Lucro dos grandes bancos deve chegar aos R$ 25 bilhões no 3T22, mas nem todos vão se dar bem no trimestre; saiba o que esperar dos balanços
Banco do Brasil e Itaú devem ser destaques positivos entre os bancos no 3T22. Já Santander e Bradesco devem ver piora na qualidade dos ativos

Quem acompanha os balanços dos grandes bancos brasileiros deve estar se sentindo preso num feitiço do tempo.
Ao longo de 2022, as expectativas dos analistas para os resultados das instituições financeiras têm se repetido a cada safra de balanços e, para o terceiro trimestre, temos uma nova reprise.
Assim como nas temporadas anteriores de balanços, os investidores devem ficar atentos mais uma vez, aos indicadores tradicionais de qualidade dos ativos dos bancos, muito mais do que aos lucros.
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O principal deles é a inadimplência, mas o foco também recai sobre os dados de renegociações de dívidas e venda de carteiras ‘podres’.
Ainda que um aumento da inadimplência já seja esperado, os resultados e as justificativas da direção dos bancos para os números serão essenciais para traçar um cenário para as instituições no curto prazo.
A piora da inadimplência pode levar, por exemplo, a uma desaceleração da contratação de créditos mais arriscados, afetando a margem financeira no ano que vem.
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Nada disso, porém, vai tirar os bancões do trilho dos lucros bilionários. A expectativa é que o resultado combinado de Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander atinja R$ 25 bilhões, o que representa um avanço de 9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
O duplo efeito da alta dos juros nos bancos
O cenário macroeconômico para os bancos não tem sido dos mais construtivos. A taxa básica de juros, a Selic, chegou a 13,75%. Se por um lado o juro alto é bom para as instituições financeiras, por outro pode ser uma armadilha em razão do endividamento cada vez maior das famílias.
Na última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o total de lares brasileiros com dívidas a vencer chegou a 79,3%.
Dentre os consumidores mais pobres, a proporção passou de 80,3%, o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 2010. A inadimplência acelerou para 30%, também o maior patamar da série histórica.
Ainda assim, dados do Banco Central indicam que o crescimento do crédito continua em níveis saudáveis, mesmo que em desaceleração. Ao mesmo tempo, os spreads bancários — ou seja, a diferença entre os juros que o banco paga e os juros que ele cobra — continuam em níveis recorde.
Para os analistas do Santander, isso deve ser suficiente para mitigar os impactos da inadimplência, que está concentrada em empréstimos sem garantia, como, por exemplo, cartão de crédito.
Quais bancos se sairão melhor?
É quase consenso que o Bradesco (BBDC4) e o Santander (SANB11) terão o pior desempenho no terceiro trimestre, enquanto o Itaú (ITUB4) e o Banco do Brasil (BBAS3) serão, novamente, os destaques positivos.
Quem inaugura a safra de balanços é o Santander, que divulga os resultados na quarta-feira(26), antes da abertura do mercado.
Na segunda semana de novembro, os outros bancos publicam seus balanços um após o outro: Bradesco no dia 8, Banco do Brasil no dia 9 e Itaú no dia 10.
Santander (SANB11)
- Data do balanço: 26 de outubro (antes da abertura)
- Lucro projetado para o 3º tri 2022: R$ 2,991 bilhões (-30% ante o 3º tri de 2021)*
Praticamente nenhum analista que cobre os grandes bancos tem palavras positivas para dizer sobre o Santander neste trimestre.
O tom geral é de piora da margem financeira com os clientes e também com o mercado, além de recuo do lucro tanto na comparação trimestral quanto na comparação anual.
A expectativa é de que a inadimplência continue com viés de alta, mas com menos ímpeto do que nos trimestres anteriores. No segundo trimestre, as dívidas vencidas há mais de 90 dias chegaram a 2,9%, um índice estável em relação ao primeiro trimestre.
No entanto, em se tratando especificamente dos clientes pessoa física, a inadimplência vem em trajetória de alta nos últimos 12 meses. No mês de junho, o índice desses clientes chegou a 4,1%, acima dos níveis pré-pandemia.
“A qualidade dos ativos deve continuar se deteriorando, mesmo considerando os níveis altos de renegociações, levando a custos altos de provisões”, afirmou o Bank of America em relatório.
Dos relatórios de analistas aos quais o Seu Dinheiro teve acesso, todos estão com recomendação neutra para os papéis do Santander. Confira:
| SANTANDER | RATING | PREÇO-ALVO |
| BANK OF AMERICA | NEUTRO | R$ 36 |
| JP MORGAN | NEUTRO | R$ 36 |
| GOLDMAN SACHS | NEUTRO | R$ 35 |
| SANTANDER | - | - |
| SAFRA | NEUTRO | R$ 42 |
| BRADESCO BBI | NEUTRO | R$ 34 |
| UBS BB | NEUTRO | R$ 35 |
Bradesco (BBDC4)
- Data do balanço: 8 de novembro (depois do fechamento)
- Lucro projetado para o 3º tri 2022: R$ 6,749 bilhões (estável ante o 3º tri de 2021)*
As projeções para o Bradesco no terceiro trimestre não estão tão ruins quanto as do Santander, mas tampouco estão otimistas.
A expectativa dos analistas é de que o Bradesco apresente resultados “sem brilho”, com avanço das receitas líquidas de juros, mas sem efeito no lucro trimestral.
