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Ata do Copom, CMN e prévia da inflação de junho são os destaques da semana; expectativa para o segundo semestre é positiva
A semana será de fortes emoções no Brasil, mesmo com parlamentares distantes de Brasília por conta das festas juninas espalhadas pelo país. Quando eles voltarem, na semana que vem, terão pouco tempo para debater o arcabouço e a reforma tributária, mas isso fica para depois. Afinal, temos mais com o que nos preocupar no curto prazo. Começamos com a terça-feira, em que contaremos com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que surpreendeu um pouco o mercado com seu tom (mais sobre isso a seguir), e a prévia da inflação oficial de junho, o IPCA-15.
Espera-se pela mediana das estimativas que haja estabilidade no mês de 0,03%. Ao mesmo tempo, caso o dado já indique uma deflação no período, o mercado poderá voltar a se animar, principalmente se a ata suavizar ao menos em partes o comunicado da autoridade monetária divulgado na semana passada. Seja como for, devemos ter uma forte desaceleração dos 0,51% do mês de maio.
O número corrobora o entendimento de que estamos próximos do ponto de inflexão da política monetária, com o BC podendo cortar juros já na próxima reunião, no mês de agosto. Por isso, a ata do Copom também será importante para os investidores, principalmente depois de uma reunião como a da semana passada.
Em resumo, conforme o esperado, a autoridade monetária manteve a Selic em 13,75% ao ano. Até aí tudo bem. O problema foi o direcionamento para os próximos passos. Ainda que tenha retirado a frase que alertava para a retomada do aperto monetário, as palavras de Roberto Campos Neto soaram mais pesadas do que muitos esperavam.
Dito de outra maneira, o comunicado veio mais dovish (flexível) do que o último Copom, mas menos do que o mercado gostaria/projetava. Com isso, a leitura imediata, relativamente mais hawkish (contracionista), cautelosa e conservadora, gerou certo receio sobre os ativos de risco, ainda que a leitura principal não tenha sido alterada.
Basicamente, se antes a maioria dos investidores acreditava que agosto poderia ser o início do ciclo de cortes, agora, setembro tem ganhado força. Ao mesmo tempo, o documento melhorou as expectativas de inflação para 2023 e 2024, em linha com o Boletim Focus, e ainda se mostrou evidentemente "dependente de dados".
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Parece ser o caso, vide o Boletim Focus da semana encerrada em 23 de junho que trouxe mais uma ampla revisão para baixo das expectativas de inflação para o ano de 2023, com as projeções do IPCA de curto e médio prazos. A mediana das novas projeções aponta para uma variação de 5,06% do IPCA em 2023 e de 3,98% em 2024.
Se for o caso, estaremos, segundo essas novas estimativas, a apenas 15 pontos-base de cumprir a meta de inflação deste ano (alguns já possuem 4,6% no cenário otimista, inclusive). Dito de outra forma, a inflação e as expectativas de inflação estão colapsando, em ritmo muito mais intenso do que muitos esperavam no começo do ano.
Como teremos o IPCA-15 de junho (nesta terça) e julho até a próxima reunião do Copom, além do IPCA fechado de junho, provavelmente conseguiremos argumentos mais fortes para cortar em 25 pontos-base em agosto, o que possibilitou a manutenção do meu cenário base para início do ciclo de cortes dos juros.
A tese de um corte mais agressivo de 50 pontos, porém, parece ter saído da mesa (pelo menos por enquanto). Querendo ou não, a verdade é que o BC manteve sua coerência conservadora e quer garantir a posse de alguma alavancagem antes da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) no dia 29.
Com o Copom da semana passada, o evento desta quinta-feira ganhou ainda mais importância, até mais do que a ata de hoje (não dá para fazer muito cavalo-de-pau no documento — se o CMN é o fator central da questão, é provável que a ata não difira significativamente do comunicado conservador, embora Haddad tenha solicitado uma linguagem mais precisa).
No encontro, a meta de inflação em 3% deve ser mantida, alterando apenas o horizonte de atuação (ano-calendário) e, talvez, as bandas de tolerância (menos provável, mas ainda assim possível).
Em outras palavras, a ata da reunião teve sua importância relativamente esvaziada pelo tom do documento da noite de quarta-feira passada e pela reação do mercado durante o pregão da quinta-feira subsequente. Consequentemente, não devemos ver muitas novidades na ata que possam alterar a percepção do mercado.
Contanto que a inflação siga caindo, assim como as expectativas para os índices de preços, o plano de voo para um ponto de inflexão no terceiro trimestre foi mantido.
Se não vier em agosto (como eu espero), definitivamente teremos cortes em setembro, conforme projetou a Oxford Economics caso haja surpresas para baixo da inflação.
Aliás, as autoridades monetárias da América Latina devem começar a cortar juros no segundo semestre de 2023, dado o processo desinflacionário adiantado frente aos demais players desenvolvidos em andamento e as expectativas de uma desaceleração moderada da atividade na região. O México deve cortar em setembro e o Chile em julho.
A pressão por uma redução das taxas de juros é amplamente difundida em diversos setores da sociedade, deixando o Banco Central praticamente isolado. Isso se deve à queda da inflação e dos juros de longo prazo, à valorização da moeda nacional, à melhora na situação fiscal e à atividade econômica mais fraca.
Com isso, desde que não tenhamos surpresas desagradáveis com o CMN, podemos ter com mais assertividade um corte de juros já em agosto, junto com o México.
Uma surpresa negativa pode afetar a curva de juros, as ações e o dólar — não me espantaria ver um BC ainda duro em agosto se for o caso.
Depois de segurar até aqui, relaxar agora sem antes ter absoluta convicção pode ser prejudicial para a credibilidade do BC.
Sigo acreditando em cortes em agosto (25 pontos) e em um contexto ainda positivo para ativos de risco no segundo semestre.
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