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Aos 11 anos, Buffett fez seu primeiro investimento na bolsa de valores; CEO da Berkshire Hathaway, construiu riqueza com alocações a longo prazo e baixo risco
Quanto vale um jantar com um bilionário? Bem, talvez alguns queiram impressionar: ir no restaurante mais caro do país, pedir o prato mais desejado da casa e beber o vinho mais nobre da adega. Mas, se o estivermos falando de uma refeição ao lado de Warren Buffett, a conta pode ficar bem mais salgada — na casa dos milhões.
Durante anos, o megainvestidor — conhecido como ‘oráculo de Omaha’, dados os retornos impressionantes de seu portfólio ao longo de décadas — promoveu beneficentes: faça o maior lance e passe uma noite com a lenda do mercado financeiro.
Pois o último jantar do tipo da vida do bilionário já foi leiloado. Um vencedor anônimo deu um lance um pouco mais de US$ 19 milhões (R$ 99,5 milhões) e levou o convite dele — e de mais sete pessoas — para passar um tempo na churrascaria Smith & Wollensky, em Manhattan; a data ainda vai ser marcada.
CEO da Berkshire Hathaway — um conglomerado empresarial — , Warren Buffett tem uma trajetória que vai muito além dos jantares milionários que acontecem religiosamente todos os anos.
Um dos investidores mais bem sucedidos da história, ele já teve a sua vida documentada em vários livros e filmes que tentam descrever a sua genialidade no mundo dos negócios. E não é para menos: aos 91 anos e ainda na ativa, Buffett construiu riquezas que atravessaram as principais crises financeiras do mundo, como a de 2009.
Até maio, ele estava na quinta posição de bilionários da Forbes, com patrimônio de US$ 118 bilhões (R$ 618 bilhões, aproximadamente). Mas, em meio à alta de juros, à escalada da inflação americana e à queda das bolsas de valores, a riqueza de Buffett “diminuiu”.
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Warren Buffett é hoje considerado o sétimo homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 95,1 bilhões (R$ 498,1 bilhões), segundo o ranking em tempo real da Forbes.
Confira a seguir o especial da Rota do Bilhão.
Para entender a trajetória bem-sucedida de Warren Buffett é preciso retornar ao cenário econômico global em 91 anos. O bilionário nasceu em 1930, em meio a uma das mais profundas crises financeiras do século XX, que ficou conhecida como a “Grande Depressão”.
Para contextualizar: naquele período, o mundo acabava de sair da Primeira Guerra Mundial e se afundava em crise econômica. Mas os EUA, até então, pareciam intactos: com a política do “american way of life”, os americanos viveram uma época de “boom” econômico e entrada de milhares de pequenos investidores na Bolsa de Valores de Nova York.
O ocidente, ao contrário do restante do planeta, vivia a prosperidade financeira e a superprodução, já que os EUA passaram a exportar produtos em larga escala. Mas a época de vacas gordas durou pouco: a “bolha” estourou e os americanos adentraram na “Grande Depressão”.
Pois Buffett nasceu nesse tempo de escassez no mercado financeiro, em Omaha, no estado de Nebraska.
Seu pai, Howard Buffett, que era um corretor de ações, perdeu o emprego durante a crise e decidiu abrir seu próprio negócio: uma corretora de investimentos.
Warren Buffett, então, teve a sorte de “ingressar” no universo das finanças ainda pequeno. Aos sete anos, pode-se dizer que ocorreu seu primeiro contato voluntário com o mundo dos negócios, por meio de livros.
Na ocasião, Buffett foi até a biblioteca da sua cidade e alugou o livro “100 formas de ganhar US$ 1.000”, de Frances Mianker. Aquele foi o pontapé para a sua definitiva entrada no mercado financeiro.
O primeiro investimento de Warren Buffett aconteceu ainda na infância. Aos 11 anos, ele comprou três ações de uma empresa petrolífera, a Cities Service, cada uma por US$ 38.
Ele vendeu os papéis, depois de algumas perdas por US$ 40 cada. No ponto de vista do mundo dos investimentos, os ganhos foram poucos; para Buffett, não valeu a pena. Isso porque, se ele tivesse um pouco mais de paciência, teria vendido cada ação por US$ 200.
Esse foi um dos primeiros aprendizados de quem se tornaria um bilionário: ele passou a se fundamentar em investimentos de longo prazo. Também foi nessa época que Buffett traçou uma das metas mais arriscadas da sua vida: se tornar um milionário aos 35 anos.
