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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

FEITAS DE FERRO E AÇO

Ações de Vale e Usiminas são castigadas após balanço, mas não é hora de vender VALE3 e USIM5

As duas gigantes do setor de siderurgia divulgaram resultados financeiros do segundo trimestre nas últimas 24 horas e os investidores não gostaram do que viram — entenda por que a recomendação é de ter esses papéis em carteira

Vale VALE3 na balança: compra ou venda 1t24 resultados balanço
Imagem: Freepik/Montagem: Julia Shikota.

No corpo humano, o pulmão tem a função de absorver o oxigênio, mas na mineração o nome do órgão respiratório é usado para se referir às reservas estratégicas que mantêm a regularidade do processo de produção. E é mais ou menos esta, também, a função dos  papéis de Vale (VALE3) e Usiminas (USIM5) — dar regularidade às carteiras de ações.

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As duas gigantes do setor de siderurgia e mineração apresentaram os resultados financeiros do segundo trimestre nas últimas 24 horas, e os investidores não gostaram do que viram. 

O resultado: as ações VALE3 e USIM5 estão recuando pelo menos 3% na B3 nesta sexta-feira (29). Mas ainda assim, a recomendação é de ter os papéis em carteira. 

De acordo com dados compilados pelo TradeMap, as ações VALE3 têm oito recomendações de compra, quatro neutras e nenhuma de venda. 

O preço-alvo médio é de R$ 101,85, o que representa um potencial de valorização de 44% em relação ao fechamento de quinta-feira (28). 

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No caso da Usiminas, os dados compilados pelo TradeMap mostram que os papéis USIM5 também têm oito recomendações de compra, quatro neutras e nenhuma de venda. 

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O preço-alvo médio é de R$ 15,69, o que representa um potencial de valorização de 73,5% em relação ao fechamento de quinta-feira (28). 

Por que é uma boa ter Vale (VALE3) na carteira?

O lucro líquido das operações continuadas da Vale (VALE3) recuou 49,7% no segundo trimestre em termos anuais, para US$ 4 bilhões. Na mesma base de comparação, a receita líquida de vendas caiu 32,44%, para US$ 11,1 bilhões.

A derrapada do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi ainda maior e chegou a 53,1% também em termos anuais. O indicador fechou o trimestre em US$ 5,2 bilhões e, segundo a Vale, refletiu a queda do minério de ferro e do cobre no mercado internacional.

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O desempenho mais fraco faz as ações VALE 3 recuarem 2,02%, cotadas a R$ 69,25, por volta de 14h35. 

O Bradesco BBA, no entanto, já esperava a reação negativa do mercado aos números da Vale do segundo trimestre e avalia que o desempenho foi, em grande parte, impulsionado por custos acima do esperado na divisão de minério de ferro. 

O banco reconhece que o caminho da Vale não será linear no curto prazo, mas, ainda assim, recomenda a compra dos papéis VALE3 porque acredita que a demanda na China vai melhorar no segundo semestre do ano, apoiando os preços de commodities e ações. 

O Safra é outro banco que recomenda a compra de ações da Vale sob o argumento de que o aumento de volumes no semestre deve ajudar a reduzir os custos unitários e sustentar a boa geração de caixa da empresa — que deve continuar sendo direcionada para dividendos e recompra de ações.

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Ontem, a Vale anunciou US$ 3 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio no segundo semestre a serem pagos em setembro. O Goldman Sachs, que não informou a recomendação para VALE3, não descarta um dividendo extraordinário também no quarto trimestre deste ano.

E a Usiminas (USIM5)?

A Usiminas (USIM5) viu o lucro líquido cair 77% entre abril e junho em base anual, para R$ 1,060 bilhão. O resultado está 16% abaixo dos números do primeiro trimestre deste ano.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 1,930 bilhão no período, um recuo de 62% em termos anuais. Já a receita líquida da Usiminas somou R$ 8,531 bilhões, um recuo de 11% na mesma base de comparação.

A empresa, que divulgou o balanço nesta sexta-feira (29), atribui o desempenho às “perdas cambiais registradas no fechamento do trimestre, parcialmente compensadas pelo melhor lucro operacional antes do resultado financeiro no período”.

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Ainda assim, os investidores não gostaram do que viram. Por volta de 14h35, as ações USIM5 caíam 4,31%, cotadas a R$ 8,65.

As ações da Usiminas tiveram desempenho significativamente inferior ao de seus principais pares no acumulado do ano, com perda de 53%. A empresa vem enfrentando dificuldades operacionais, principalmente na base de custos, devido à alta exposição a carvão e placas. 

No entanto, o BTG Pactual está entre os bancos que recomendam a compra dos papéis USIM5 por acreditar que algumas dessas tendências, que levaram ao baixo desempenho, podem ser revertidas, o que poderia levar as ações a recuperar algumas das perdas.

Já o Itaú BBA, que também recomenda a compra de USIM5, destaca que os maiores volumes produzidos pela Usiminas no segundo trimestre mais do que compensaram a menor realização do preço do minério de ferro.

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No período, os preços do aço no mercado interno aumentaram 16%, principalmente devido à elevação de preços do setor automotivo no trimestre.

Veja também: A bolsa nunca esteve tão barata?

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