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A catástrofe humana é inegável. O que não se sabe ainda é o tamanho da bomba que pode cair sobre os mercados globais — mas existem algumas pistas sobre o campo minado no qual os investidores podem operar
Os investidores globais foram dormir na sexta-feira (6), de certa forma, aliviados: o impacto do payroll, como é conhecido o principal relatório de emprego dos EUA, foi absorvido, as bolsas ao redor do mundo fecharam em alta e, por aqui, o dólar terminou em queda. Mas devem acordar nesta segunda-feira (9) com outra preocupação no radar: os efeitos da guerra entre Israel e o Hamas sobre os ativos de risco.
No sábado (7), o Hamas realizou um ataque surpresa e sem precedentes contra o território israelense — que respondeu com uma contraofensiva que não tem data para acabar e pode ganhar escala.
Isso porque o Hezbollah, grupo extremista libanês inimigo de Israel e com grande potencial bélico, realizou uma ofensiva contra o país no domingo (8), deixando o mundo em um estado de alerta ainda maior.
A catástrofe humana — milhares de mortos e feridos dos dois lados logo nas primeiras 24 horas — é inegável. O que não se sabe ainda é o tamanho da bomba que pode cair sobre os mercados globais a partir desta segunda-feira (9). Mas existem algumas pistas sobre o campo minado no qual os investidores podem operar.
O Seu Dinheiro contou na sábado quais podem ser os feitos da guerra entre Israel e o Hamas sobre o seu bolso e sobre os seus investimentos.
Na linha de frente do conflito entre Israel e o Hamas está o petróleo. A guerra acontece em uma região repleta de grandes produtores da commodity, entre eles a Arábia Saudita.
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Embora tenham terminado a sexta-feira (6) em alta, tanto o petróleo tipo Brent — usado como referência internacional, inclusive pela Petrobras (PETR4) — como o WTI, a referência para o mercado norte-americano, acumulam perdas de mais de 8% na semana e estão longe do patamar de US$ 100 o barril.
A guerra entre Israel e o Hamas, portanto, tem um potencial enorme de fazer o petróleo disparar a partir da segunda-feira (9), quando os mercados voltam a operar normalmente.
“A escalada do conflito entre Israel e o Hamas pode desencadear uma instabilidade regional, afetando potencialmente a produção e o transporte de petróleo no Médio Oriente”, disse o analista da FX Empire, James Hyerczyk.
Ele não descarta que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e seus aliados liderados pela Rússia — grupo conhecido como Opep+ — reavalie os cortes de produção diante dos acontecimentos globais que se desenrolam, impactando significativamente a oferta e os preços do petróleo.
O ouro e a prata gozam do status de porto seguro durante tempos de turbulência geopolítica e, a possibilidade é de que o aumento das tensões provoque uma procura ainda maior por esses ativos de preservação de capital.
“Os desenvolvimentos geopolíticos têm frequentemente um efeito cascata sobre os valores monetários. Se o dólar enfraquecer como resultado do conflito, a prata ou o ouro podem se tornar mais acessíveis para os detentores de outras moedas, possivelmente aumentando o preço desses ativos”, disse Hyerczyk.
O analista da FX Empire lembra, no entanto, que movimentos especulativos, que também tendem a aumentar durante as tensões geopolíticas, poderão compensar o impacto sobre a procura, adicionando uma camada de volatilidade aos preços do ouro ou da prata.
Na sexta-feira (6), os contratos futuros do ouro com vencimento em outubro fecharam com alta de 0,84%, cotados a US$ 1.831,80. Na semana, no entanto, acumulam perda de quase 1%. Já a prata avançou 2,92%, para US$ 21.645, acumulando queda de 2,81% na semana.
O dólar também é considerado um abrigo em momentos de incerteza no mercado, no entanto, os especialistas acreditam que as reações da moeda norte-americana estarão mais ligadas aos indicadores dos EUA desta semana, em especial os dados de inflação, do que à guerra entre Israel e o Hamas.
“Esses eventos de risco são importantes e merecem atenção, mas as reações do dólar devem continuar mais ligadas às expectativas em relação à próxima decisão de política monetária do Federal Reserve, por isso, os investidores devem estar mais atentos aos dados de inflação da semana”, disse Aaron Hill, analista da FX Empire.
Ele destaca a publicação da ata da reunião de setembro do BC norte-americano, na quarta-feira (11), e a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de setembro, na quinta-feira (12).
Na semana passada, os investidores assistiram à disparada dos juros dos Treasurys — que atingiram o maior patamar em 16 anos. Na sexta-feira (6), os yields dos títulos com vencimento mais longo, de 30 anos, bateram na casa dos 5%.
Esse avanço foi patrocinado por alguns fatores como a venda desses papéis por Japão e China, pela perspectiva de novo aumento dos juros pelo Fed ainda este ano e pelos dados mais fortes do que o esperado do mercado de trabalho norte-americano.
Para o economista André Perfeito, caso o petróleo suba, os investidores continuarão colocando pressão sobre os juros norte-americanos — a alta dos yields dos Treasuries significa queda de ativos de risco e a penalização de ativos emergentes, inclusive os brasileiros.
"Não me parece que o conflito irá se alastrar pela região envolvendo outros países, mas só essa possibilidade já mostra que a preferência pela liquidez dos agentes deve subir, fazendo com que ativos considerados livres de risco avancem", diz Perfeito.
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