Enquanto a riqueza não chegava, aquele menino se virava como podia, sempre com o objetivo de ver o seu dinheiro “fazer dinheiro”. Buffett recebia cerca de cinco centavos de dólares por semana, o que para ele nunca foi suficiente.
O pequeno empreendedor se tornou entregador de jornais de porta em porta e aproveitava para vender Coca-Cola, assinatura de revistas, bolas de golfe e tudo o que podia carregar.
Em pouco tempo, comprou um Rolls Royce velho e o reformou. Para cada passeio, cobrava cerca de US$ 35. O que lhe rendeu uma boa grana, para aos 13 anos fazer a sua primeira declaração de renda. Entre os bens, uma bicicleta e um relógio.
Próximo aos seus 16 anos, Buffett ainda vendia jornais, que lhe rendiam cerca de US$ 175 por semana. Em sua primeira sociedade, com um amigo, comprou algumas máquinas de pinball e as distribuiu em salões de beleza em Omaha.
O negócio deu tão certo que, no final daquele mesmo ano, em 1946, ele vendeu sua parte por US$ 1.200. Por fim, Warren Buffett já tinha acumulado US$ 9.800 no final da adolescência.
O bilionário, mesmo com os conhecimentos adquiridos pelos livros e pela experiência, se aperfeiçoou na academia.
Pressionado pelo pai, Buffett deixou os seus empreendimentos, de forma temporária, e se dedicou aos estudos. Ele se formou em administração pela Universidade de Nebraska.
Em 1950, Buffett ingressou em uma turma de mestrado na Columbia Business School, da Universidade de Columbia, após ser rejeitado por Harvard.
Essa rejeição, no entanto, permitiu a Buffett conhecer um dos seus principais “gurus”, o professor de análise fundamentalista de investimentos Benjamin Graham. Único aluno a tirar nota máxima da turma, aquele jovem empreendedor foi contratado para trabalhar na gestora de investimentos de Graham.
Seis anos depois de ingressar em Columbia, com o curso concluído e investindo sempre, Warren Buffett decidiu retornar à cidade natal, Omaha, em 1956. Por lá, criou o seu próprio fundo, a Buffett Partnership, com suas “economias” de US$ 140 mil.
Em três anos, o fundo já dava um retorno de 250% aos cotistas, muito além dos 75% do índice Dow Jones. Em uma década, o retorno era de 1.156%. Com os ganhos, o fundo rapidamente alcançou a casa dos milhões de dólares em valor de mercado.
Durante esse período, Buffett conheceu Charlie Munger, um de seus grandes amigos e “gurus” de investimentos — e que viria a se tornar seu sócio na Berkshire Hathaway.
Ainda gerindo o seu fundo de investimentos, Warren Buffett encontrou a oportunidade perfeita de ingressar no mercado têxtil por meio de ações. A escolhida foi a Berkshire Hathaway; na ocasião, cada ação custou US$ 7,60.
Quando comprou os papéis, mal Buffett sabia que, em três anos, assumiria o controle da empresa — que, posteriormente, foi convertida numa holding de investimentos. Quando se tornou executivo da companhia, ele encerrou o fundo Buffett Partnership
A partir de 1969, a Berkshire Hathaway passou a investir fortemente no ramo de seguros, permanecendo com esse foco por quatro décadas. Mas, a partir dos anos 2000, o conglomerado tem apostado em gigantes industriais e da tecnologia.
Por exemplo, o conglomerado tem uma posição relevante em Apple; grandes petroleiras, como Chevron e Occidental, também estão entre as preferidas de Buffett — que, recentemente, até comprou um “pedacinho” do Nubank.
Com valor de mercado superior a US$ 500 bilhões, a empresa é a sexta mais valiosa listada no índice S&P 500. E, em breve, Warren Buffett, que já tem 91 anos, deve deixar a cadeira de CEO.
Greg Abel, executivo da Berkshire, deve ser o sucessor de Buffett na presidência; seu filho, Howard Buffett — que tem o mesmo nome do avô —, vai assumir o conselho de administração.
Sob o lema de “ficar rico devagar”, a estratégia de Warren Buffett é investir a longo prazo.
Com os fundamentos de value investing, aprendidos na época de Columbia com o seu “guru” Benjamin Graham, ele mantém uma carteira de investimentos diversificada.
Além disso, o bilionário prefere concentrar em seu portfólio fatias relevantes de grandes companhias, de modo que possa participar da tomada de decisão. Se ele entende o negócio — e seu preço é considerado atrativo —, existe uma boa chance dele analisar mais a fundo a possibilidade de uma compra.
“Invista em negócios que qualquer idiota pode comandar porque, um dia, algum idiota pode fazer isso”, disse Buffett certa vez, ilustrando um dos pilares de sua filosofia de investimento.
