O mercado tentou “peitar” o Banco Central, mas foi forçado a se render e Selic deve terminar ciclo de cortes em dois dígitos, diz ex-BC
O risco maior hoje é o de o BC reduzir o ritmo de redução da Selic antes do esperado, afirma Reinaldo Le Grazie, sócio da Panamby Capital
O mercado financeiro se envolveu em batalhas contra o Banco Central sobre o futuro das taxas de juros no Brasil e no exterior, mas foi forçado a se render em ambas. A visão é de Reinaldo Le Grazie, ex-diretor do BC e sócio da Panamby Capital.
Por aqui, os investidores tentaram antecipar um ciclo de queda mais agressivo da taxa básica de juros (Selic) do que as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom).
No melhor momento, parte do mercado chegou a apostar em uma Selic abaixo de 9% no ano que vem. Mas as taxas passaram por um forte ajuste nas últimas semanas e agora a expectativa dos investidores é que os juros fiquem acima de 10% no fim do atual ciclo.
“Para mim o cenário é esse, o mercado agora está indo para o lugar certo”, me disse Le Grazie, em uma entrevista no escritório da Panamby.
A “rendição” das tropas locais aconteceu em meio à tentativa frustrada dos investidores no exterior de “peitar” o Federal Reserve — o BC norte-americano.
O mercado foi obrigado a "capitular" — nas palavras de Le Grazie — depois de o presidente do Fed, Jerome Powell, deixar claro que pretende manter os juros altos na maior economia do planeta pelo tempo que for preciso para trazer a inflação de volta para a meta.
Leia Também
Feriados 2026: veja quando caem as primeiras folgas do ano
Como consequência, as taxas dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasurys) — que até então projetavam um Fed mais “bonzinho” — dispararam para se ajustar ao discurso mais duro.
Enquanto isso, aqui no Brasil o risco maior hoje é o de o BC reduzir o ritmo de redução da Selic antes do esperado, segundo o sócio da Panamby.
TOUROS E URSOS - Por que o Ibovespa (ainda) não decolou? Uma entrevista exclusiva com Felipe Miranda
Acabou a paz
Antes da reviravolta no cenário externo, Le Grazie esperava que a economia brasileira experimentasse um período de tranquilidade. “Imaginei naquele ponto que o país teria um ano para dar certo.”
O relativo otimismo vinha da aprovação do novo arcabouço fiscal e dos dados positivos da atividade econômica. Além disso, o governo acertou o discurso ambiental, algo positivo para atrair o capital internacional.
Tudo isso, combinado ao fato de que a bolsa e os ativos brasileiros ficaram para trás no rali dos mercados no início do ano, pintava um quadro bastante favorável para o país, pelo menos no curto e médio prazo.
O problema é que o próprio governo ajudou a tumultuar o ambiente quando recolocou na pauta a possibilidade de tirar a meta de déficit fiscal zero para o ano que vem.
A discussão ficou ainda mais complexa depois que o governo pediu autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para mudar a forma como contabiliza as despesas com precatórios.
“Eu gostaria de ver mais determinação do governo na gestão das contas públicas. Sem discutir se foi certo ou errado, nós já gastamos muito dinheiro. Agora é hora de ser mais produtivo”, disse Le Grazie.
- LEIA TAMBÉM: Secretário do Tesouro quer levar green bonds ao Tesouro Direto e mostra confiança na meta de déficit zero
Veja a seguir os principais trechos da entrevista de Reinaldo Le Grazie para o Seu Dinheiro:
Uma década brigando com a inflação
“A inflação lá fora está muito resiliente. Nos Estados Unidos, a renda não cresce, mas o consumo continua subindo. A atividade como um todo está forte, e a inflação até caiu, mas ainda não chegou aonde devia, e agora para atingir a meta [de 2% do Federal Reserve] vai ser bem mais duro.
Então acho que o Fed pode aumentar os juros em mais 25 ou 50 pontos-base. Seja como for, a política monetária agora está mais adequada. De qualquer maneira, é uma taxa de juros alta para uma inflação que não desacelera.
Por isso, o maior risco é o de o Fed continuar subindo os juros até derrubar a atividade de uma vez. Esse não é o meu cenário-base, mas é possível e tem muita gente que está considerando isso. Até porque essa alta recente do petróleo só está batendo nos índices a partir de agora.
Na Europa, a inflação demorou mais para cair porque a política monetária foi mais inadequada. Eles demoraram para combater a inflação, e agora vão ter que fazer isso com a atividade mais fraca.
