Putin manda lembranças: 5 sinais para entender por que as sanções não quebraram a Rússia (ainda)
Moeda valorizada, petróleo em alta e baixo nível de desemprego são alguns dos fatores que ajudam a Rússia a se equilibrar em meio à guerra e às sanções

A agência de classificação de risco de crédito Moody's rotulou como "evento de default" a ausência de pagamento de US$ 100 milhões em cupons referentes a dois títulos da dívida emitidos em moeda estrangeira pela Rússia.
Embora Moscou afirme dispor do dinheiro para pagar o que deve, parte dos credores não recebeu os valores por causa das sanções impostas em decorrência da invasão da Ucrânia.
Diante disso, os agentes do mercado financeiro consideram que a Rússia deu um calote.
De fato, as sanções impostas pelo Ocidente representam o maior choque externo à economia russa desde a dissolução da União Soviética (URSS), em 1991.
Desde o início da guerra da Ucrânia, a Rússia vinha conseguindo driblar as sanções e convencer os credores a aceitarem os pagamentos em rublos.
Primeiro calote em mais de um século
Moscou resistiu até domingo à noite, quando expirou o prazo de 30 dias para a efetivação dos depósitos aos credores.
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Para o mercado - bem como para os Estados Unidos, principais antagonistas geopolíticos da Rússia -, mesmo que os valores tenham sido pagos em rublos, o fato de não ter sido usada a mesma moeda da emissão seria suficiente para a declaração do calote.
Trataria-se, portanto, do primeiro calote da dívida em moeda estrangeira protagonizado pela Rússia desde 1918, em meio à Revolução Bolchevique.
Calote ou farsa?
Enquanto o mercado considera que a Rússia está oficialmente em default, o ministro russo das Finanças, Anton Siluanov, qualifica a situação como uma “farsa”.
Seja como for, a economia do país não dá sinais de que esteja afundando. Pelo menos por enquanto.
Confira a seguir 5 sinais para entender por que, apesar das sanções e do calote atribuído à Rússia, a economia do país resiste.
1 - Rublo é a moeda mais forte do mundo no momento
O rublo, que por décadas até os russos evitaram por seu considerado muito fraco e volátil, é de longe a moeda com melhor desempenho em relação ao dólar em 2022.
A divisa russa foi catapultada pelas receitas com as exportações de commodities. A queda nas importações e os controles internos de capital também protegeram a moeda de uma onda de vendas.
Em 22 de junho, o rublo atingiu o maior nível em sete anos em relação ao dólar e ao euro.
2 - Petróleo em alta
Força vital da economia russa, o petróleo tem sido negociado acima de US$ 100 por barril desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro.
Com o preço das commodities energéticas em alta, a Rússia, segundo maior exportador de petróleo e o maior vendedor de gás natural do mundo, dispõe de uma proteção de trilhões de dólares por ano contra as sanções.
E isso apesar de o petróleo russo estar à venda no exterior com bastante desconto devido às sanções.
3 - Juros em baixa
No fim de fevereiro, logo depois da invasão da Ucrânia, o Banco Central da Rússia elevou sua taxa básica de juro a 20% ao ano.
Nos meses seguintes, entretanto, a autoridade monetária promoveu um alívio monetário que em junho levou a taxa de referência a 9,5% ao ano, retornando ao nível pré-crise.
Em meio à desaceleração da inflação no país, o BC russo mantém a porta aberta para novos cortes nos juros.
4 - Rússia não atravessa escassez de alimentos nem corrida bancária
Logo depois da invasão da Ucrânia, houve alguns sinais de pânico na Rússia. Itens como açúcar tornaram-se escassos em um primeiro momento. Entretanto, a situação rapidamente se estabilizou.
As sanções internacionais impostas à Rússia não provocaram uma temida escassez de alimentos e o susto passou. Também não houve corrida aos bancos.
Trata-se de um nítido contraste em relação à onda de pânico que acompanhou a maxidesvalorização do rublo em 1998 ou à escassez de alimentos deflagrada pela queda da URSS alguns anos antes.
5 - País vive situação de pleno emprego
A economia da Rússia vive situação de pleno emprego. Há quem tema que a situação piore nos próximos meses, ou que esteja sendo subestimada. De qualquer modo, apenas 4% da população russa estava desempregada em abril. Trata-se do dado disponível mais recente - e também de um recorde histórico de baixa.
*Com informações da Reuters.
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