Além disso, o mercado espera por mais uma piora da inadimplência, que vem seguindo uma trajetória ascendente desde que atingiu os níveis mais baixos durante o primeiro ano da pandemia.
No segundo trimestre, as dívidas vencidas há mais de 90 dias chegaram a 3,5% da carteira do Bradesco, com destaque para os clientes pessoa física e pequenas e médias empresas.
O Itaú BBA, que vinha recomendando compra das ações do Bradesco desde o primeiro trimestre deste ano, desistiu depois de calcular as expectativas para o terceiro trimestre.
“Não apenas a inadimplência ainda está em alta, mas houve contaminação do portfólio de pequenas e médias empresas”, disseram os analistas em relatório.
Assim, o Itaú BBA mudou a recomendação das ações do Bradesco para neutro. Os principais analistas estão divididos entre compra e neutralidade. Veja:
| BRADESCO | RATING | PREÇO-ALVO |
| BANK OF AMERICA | COMPRA | R$ 26 |
| JP MORGAN | NEUTRO | R$ 22 |
| GOLDMAN SACHS | COMPRA | R$ 27 |
| SANTANDER | NEUTRO | R$ 23 |
| SAFRA | COMPRA | R$ 28 |
| BRADESCO BBI | - | - |
| UBS BB | COMPRA | R$ 24 |
| ITAÚ BBA | NEUTRO | R$ 21 |
Banco do Brasil (BBAS3)
- Data do balanço: 9 de novembro (depois do fechamento)
- Lucro projetado para o 3º tri 2022: R$ 7,245 bilhões (+41% ante o 3º tri de 2021)*
Queridinho dos analistas, o Banco do Brasil deve entregar resultados sólidos mais uma vez neste trimestre. Alguns preveem, inclusive, que suas próprias projeções de lucro podem estar mais baixas do que os números que o banco público vai, de fato, apresentar.
A expectativa é de crescimento tanto do lucro líquido quanto da margem financeira, associados a uma carteira de crédito saudável.
“Além disso, as receitas de tarifas também devem ser fortes nas comissões de administração de fundos e contas correntes, compensando parcialmente as maiores despesas operacionais com aumentos de salários”, afirmaram analistas do Bradesco BBI.
A inadimplência deve ter uma piora marginal, ao mesmo tempo que os custos com provisões devem crescer em linha com o guidance do banco para o ano.
Vale ressaltar que os resultados espetaculares do Banco do Brasil neste ano fizeram a direção revisar suas próprias projeções.
No início do ano, a previsão interna era de que o lucro total de 2022 ficaria entre R$ 23 e 26 bilhões. Mas após os fortes resultados do primeiro semestre, a projeção passou para entre R$ 27 e R$ 30 bilhões.
A empolgação com o momento do Banco do Brasil é tanta que quase todos os analistas recomendam comprar as ações. Alguns gestores, inclusive, reforçam o coro, dizendo que os papéis estão baratos.
Confira as recomendações das casas às quais tivemos acesso:
| BANCO DO BRASIL | RATING | PREÇO-ALVO |
| BANK OF AMERICA | COMPRA | R$ 55 |
| JP MORGAN | NEUTRO | R$ 47 |
| GOLDMAN SACHS | COMPRA | R$ 46 |
| SANTANDER | COMPRA | R$ 64 |
| SAFRA | COMPRA | R$ 61 |
| BRADESCO BBI | COMPRA | R$ 52 |
| UBS BB | - | - |
| ITAÚ BBA | COMPRA | R$ 53 |
Itaú Unibanco (ITUB4)
- Data do balanço: 10 de novembro (depois do fechamento)
- Lucro projetado para o 3º tri 2022: R$ 8,036 bilhões (+18,5% ante o 3º tri de 2021)*
Último banco grande a publicar seus resultados nesta temporada, o Itaú deve ver novo aumento dos lucros e também das margens com os clientes e com o mercado.
O consenso de mercado indica que o lucro trimestral do Itaú deve ultrapassar os R$ 8 bilhões no terceiro trimestre. Caso isso se concretize, será o maior da história dos bancos brasileiros.
O mercado prevê, ainda, que a qualidade dos ativos do Itaú deve permanecer melhor do que a dos concorrentes, mas com ligeiro aumento da inadimplência e das provisões.
“Vemos chances de que as receitas com tarifas venham melhores do que o previsto, dada à boa performance dos seguros, mas, por outro lado, as despesas de curto prazo (opex) também devem vir acima do previsto devido aos impactos do reajuste salarial anual”, afirmou o Bank of America.
Apesar das projeções otimistas para o Itaú, ele não é o preferido dos analistas, que veem as ações do Banco do Brasil com maior potencial.
Confira as indicações dos bancos que o Seu Dinheiro teve acesso:
| ITAÚ UNIBANCO | RATING | PREÇO-ALVO |
| BANK OF AMERICA | COMPRA | R$ 34 |
| JP MORGAN | COMPRA | R$ 30 |
| GOLDMAN SACHS | NEUTRO | R$ 35 |
| SANTANDER | NEUTRO | R$ 32 |
| SAFRA | COMPRA | R$ 36 |
| BRADESCO BBI | COMPRA | R$ 38 |
| UBS BB | COMPRA | R$ 30 |
*Projeções da Bloomberg
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