Crítico de práticas como day trade e rotação excessiva dos portfólios de investimento, a estratégia “buy and hold” — “compre e segure”, em português — é a que melhor define o “jeito Buffett de investir”. Vale ressaltar que o bilionário tem uma “aversão extrema a qualquer tipo de perda permanente.
Durante o seu último encontro anual da Berkshire Hathaway, em abril, Buffett reforçou sua aversão ao risco. “A ideia de perder o dinheiro das pessoas que confiam em nós… nós [Charlie Munger e eu] morreríamos psicologicamente.”
Agora, com a queda de ações de inúmeras empresas listadas nas bolsas americanas, Buffett tem ido às compras, utilizando-se da famosa estratégia de “compra na baixa e venda na alta”.
Entre as principais empresas com participações de Warren Buffett, destacam-se Apple Inc, Bank of America, American Express e Chevron.
Além destas, o bilionário adicionou uma fatia de 2,8% do capital do Citigroup a sua carteira. A HP também foi escolhida recentemente, com 11,4% das ações da empresa indo para as mãos de Buffett. Desde o início do ano, o “Oráculo de Omaha” já injetou US$ 51,5 bilhões no mercado, mesmo diante de baixas seguidas.
Exemplo disso é o Nubank, que ainda segue na carteira de Buffett. A Berkshire Hathaway detém mais de 107 milhões de ações da empresa – o que equivale a 2,3% do banco digital – que foram adquiridas antes do seu IPO, em dezembro de 2021.
O tradicional jantar anual com Warren Buffett começou no ano 2000. Com o objetivo de levantar recursos para a Fundação Glide, uma instituição de caridade em São Francisco, o bilionário se encontra com outras oito pessoas, sendo um o vencedor do leilão para o evento.
Contudo, não há mais como jantar com o bilionário. O último encontro já foi leiloado por quase US$ 19 milhões (recordando o início desse especial) a um anônimo. Ele terá direito de levar mais sete pessoas para passar um tempo com o “Oráculo de Ohama”.
Esse é o recorde em toda a história, superando o leilão de 2019, em que o empresário de criptomoedas Justin Sun arrematou o convite por US$ 4,57 milhões.
Além disso, Warren Buffett realiza anualmente, em maio, a conferência da Berkshire Hathaway com os acionistas. No evento, o CEO comenta sobre o mercado e responde questionamentos da plateia.
Os investidores do mundo inteiro ainda contam com a carta anual aos acionistas da Berkshire, lançada sempre em fevereiro, em que Buffett escreve sobre suas últimas alocações, erros, acertos, visões sobre o mercado e tendências, além de informações sobre a sua empresa.
Essa carta é considerada um dos documentos mais importantes do mercado — suas manifestações já foram compiladas e se transformaram em livros.
Em 2010, o megainvestidor criou juntamente com Bill e Melinda Gates, então esposa do dono da Microsoft, o projeto “The Giving Pledge”. A ideia era estimular bilionários a destinarem pelo menos a metade de sua fortuna à filantropia.
Entusiasta nesse ramo, o bilionário anunciou quatro anos antes do projeto com os Gates que iria doar todas as ações que possui da Berkshire Hathaway para instituições de caridade.
Buffett, então, tornou-se curador da Fundação Bill & Gates e realizou doações bilionárias. A última foi feita em junho de 2021, quando renunciou ao cargo na instituição, no valor de US$ 32,7 bilhões.
Além disso, outros US$ 4,1 bilhões em ações foram distribuídas entre cinco casas filantrópicas: Fundação Susan Thompson Buffett, Fundação Sherwood, Fundação Howard G. Buffett, Fundação NoVo e Fundação Bill & Melinda Gates.
Na carta de renúncia ao cargo de curador da fundação do dono da Microsoft, Buffett afirmou que a sociedade tinha um destino para o seu dinheiro e ele, “não”. Confira a seguir a nota do bilionário emitida na época:
“Ao longo de muitas décadas, acumulei uma soma quase incompreensível [de dinheiro] simplesmente fazendo o que amo fazer. Não fiz nenhum sacrifício, tampouco a minha família.
Juros compostos, [investimentos de] longo prazo, associados maravilhosos e nosso incrível país [Estados Unidos] simplesmente fizeram a sua mágica. A sociedade tem um destino para o meu dinheiro; eu, não.”
Por fim, um dos grandes ensinamentos e legados de Warren Buffett é a visão a longo prazo para a construção da riqueza.
“Pessoas racionais não arriscam o que têm e precisam pelo o que não têm e não precisam.”
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