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Chegou a hora de abandonar a Petrobras (PETR4) e as ações de óleo e gás?

A estatal não é o investimento mais seguro que existe, especialmente após tantas críticas do novo governo e do aumento da possibilidade de interferências políticas. Por outro lado, os papéis seguem muito baratos – saiba o que fazer

10 de março de 2023
6:07 - atualizado às 7:06
petrobras ações no retrovisor
Montagem com logo da Petrobras no retrovisor - Imagem: Divulgação/Volkswagen - Montagem: Julia Shikota

As últimas semanas têm sido caóticas para quem acompanha ou investe nas empresas de petróleo brasileiras. De um dia para o outro o setor acordou com taxação para exportações e congelamento na venda de ativos da Petrobras (PETR4).

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Falando em Petrobras, nesta semana os acionistas da estatal ainda ficaram sabendo de um plano de investimentos de quase R$ 300 bilhões (!!!) em energia eólica, o que poderia impactar bastante os dividendos e, consequentemente, a grande tese de investimento na companhia.

Obviamente, nenhuma dessas novidades é boa para as companhias nem para os investidores.

No entanto, isso não significa que não vale mais a pena investir no setor. Ainda vemos atratividade em algumas companhias, mesmo depois dessa chuva de notícias ruins.

Como cada uma é afetada

O primeiro grande impacto para o setor foi a taxação de 9,2% no petróleo cru exportado.

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Dentre as empresas que acompanhamos, a PetroRio (PRIO3) é a mais afetada, por exportar a totalidade da sua produção.

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O prazo original para a taxação é de quatro meses, e para que ela continue além desse prazo,  será preciso que o Congresso aprove, o que não nos parece muito provável, dada a pressão de setores relevantes do país.

Além disso, nomes importantes do setor (Shell, TotalEnergies, Equinor, etc) já entraram na Justiça para rever a taxação.

Para fechar,  é possível que em quatro meses a oneração de combustíveis volte a ser como era antes, reduzindo a necessidade de o governo buscar outras áreas para "pagar as contas".

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Ainda assim, esse risco existe e, mesmo gostando bastante de PRIO3, preferimos ficar de fora dos papéis, ainda que eles tenham caído 20% recentemente.

As outras juniores

Para a 3R Petroleum (RRRP3) e PetroRecôncavo (RECV3), a taxação sobre as exportações atrapalha menos, já que elas vendem sua produção internamente.

Há o risco de impactos indiretos, como a queda do petróleo no mercado interno para "acomodar" os novos impostos nos preços finais e ainda permitir um preço de óleo competitivo lá fora. Mas isso só deveria acontecer se a taxação durar muito mais do que os quatro meses, o que é improvável em nossa visão.

O grande impacto vem de outra medida: a paralisação nos processos de venda de ativos da Petrobras.

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As duas têm planos de crescer através de aquisições de campos vendidos justamente pela estatal, e como o Ministério de Minas e Energia (MME) pediu a interrupção desses processos, a perspectiva de crescimento das duas foi bastante impactada.

No caso da PetroRecôncavo, a companhia estava em negociações para adquirir o polo Bahia-Terra, mas ainda não tinha chegado a um acordo.

O caso da 3R é um pouco mais dramático, porque ela já tinha chegado a um acordo com a Petrobras para adquirir o polo Potiguar. Faltava apenas a licença ambiental para ela passar a operar o ativo, que tem capacidade para dobrar a sua produção diária.

Entendemos que os riscos de a 3R não ficar com Potiguar aumentaram, mas ao mesmo tempo esse não é um ativo de grande relevância para a Petrobras, e o cancelamento da venda pode acarretar em uma série de inseguranças jurídicas que trarão muito mais "dor de cabeça" do que benefícios para o governo.

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Apesar dos problemas recentes, continuamos gostando das duas, especialmente por causa dos múltiplos já bastante descontados. A 3R segue sendo a nossa preferida, por causa do grande desconto para as pares já descontadas. 

A Petrobras

Por incrível que pareça, das medidas mencionadas, a Petrobras é a menos afetada. Na verdade, o que preocupa mais no caso da estatal é a notícia de que ela estaria estudando construir sete projetos de geração eólica em alto-mar, em parceria com a Equinor.

Com base em alguns dados disponíveis da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) e estudos da Iberdrola, o Capex total ficaria em torno de US$ 50 bilhões diluídos entre 7 e 11 anos de construção, o que ainda seria dividido entre Petrobras e Equinor, de acordo com as participações de cada empresa nos projetos – em uma conta simplista, seriam investidos US$ 2,5 bilhões por cada uma por ano, assumindo 50% de participação e investimentos iguais em 10 anos de construção.

O montante não é um grande absurdo para a Petrobras. Para se ter uma base de comparação, o plano estratégico da estatal (divulgado pela administração anterior) prevê investimentos anuais da ordem de US$ 15 bilhões, dos quais US$ 12 bilhões seriam destinados para exploração e produção de petróleo.

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Ainda assim, pensando apenas em termos de alocação de capital, é óbvio que para os acionistas a melhor alternativa seria a petroleira investir apenas no pré-sal e distribuir os enormes dividendos que ele proporciona. Mas já sabíamos que isso não aconteceria, dadas as sinalizações recentes do novo governo.

Neste momento, o grande ponto para nós é: com um Ebitda de mais US$ 40 bilhões esperado por ano com a cotação do petróleo nos níveis atuais, serão necessários muitos novos projetos e criatividade para secar os dividendos dos acionistas.

Além disso, é importante mencionar que, após uma repercussão negativa, o CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, tratou de tranquilizar os investidores ao dizer que os projetos eólicos são apenas um estudo preliminar, e que a companhia não vai deixar de fazer grandes investimentos em Exploração e Produção de petróleo.

É óbvio que a Petrobras não é o investimento mais seguro que existe, especialmente após tantas críticas do novo governo e do aumento da possibilidade de interferências políticas.

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Por outro lado, os papéis seguem muito baratos: a Petrobras negocia por duas vezes o seu Ebitda, com dividendos muito polpudos. Em minha visão, isso ajuda a amenizar boa parte das notícias negativas. Por exemplo, mesmo com tudo isso acontecendo, PETR4 ainda sobe 5% no ano.

Por isso, dado o valuation atual e os elevados níveis de dividend yield, PETR4 segue na série Vacas Leiteiras, que tem se aproveitado do momento de incertezas para abrir cada vez mais vantagem sobre o Ibovespa.

Se quiser conferir a carteira completa com as melhores ações pagadoras de dividendos da bolsa brasileira, deixo aqui o convite.

Um grande abraço e até a semana que vem!

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Ruy

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