Enquanto isso, a China vem tentando incentivar o consumo com mais medidas de estímulo, mas que até agora não surtiram os efeitos esperados na atividade do lado da demanda.
E por falar em China, se a globalização nos últimos 20 anos derrubou a inflação, agora que nós estamos partindo para dois blocos, entre Ocidente e Oriente de novo, isso também é inflacionário. Por tudo isso eu acho que a gente vai passar a próxima década brigando com a inflação.”
A queda de braço do mercado contra os BCs
“Uma coisa muito curiosa que eu vi nesses últimos anos é a sincronicidade dos movimentos globais. Nos Estados Unidos o mercado peitou o Fed.
O BC disse que ia subir os juros, e o mercado demorou muito para capitular. Chegaram a projetar que o Fed começaria a reduzir o juro no terceiro trimestre deste ano, que inclusive já acabou.
Aqui no Brasil aconteceu algo parecido recentemente. O Copom disse que ia reduzir a Selic em um ritmo de 50 pontos-base, e o mercado falou: "não, vai ser mais". Foi só agora que o mercado aqui também capitulou.
Eu já não conseguia ver aceleração no ritmo de queda da Selic de jeito nenhum. Agora, começo a me perguntar até quando o BC vai seguir nesse passo e se ele não vai começar a diminuir o passo antes do esperado.”
Fim do ciclo de queda da Selic
“O mercado esperava que o ciclo de queda terminasse com a Selic em 9% ao ano. Agora, com o Fed subindo o juro nos EUA para 5,5% ou 5,75%, o nosso 9% significa um diferencial de juros baixo. Tanto que agora o mercado passou de 9% para 10% como o ponto onde termina o ciclo de baixa.
Então, se a gente terminar este ano com juros de 11,75%, teremos mais dois cortes de 50 pontos-base e talvez outros três de 25 pontos. Para mim o cenário é esse, e eu acho que o mercado agora está indo para o lugar certo.
Quando a taxa de juros lá fora subiu nesses últimos 45 dias acabou puxando muito a taxa aqui também. Mas além da questão internacional, nós tivemos questões domésticas também.”
Fim da agenda positiva no Brasil
“Entre abril e maio, quando o governo apresentou o arcabouço fiscal, eu imaginei que o país teria um ano para dar certo. O mercado deu o benefício da dúvida ao governo e eu concordei com esse benefício.
Com a arrecadação extraordinária das medidas do governo e uma atividade melhor do que o esperado, que ajuda a equilibrar a relação dívida/PIB, dava para ficar otimista.
Além disso, o Brasil é o único país que está fazendo uma reforma — no caso, a tributária — e ajustou o discurso ambiental, o que é bom do ponto de vista do investidor internacional.
Então como os ativos de risco por aqui não haviam acompanhado o bom momento lá fora, achei que a gente teria um ano de agenda positiva pela frente.
Mas aí já em agosto o governo fala em mudar a meta do arcabouço, que foi estabelecida menos de três meses antes. É claro que o mercado não gostou. Pelo menos pelo menos começa o jogo, né? Essa discussão não é positiva.”
Cabeça do governo
“O Brasil tem contas fiscais ruins. Portanto, você não atrai capital, e o Brasil precisa de capital. Então eu gostaria de ver mais determinação do governo na gestão das contas públicas. Sem discutir se foi certo ou errado, nós já gastamos muito dinheiro. Agora é hora de ser mais produtivo.
Os sinais do governo não vêm positivos desde dezembro, com a PEC da Transição [que liberou quase R$ 200 bilhões em despesas fora do teto de gastos].
Depois veio o arcabouço fiscal, que pode não ser tão bom, mas ter um plano ruim é melhor do que não ter nenhum plano. Mas pouco depois já começou a se discutir se não foi demais…
Eu realmente acho que se o governo tivesse mais crença de que o fiscal precisa ser melhor, se acreditasse que o fiscal vai ser bom para o Brasil, acho que o mercado todo gostaria. Mas eu tenho dúvidas sobre qual a importância que o governo dá para o assunto.”
Posições do fundo
“A sensibilidade hoje em dia ainda é muito baixa para posições estruturais grandes. É difícil fazer gestão de fundo nesse cenário. A impressão é o cenário melhora com o juro caindo mais um pouco, mas eu já estive mais animado.
A bolsa pode até andar, mas a Selic ainda vai ser de dois dígitos. Por isso, esse é um cenário que requer posições mais conservadoras e mais líquidas nos fundos, acompanhando os dados de curto e médio prazos.”
