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O encontro deve ser o pontapé para o início do plano de integração comercial, com o objetivo de reduzir a dependência do dólar americano e impulsionar o comércio regional
O presidente Lula inicia neste domingo (22) o giro internacional e o primeiro país a recebê-lo será a Argentina. O esperado encontro deve trazer algumas novidades nas relações comerciais entre as duas maiores economias da América Latina.
A expectativa é de avanço, ao menos, nas discussões da moeda comum entre a Argentina e o Brasil.
O encontro de Lula com Alberto Fernández deve sinalizar o início do plano de integração entre o peso e o real, com o objetivo de reduzir a dependência do dólar americano e impulsionar o comércio regional, entre outros fatores.
“Haverá uma decisão para os estudos dos parâmetros necessários para uma moeda comum, que inclui desde questões fiscais até o tamanho da economia e o papel dos bancos centrais”, afirmou o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, ao jornal Financial Times.
Sendo assim, o projeto bilateral para a implementação da “sur” (sul) — nome sugerido pelo governo brasileiro —, em caso de concretização, deve ser expandido a outros países da América Latina. Contudo, o plano deve demorar anos até a conclusão e, de fato, a implementação.
Por fim, a união monetária com abrangência em toda a América Latina poderia representar até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global — índice de crescimento econômico —, segundo estimativas do Financial Times.
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O euro, que é a maior união monetária do mundo, por exemplo, corresponde a cerca de 14% do PIB do planeta, quando cotado em dólares americanos. Vale lembrar que a Europa demorou 35 anos para criar a moeda comum da Zona do Euro.
O encontro bilateral entre Brasil e a Argentina devem marcar uma "nova aliança" entre os dois países. Em artigo assinado por Lula e Fernández, publicado no sábado (21) no site argentino Perfil, os presidentes escreveram sobre o desenvolvimento de projetos conjuntos, com destaque à criação de empregos e combate às desigualdades sociais.
"São múltiplas as áreas em que voltaremos a trabalhar juntos em temas importantes para a qualidade de vida de nossas populações, como combate à fome e à pobreza, saúde, educação, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas e redução de todas as formas de desigualdade", escrevem os presidentes.
Além disso, o artigo menciona a integração com o restante do mundo e fortalecimento do bloco econômico regional, o Mercosul.
"A relação fluida e dinâmica entre Brasil e Argentina é essencial para o avanço da integração regional. Junto com nossos parceiros, queremos que o Mercosul constitua uma plataforma para nossa efetiva integração com o mundo, por meio da negociação conjunta de acordos comerciais equilibrados que respondam aos nossos objetivos estratégicos de desenvolvimento."
Por fim, Lula e Fernández mencionam o desenvolvimento da moeda única. "Pretendemos quebrar as barreiras em nossas trocas, simplificar e modernizar as regras e incentivar o uso de moedas locais. Também decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum que possa ser usada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa."
As discussões sobre uma moeda única para negociações entre Brasil e Argentina já acontecem há um bom tempo — inclusive na gestão federal anterior. O então ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu a possibilidade de uma moeda comum como previsão para os próximos 15 anos.
Na época, Guedes destacou a vantagem de que esse movimento seria promover uma maior integração na América Latina e garantir o fortalecimento dos países para investimento e comércio, em meio a um cenário de alto risco geopolítico.
“A inflação global está subindo, os preços de alimentos e petróleo estão subindo. Águas turbulentas pela frente”, afirmou Guedes, em evento do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em maio do ano passado. Contudo, as discussões não avançaram.
Com a vitória de Lula, que possui uma ideologia política mais próxima do chefe do executivo da Argentina, a unificação monetária voltou ao radar.
A primeira sinalização aconteceu na primeira semana de governo, com o encontro entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o embaixador da Argentina, Daniel Scioli, em Brasília.
Vale lembrar que, antes de unificar a moeda, é necessário que os dois países cumpram objetivos comuns de crescimento, estabilidade e emprego, já que a política monetária traz consigo impactos nestes setores. E sabe-se que a economia argentina não passou por bons momentos nos últimos anos.
*Com informações de Financial Times e Perfil
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