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Com a Selic a 13,75% ao ano, gestores elegem a renda fixa como investimento preferencial para quem tiver a sorte de acertar os números da Mega da Virada de 2022
Estamos enfim nos aproximando do encerramento de 2022. O ano parecia interminável. No começo, ainda tateávamos o fim das restrições sanitárias impostas durante a pandemia. Depois entraram em pauta as eleições. Logo em seguida veio uma Copa do Mundo meio fora de época. Quase uma micareta futebolística. Mas desde 2008 nenhum ano chega ao fim sem a Mega da Virada.
Há 15 anos, o sorteio especial da Mega-Sena de 31 de dezembro surge em algum momento das conversas entre os amigos e familiares reunidos para as festas de Ano-Novo.
As ideias sobre o que fazer com tanto dinheiro são incontáveis. E, embora seja difícil torrar R$ 450 milhões em uma vida, certamente não é impossível. Principalmente por isso, mais uma vez o Seu Dinheiro procurou gestores para identificar qual a melhor maneira de investir essa fortuna caso você tenha a sorte de ganhar.
Se na passagem de 2021 para 2022, os especialistas enfatizavam a necessidade de diversificação, agora eles apontam para uma modalidade de investimento que combina tudo o que qualquer pessoa com dinheiro para investir mais almeja: rentabilidade bem acima da inflação e baixo risco.
Nem há por que fazer mistério. Estamos falando da renda fixa.
O Seu Dinheiro conversou com André Kitahara, sócio da AZ Quest dedicado a fundos multimercado e investimentos em renda fixa, e Natália Coura, sócia da gestora Sparta.
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Consultamos ambos com a ideia de reunir as melhores orientações para quem entrar em 2023 com uma fortuna como a da Mega da Virada. E é claro que essas dicas não servem somente para quem tiver a sorte de ganhar na loteria, mas também para quem já investe ou pretende começar a investir.
Ambos enfatizam a necessidade de diversificação. Entretanto, consideram inegável que o momento da renda fixa é bem mais atraente que outras modalidades de investimentos.
Confira a seguir as orientações desses experientes gestores para quem faturar a Mega da Virada - ou qualquer outra fortuna a que tenha acesso.
Esta não é a primeira vez que Natália Coura conversa com o Seu Dinheiro sobre como investidor o prêmio da Mega da Virada. No ano passado, a executiva enfatizou a necessidade de diversificação do portfólio.
Ao longo de 2022, entretanto, o cenário de renda fixa melhorou de tal forma que a busca por outras classes de ativos fica em segundo plano.
A palavra-chave, segundo ela, é eficiência. Tanto para investir quanto para gastar.
“Claro que a principal recomendação vai ser sempre a diversificação. Mas, no cenário que a gente tem hoje, com a taxa de juro muito elevada, de fato não é necessário tomar muito risco para conseguir um retorno interessante”, diz a sócia da Sparta.
O ano de 2021 terminou com a taxa Selic a 9,25% ao ano diante de uma inflação de 10,06% em 12 meses. “Isso prejudicava muito o retorno real”, afirma.
“Agora a gente tem a taxa Selic a 13,75%, o CDI deve terminar 2022 com um retorno de uns 12,5% e a expectativa de uma inflação que termine o ano próxima de 6%. Ou seja, um retorno real superior a 6% num título público pré-fixado.”
Para o próximo ano, a expectativa é de um IPCA em torno de uns 5%, mas a Selic deve seguir ainda em um nível ainda elevado. “Ainda teremos bons anos para a renda fixa”, antecipa.
A primeira ideia que muita gente ainda tem é: com uma fortuna dessas vou colocar tudo na poupança e esquecer da vida.
O problema é que a caderneta de poupança pode até servir, mas não é exatamente uma escolha inteligente, diz Natália Coura.
Supondo que você seja a única pessoa a ganhar os R$ 450 milhões da Mega da Virada, isso renderia cerca de R$ 2,3 milhões por mês.
Entretanto, além de só poder sacar esse dinheiro no dia do aniversário da aplicação para não perder o rendimento do mês, o investimento provavelmente acabará perdendo para a inflação.
Não se poderia dizer que você ficaria pobre, claro, mas perderia renda com o passar dos anos.
O fato é que, com os instrumentos financeiros existentes hoje, é possível aumentar o rendimento sem escalar tanto o nível de risco.
