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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Moura Dubeux (MDNE3) cumpriu planos do IPO antes do tempo e com volume maior, diz CEO

Em métricas importantes para o setor, a incorporadora e construtora nordestina vence outras concorrentes listadas — que, em sua maioria, são muito maiores em termos de valor de mercado

Diego Villar, CEO da Moura Dubeux (MDNE3)
Há 15 anos na empresa focada em empreendimentos de luxo e alto padrão, o executivo conversou com o Seu Dinheiro sobre as perspectivas para a Moura Dubeux. Imagem: Divulgação

Líder absoluta e sem concorrentes de peso em sua região de atuação, margens acima dos pares e pressão inflacionária controlada: nada disso foi suficiente para impedir que as ações da Moura Dubeux (MDNE3) acumulassem uma queda de mais de 70% desde a abertura de capital, realizada em fevereiro de 2020.

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Em métricas importantes para o setor, a incorporadora e construtora nordestina vence outras concorrentes listadas — que, em sua maioria, são muito maiores em termos de valor de mercado.

Mas quando o assunto é a performance das ações, a Moura Dubeux fica atrás dos pares e só perde para a endividada Tenda (TEND3). Veja abaixo a comparação com outras incorporadoras da B3.

O desempenho sinaliza que há algo errado com a empresa ou representa uma oportunidade de compra para os investidores que gostam de ações do imobiliário?

Fomos direto à fonte para responder a essa pergunta e conversamos com Diego Villar, CEO da Moura Dubeux. Também consultamos os especialistas do setor e o veredito você confere a seguir.

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Liderança absoluta no Nordeste é o principal trunfo da Moura Dubeux (MDNE3)

O CEO da companhia reforça que a empresa não deixou de cumprir com o compromisso feito com os investidores durante a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês), concluída às vésperas do início da pandemia da covid-19.

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“O que foi possível, nós fizemos, antes do tempo, inclusive, e com um volume maior do que o que tínhamos prometido”, afirmou Villar, em entrevista ao Seu Dinheiro. Foram lançados 34 projetos no período, com Valor Geral de Vendas (VGV) bruto de R$ 3,2 bilhões e comercializado de R$ 2,7 bilhões.

Segundo Villar, a liderança regional é um dos principais fatores que explicam a boa performance — ao menos fora do mercado acionário — em um momento complicado para o setor.

“Se você me perguntar qual é a segunda maior incorporadora do Nordeste, eu não faço a menor ideia”, afirmou.

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Há 15 anos na empresa focada em empreendimentos de luxo e alto padrão, o executivo explica que nem sempre foi assim. “No passado, todas as grandes empresas de São Paulo estavam aqui”.

Cyrela, Rossi, Tecnisa e outras companhias de porte desembarcaram na região após levantarem recursos com aberturas de capital, mas encontraram dificuldades para atuar em um mercado desconhecido.

Já outros nomes como Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS deixaram o Nordeste ou restringiram a atuação na esteira da recuperação judicial provocada pelos escândalos de corrupção. 

A Moura Dubeux — fundada há quase 40 anos em Recife, capital de Pernambuco — aproveitou o espaço para consolidar a marca e hoje está presente em sete dos nove estados nordestinos, com 20% de market share.

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Mão de obra abundante reduz pressão inflacionária

Para Villar, os benefícios trazidos pela liderança isolada são a maior vantagem competitiva da empresa. Além disso, a companhia conta ainda com a ajuda de características próprias do mercado nordestino que suavizam parte dos problemas sentidos pelo setor em São Paulo, por exemplo.

“Elas [incorporadoras paulistas] sofrem uma dinâmica que aqui nós não sentimos, pelo menos não nesse momento: o excesso de canteiros e de emprego, o que gera a inflação da mão de obra”, diz o CEO

Os dados estatísticos sustentam a declaração: a taxa de desemprego no Nordeste ficou em 14,9% no primeiro trimestre deste ano, contra 11,1% no sudeste. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com poucos canteiros e competidores, a Moura Dubeux evita custos salgados com mão de obra, que conforme destaca Villar, é “um fator importante na composição do orçamento de qualquer orçamento de construção no Brasil”.

