"Perdas rurais (com clima adverso nos Estados do Sul, novamente) e riscos legais podem complicar ainda mais as questões do IRB", diz o banco.
A crise no IRB começou em fevereiro de 2020, quando a Squadra divulgou uma carta explicando ao mercado por que estava apostando na queda das ações IRBR3 — a gestora enxergava disparidades entre o lucro contábil e o lucro normalizado da resseguradora.
O que se viu na sequência foi a saída de membros do conselho da companhia, uma crise de credibilidade instalada e a abertura de processos pela Comissão de Valores Mobiliário (CVM) para investigar supostas irregularidades.
O IRB acabou descobrindo uma fraude de R$ 60 milhões em bônus pagos a executivos e teve que republicar os balanços referentes a 2019 e 2018 por suspeitas de manipulação de dados.
O caso provocou uma liquidação das ações, que chegaram a cair mais de 80% ao longo de 2020 — ano em que a empresa reportou prejuízo de R$ 1,5 bilhão.
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Entre as propostas apresentadas também estaria a saída de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan (CSAN3), da presidência do conselho da Raízen