Natália Coura sugere começar a análise pelos títulos públicos pós-fixados, como o Tesouro Selic, e em seguida passa a produtos ligeiramente mais arriscados, mas sem abandonar o ambiente da renda fixa. No caso do Tesouro Selic, o rendimento mensal ficaria a casa dos R$ 3 milhões.
“Se você comprar um CDB, já rende um pouco mais. Se for para um fundo de investimento de crédito privado, o rendimento já chega perto dos R$ 4 milhões”, afirmou a sócia da Sparta.
Considerando que quem faturar o prêmio será um investidor PF, ou pessoa física, há uma série de produtos isentos de imposto de renda.
Um exemplo são os fundos de infraestrutura listados em bolsa. “São fundos que compram carteiras de debêntures incentivadas que conseguem pagar dividendos mensais isentos de imposto de renda. Neles, o rendimento líquido chega a R$ 5 milhões por mês”, afirma.
Natália Coura recorre ao exemplo do fundo listado de infraestrutura para dizer o que faria se fosse ela a ganhadora do prêmio da Mega da Virada.
“Eu teria um rendimento de R$ 5 milhões por mês sem corroer o principal. Então, em vez de gastar uma parte logo de cara, investiria tudo e iria executando meus gastos de acordo com o recebimento dos dividendos”, afirma a sócia da Sparta, gestora que possui mais de R$ 8 bilhões em recursos.
“Daria pra comprar uma mansão por mês só com o rendimento se eu quisesse isso. O mais interessante dos investimentos é fazer o dinheiro trabalhar a seu favor. Você pode torrar? Pode. Mas a maneira mais eficiente é investir tudo”, diz Natália.
No caso de títulos privados como os CDBs, debêntures ou mesmo os fundos que investem nesses papéis, vale sempre lembrar que há um risco maior envolvido, sendo que o maior deles é o de calote da empresa devedora.
Então uma maneira de tirar esse risco da equação é emprestar diretamente para o governo. Ou seja, comprando títulos públicos.
Por exemplo, o Tesouro IPCA de prazos mais longos repõe o principal pela inflação e paga hoje juros na casa de 6,25% ao ano.
Existem dois tipos de títulos corrigidos pela inflação: aqueles que pagam o principal e o rendimento apenas no vencimento e os que pagam os rendimentos todo semestre.
Se você for o vencedor da Mega da Virada, não precisará mais acumular recursos e provavelmente vai querer viver da renda desse dinheiro. Nesse caso, portanto, os títulos com pagamento de juros semestrais podem ser uma opção mais vantajosa.
A renda fixa chama muito a atenção no momento. No entanto, trata-se de um cenário incomum. “Talvez aconteça uma vez a cada década, mais ou menos”, observa André Kitahara, da AZ Quest.
Por isso, ele também aponta os investimentos que proporcionam rendimentos reais — ou seja, descontando a inflação — como uma alternativa para o ganhador da Mega da Virada.
Além do Tesouro IPCA, ele menciona outra alternativa que certamente um investidor milionário terá à disposição: a LIG, sigla para letra imobiliária garantida.
Assim como o CDB, a LIG é um título bancário que pode ter a remuneração pós-fixada ou corrigida pela inflação que você pode encontrar na prateleira dos bancões e de plataformas de investimento.
“Trata-se de um investimento em renda fixa de longo prazo e isento de imposto de renda. Mas é um depósito que não tem liquidez. Não pode recomprar, mas ele te paga inflação mais um juro com isenção de imposto de renda”, diz Kitahara.
Uma das vantagens das LIGs é a dupla proteção. Assim como as cadernetas de poupança e os CDBs, elas estão na abrangência do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), também até o limite de R$ 250 mil reais por titular.
Além disso, elas ficam fora do balanço dos bancos. Com isso, no caso de quebra da instituição financeira, as LIGs ficam protegidas.
Uma fortuna como a que está em jogo na Mega da Virada sugere que a pessoa não vai precisar mais trabalhar na vida, tenha ela 18 ou 60 anos.
Contrário a fórmulas prontas, André Kitahara enfatiza a busca por um portfólio diversificado. Entretanto, a idade do investidor é fundamental no momento de definir a estratégia.
“Um investidor mais jovem pode tomar um pouco mais de risco que alguém de quarenta e pouco anos. Já uma pessoa perto de se aposentar precisa de segurança e liquidez”, exemplifica.
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