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Sem problemas para contratar, a companhia também opta pela verticalização das operações, o que reduz o repasse potencial da alta dos preços ao longo de cadeias terceirizadas. 

Poder de barganha minimiza efeitos da inflação dos insumos 

Ainda assim, a Moura Dubeux não escapa da outra face da inflação na construção. Diferente da escassez de mão de obra, o encarecimento dos insumos construtivos afeta todo o país.

Mas, novamente, a liderança regional fornece a ferramenta necessária para que a incorporadora mitigue parte do problema.

O valor agregado dos insumos é baixo e não justifica o frete, logo a produção é feita localmente. “E, pela baixa quantidade de canteiros, a competição por esses materiais é menor. Como o maior player da região, nós conseguimos melhores negociações”, indica Villar.

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Como resultado, a margem bruta — que, em linhas gerais, mede o retorno obtido com as vendas — da Moura Dubeux nos últimos 12 meses é a terceira maior entre os pares listados em bolsa, segundo informações da empresa.

Quando se trata da velocidade de vendas, outra métrica importante para o segmento, o resultado é ainda melhor. No quesito medido pelo índice de Vendas sobre Oferta (VSO) líquido, a Moura Dubeux deixa para trás todas as outras concorrentes.

Tropeço no segundo trimestre?

Vale destacar que esses dados traçam um cenário do último ano e há dúvidas se a Moura Dubeux será capaz de manter o desempenho forte nos próximos meses.

A velocidade de vendas anteriormente celebrada, por exemplo, foi uma surpresa negativa na prévia operacional do segundo trimestre, divulgada na última quinta-feira (7). O VSO líquido caiu 6,1 pontos percentuais, em relação ao mesmo período do ano passado, para 20,8%.

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O recuo ocorreu porque as vendas contratadas caíram 18,9%, na mesma base de comparação, e ficaram em R$ 329,5 milhões. A queda do indicador é ainda maior, de 23,1%, quando confrontado com o trimestre imediatamente anterior.

A Moura Dubeux argumenta que parte do resultado pode ser explicado pelo regime escolhido para os lançamentos do período, que é o de incorporação.

A empresa costuma apostar no modelo de condomínio, no qual os recursos para as obras vêm direto do bolso dos compradores e a velocidade de comercialização é mais rápida, mas optou pela incorporação no segundo trimestre para equilibrar a operação.

A extensão dos efeitos do tropeço no desempenho financeiro da empresa poderá ser vista no balanço da companhia, cuja divulgação está marcada para o dia 10 do próximo mês. Mas Villar garante que a gestão está preparada para lidar com o que o futuro reservar.

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Temos hoje dentro de casa mais de R$ 2 bilhões em projetos quase prontos para lançar. Lançaremos tudo este ano? Não sei, quem vai dizer é o mercado. Se os indicadores que marcamos todos os meses começarem a cair de forma consistente, suspenderemos. Se eles continuarem estáveis ou subindo, continuaremos lançando.

Diego Villar, CEO da Moura Dubeux

Veja também — RISCOS PARA A ECONOMIA NO 2° SEMESTRE: Lula x Bolsonaro, inflação e JUROS I RECESSÃO NOS EUA?

Hora de colocar a Moura Dubeux (MDNE3) na carteira?

Os analistas em geral têm uma visão positiva para as ações da Moura Dubeux. Entre as casas que recomendam a compra de MDNE3 está o Itaú BBA, que coloca a empresa como uma de suas top picks da construção civil. Para os analistas, a incorporadora é o nome mais bem posicionado no segmento de média renda.

“A ação [MDNE3] é a única que não se recuperou após o início da pandemia. Como consequência, é negociada a um desconto significativo para os a pares que não acreditamos ser merecido, considerando sua operação de alta qualidade no Nordeste”, justifica o banco de investimentos.

Nesse cenário, o Itaú BBA indica compra para a Moura Dubeux, com preço-alvo de R$ 9,00. A cifra representa uma alta de pouco mais de 75% para os papéis, em relação à cotação de fechamento de ontem (12).

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A recomendação de compra também é unânime entre os especialistas consultados pelo TradeMap. A plataforma de investimentos compilou a análise de três casas e chegou a um preço-alvo médio ainda maior, de R$ 11. Aqui o potencial de ganho é de 114%.

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