Resposta a Lula? Banco Central publica ata mais longa para justificar Selic alta; veja o que o Copom escreveu
Os diretores do Banco Central decidiram caprichar: escreveram nove parágrafos a mais na ata da reunião do Copom publicada hoje

A publicação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) costuma ser assunto apenas para os economistas e gestores no mercado financeiro. No documento, os diretores do BC dão detalhes sobre como chegaram à decisão sobre a taxa básica de juros (Selic). Além disso, fornecem mais pistas sobre o que esperar daqui para frente.
Mas desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a disparar contra o chefe do BC, Roberto Campos Neto, todos os passos da autoridade monetária passaram a ser acompanhados ainda mais de perto.
Ainda mais após as críticas do governo à decisão do Copom da última quarta-feira de sinalizar a manutenção da Selic em 13,75% por mais tempo. Pois então os diretores do Banco Central decidiram caprichar: escreveram nove parágrafos a mais na ata da reunião divulgada na manhã desta terça-feira (7).
Foram 32 parágrafos, contra os 23 da última ata do Copom. O documento se estendeu mais tanto na parte de cenários e análise de riscos como da discussão sobre a condução da política monetária.
- Lula X Bolsonaro: compare a gestão de cada um dos governantes através do nosso “Diário dos 100 dias”. Clique aqui para acompanhar gratuitamente.
O que o Copom disse na ata
De modo geral, os diretores do Banco Central reafirmaram na ata do Copom o compromisso com as metas de inflação. De fato, vale lembrar que o BC possui autonomia formal desde 2021, mas segue as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Alguns dos recados da ata já estavam no comunicado divulgado na semana passada, depois que o BC decidiu manter a Selic pelo quarto mês seguido.
Leia Também
O comitê escreveu, por exemplo, que a incerteza fiscal e o afastamento das expectativas de inflação da meta em prazos mais longos aumentam o custo para controlar a inflação.
Por outro lado, o Copom também estendeu a mão ao novo governo. Em outro trecho da ata, os diretores apontaram que o pacote fiscal anunciado em janeiro pode atenuar os estímulos fiscais sobre a demanda e, portanto, reduzir o risco de alta sobre a inflação.
Economia vai esfriar
Na visão de Lula e de integrantes do governo, a política de manutenção dos juros altos terá reflexos no desempenho da economia. E o Banco Central parece concordar.
Na ata do Copom, os diretores consideram que os dados de atividade no Brasil seguem indicando um ritmo de crescimento mais moderado recentemente e que os números do mercado de trabalho sugerem "perda de dinamismo".
"O conjunto de dados divulgados, incluindo a queda dos indicadores de confiança e a desaceleração observada nas concessões de crédito, junto com os efeitos defasados da política monetária, reforçam a expectativa do Comitê de desaceleração do ritmo da atividade econômica, que deve se acentuar nos próximos trimestres", escreveu o BC, na ata.
Alguns membros do comitê observaram que há um movimento de recomposição parcial de perdas recentes nos salários reais, de acordo com o documento. Mas houve a ponderação de que esse movimento é esperado e vem acompanhado de desaceleração nos ganhos nominais que deve se acentuar à frente.
"O Comitê seguirá acompanhando as divulgações do mercado de trabalho, avaliando continuamente qual o papel da inflação defasada e das pressões no mercado de trabalho sobre os reajustes salariais", afirmou.
De certo modo, esse é o efeito que o BC esperava para arrefecer as pressões sobre a inflação, ainda de acordo com a ata.
"Alguns membros ressaltaram que a desaceleração deve prosseguir e é necessária para que os canais de política monetária atuem e ocorra a convergência da inflação para suas metas", ressaltou o BC.
Em outras palavras, o BC reconhece o caráter restritivo da Selic para o crescimento econômico, mas entende que esse é o remédio necessário para conter a inflação elevada e fora da meta.
Você pode ler aqui a íntegra da ata da última reunião do Copom.
*Com informações do Estadão Conteúdo
MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA
Lotofácil 3814 faz 2 novos milionários; Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 305 milhões
27 de outubro de 2026 - 5:58DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL
“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora
23 de outubro de 2026 - 15:56VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS