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FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

Atenção, Campos Neto: FMI diz que riscos internacionais são alerta para ‘pouso suave’ dos juros na América Latina

A economia da região ainda deve ser afetada, conforme o FMI, pela ocorrência de secas e inundações provocadas pelo fenômeno climático El Niño

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Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Montagem: Giovanna Figueredo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta de que a região da América Latina e do Caribe deve manter "um equilíbrio cuidadoso" na dosagem de corte de juros frente ao aumento dos riscos externos, mas também por pressões domésticas.

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Além do aumento das tensões geopolíticas, com as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, uma nova onda de turbulência nos mercados financeiros mundiais e pressões inflacionárias dentro e fora de casa, impulsionadas pela volatilidade nos preços das commodities, reforçam a necessidade de cautela na gestão dos juros, segundo relatório divulgado ontem pela instituição, às margens de sua reunião anual, em Marrakesh, no Marrocos.

"A flexibilização prudente da política monetária continuará a exigir um equilíbrio cuidadoso entre colocar a inflação em uma trajetória descendente duradoura e minimizar o risco de um período prolongado de baixo crescimento", diz o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Rodrigo Valdés, no relatório.

Vale lembrar que, enquanto os Estados Unidos subiram os juros mesmo após o fim da emergência de saúde da pandemia de covid-19, o Brasil estava debatendo um afrouxamento do aperto monetário. 

Mundo pós-pandemia: crescimento mais fraco

Depois de uma forte recuperação com o fim da pandemia, o FMI espera que o crescimento da América Latina desacelere neste ano para 2,3%, ante os 4,1% registrados em 2022.

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Ainda assim, o Fundo demonstra otimismo e melhorou suas projeções para este e o próximo exercícios, quando a região deve manter o mesmo patamar de expansão.

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No caso do Brasil, a expectativa é de um maior ritmo no crescimento econômico: a projeção saiu de 2,1% para 3,1% até o final deste ano. Em 2022, o país cresceu 2,9%.

"A desaceleração reflete políticas mais restritivas para conter a inflação e uma conjuntura externa menos favorável, incluindo o crescimento mais lento dos parceiros comerciais, o aperto das condições de financiamento externo e a queda de preços das commodities", afirma Valdés.

Peso da inflação e dos juros

Apesar do aviso sobre os riscos de um eventual repique inflacionário, o Fundo manteve a previsão de queda da inflação na região neste ano, para 5%, em média, sem considerar a Argentina e a Venezuela, ante os 7,8% de 2022.

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Para 2024, a expectativa é de que o índice de custo de vida na América Latina e no Caribe caia ainda mais, para 3,6%.

De acordo com o FMI, devem contribuir para esse resultado o enfraquecimento da demanda local e externa, o afrouxamento das restrições sobre a oferta mundial e os efeitos defasados da valorização das moedas locais em alguns países.

A economia da região ainda deve ser afetada, conforme o FMI, pela ocorrência de secas e inundações provocadas pelo fenômeno climático El Niño.

Embora o relatório do Fundo não mencione diretamente o Brasil neste caso, economistas acreditam que o El Niño tende a ter um efeito inflacionário, mas não a ponto de comprometer a queda da taxa básica de juros (Selic) à frente.

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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