Acusado de fraude, Gautam Adani perde coroa de homem mais rico da Ásia e despenca no ranking mundial de bilionários
Após as acusações, o empresário desabou no ranking de bilionários da Forbes e agora ocupa a posição de 15º homem mais rico do planeta, com uma fortuna de US$ 75,1 bilhões

“Que semana, hein”, “Capitão, é quarta-feira”. O meme que circula na internet inteira poderia muito bem se tratar de um trecho retirado de uma conversa entre Gautam Adani e outros executivos do conglomerado indiano Adani Group.
Desde a quarta-feira passada, quando o bilionário foi acusado de cometer fraude contábil, manipular ações e lavar dinheiro por décadas, seus dias têm sido, no mínimo, complicados.
Apesar de a última terça-feira (31) ter sinalizado uma possível retomada da confiança dos investidores no conglomerado indiano, com a oferta pública subsequente da Adani Enterprises, de US$ 2,5 bilhões, totalmente subscrita, o aparente voto de fé não foi capaz de apagar as perdas bilionárias do grupo.
Segundo informações da Reuters, a derrocada das ações do conglomerado chegou a uma queda de US$ 84 bilhões em valor de mercado desde a divulgação das acusações. Além de assistir ao valor de mercado da sua holding ser dizimado na bolsa de valores da Índia (NSE), o executivo também viu sua fortuna evaporar.
Após as acusações da casa de análise Hindenburg Research, o empresário, que até a metade da semana ocupava a posição de terceiro homem mais rico do mundo — acima de personalidades como Jeff Bezos e Warren Buffett —, desabou no ranking de bilionários da Forbes.
Com um patrimônio líquido estimado em US$ 75,1 bilhões, Adani atualmente ocupa a posição de 15º homem mais rico do planeta. Além de cair na lista global, o dono do Adani Group também perdeu o posto de pessoa mais rica da Índia e da Ásia.
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Agora, a coroa de maior bilionário asiático pertence a Mukesh Ambani, dono da Reliance Industries, que conta com uma riqueza avaliada em US$ 83,7 bilhões.
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Hindenburg x Adani Group
Na quarta-feira passada (25), a Hindenburg Research revelou, em um relatório de 100 páginas, acusações de fraude contábil, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado envolvendo o Adani Group, além de uma “dívida substancial” do conglomerado.
Vale destacar que a casa de análise é focada em vendas a descoberto (short-selling) e está com posição vendida nas empresas que compõem o conglomerado, ou seja, apostando na queda dos ativos.
As acusações da Hindenburg destacam o desempenho inconsistente das empresas do Adani Group em relação à média da indústria, cujas ações misteriosamente teriam disparado nos últimos três anos.
A empresa ainda acusa executivos da família Adani de criar entidades de fachada offshore em paraísos fiscais, na intenção de gerar documentos de importações e exportações forjados para desviar dinheiro das empresas listadas.
Assim que a denúncia da Hindenburg Research foi divulgada, o conglomerado de Adani chamou o relatório de “infundado” e “malicioso” e disse estar considerando entrar com uma ação na Justiça.
Em uma réplica de mais de 400 páginas, o Adani Group, em um documento de mais de 400 páginas, acusou a empresa norte-americana de lançar “um ataque calculado” à Índia.
“Este não é apenas um ataque injustificado a qualquer empresa específica, mas um ataque calculado à Índia, à independência, integridade e qualidade das instituições indianas e à história de crescimento e ambição da Índia”, escreveu Adani.
*Com informações de CNBC e Forbes
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