- LEIA TAMBÉM: Dólar e ouro são os melhores investimentos de agosto; bolsa e bitcoin (BTC) têm retorno negativo — veja o ranking
Calendário do Pé-de-Meia 2026: confira quando o governo paga os incentivos do ensino médio
Programa funciona como uma poupança educacional, paga até R$ 9.200 por aluno e tem depósitos ao longo do ano conforme matrícula, frequência, conclusão e participação no Enem
Calendário do Bolsa Família 2026: confira quando começam os pagamentos e quem pode receber
Pagamentos começam em 19 de janeiro e seguem até o fim do mês conforme o final do NIS; benefício mínimo é de R$ 600
Do petróleo ao bitcoin (BTC): como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os mercados
O conflito pode elevar a percepção de risco de toda a América Latina, inclusive do Brasil, segundo analista da RB Investimentos
Lotofácil 3577 faz um novo milionário, enquanto outras loterias ficam pelo caminho; confira os sorteios deste sábado
A Lotofácil volta a correr neste sábado, 3, no valor de R$ 1,8 milhão, porém ela não é a única a sortear uma bolada
Trump diz que Maduro foi deposto e capturado após ataques dos EUA na Venezuela
Segundo autoridades dos EUA, Maduro foi capturado por tropas de elite das forças especiais
Bolsa Família, Pé-de-Meia, Gás do Povo e mais: veja o calendário completo dos programas sociais do governo para 2026
Do Pé-de-Meia ao novo Gás do Povo, veja como ficam as datas e regras dos principais benefícios federais neste ano
A contribuição do Microempreendedor Individual (MEI) subiu em 2026; veja o novo valor
Aumento do salário mínimo reajusta valor da contribuição, que representa 5% do benefício
Calendário 2026: Ano terá nove feriados durante a semana — veja quando vão cair
Com nove dos dez feriados nacionais caindo em dias úteis, calendário de 2026 favorece emendas e planejamento de folgas ao longo do ano
Novo salário mínimo já está em vigor: veja o valor e quando o dinheiro cai na conta
Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026, entra em vigor em 1º de janeiro e deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, segundo o Dieese
Novo salário mínimo entra em vigor nesta quinta-feira (1); veja o valor
Reajuste foi de 6,79%, acima da inflação, e impactará trabalhadores da ativa, aposentadorias e benefícios da Previdência Social
O inimigo agora é outro: a China impôs tarifas à carne bovina brasileira, mas governo promete tentar mitigar impactos
O Brasil terá uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas, e as exportações que ultrapassarem esse volume pagarão uma sobretaxa de nada menos que 55%, em adição aos 12% de imposto de importação já vigentes
Novas regras de multa do Simples Nacional entram em vigor a partir de hoje
Microempresas e empresas de pequeno porte devem ficar atentas à entrega mensal do PGDAS-D, que informa o faturamento da empresa, e ao envio anual da DEFIS, que reúne os dados econômicos e fiscais do negócio
Adiado, sorteio da Mega da Virada de 2025 está previsto para as 10h; acompanhe ao vivo aqui
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Imposto de Renda: nova faixa de isenção começa a valer hoje; veja quem fica livre do tributo
Nova lei do Imposto de Renda amplia faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil e cria tributação sobre lucros e dividendos de altas rendas
Mega da Virada de 2025 só em 2026! Caixa adia o sorteio. Veja quando ele vai acontecer.
Caixa atribui adiamento da Mega da Virada a problemas técnicos derivados do intenso movimento em seus canais eletrônicos
Chegou a hora da Mega da Virada de 2025; assista aqui ao sorteio ao vivo
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Caixa encerra apostas para Mega da Virada, mas ainda há uma brecha para quem não conseguiu jogar
Até as 20h30, casas lotéricas de todo o Brasil seguirão comercializando as cotas de bolão ainda disponíveis para a Mega da Virada.
Ainda dá tempo de apostar na Mega da Virada de 2025, mas é preciso correr
Mega da Virada de 2025 sorteia hoje um prêmio estimado em R$ 1 bilhão. O valor é recorde na historia das loterias e não acumula.
Touros de 2025: Ibovespa, Axia (AXIA3), Galípolo e ouro — confira os melhores do ano, e uma menção honrosa na visão do Seu Dinheiro
Podcast Touros e Ursos faz a retrospectiva de 2025 e revela quem mandou bem na política, economia e investimentos; veja os indicados
China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país
O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players
