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PROBLEMAS NA MESA

Governo cria medidas para conter o preço da gasolina, mas as propostas podem ter efeito contrário; entenda a situação

As eleições presidenciais cada vez mais próximas tem levado Jair Bolsonaro a buscar propostas para deter a alta do preço dos combustíveis diante da escalada do petróleo

Jair Bolsonaro, presidente da República
Imagem: Marcos Corrêa/PR

Com as eleições cada vez mais próximas, a escalada do preço do petróleo vem se tornando um problema central para o presidente Jair Bolsonaro.

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Depois de um 2021 que fez os consumidores verem seu poder de compra diminuir, a ameaça de que a commodity faça a inflação disparar assombra o cenário atual.

Isso levou o governo a colocar propostas na mesa — mesmo aquelas que são consideradas populistas e contraproducentes por grande parte dos analistas.

O que dizem os analistas

Apesar de contrários às medidas sugeridas pelo governo, os economistas concordam que o preço do petróleo ameaça a inflação e a atividade, em um ano em que a economia já enfrenta desafios.

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Do lado da alta dos preços para os consumidores, a desvalorização do dólar (que começou o ano valendo R$ 5,57 e fechou a semana em R$ 5,24) ameniza a alta do petróleo.

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Mas a expectativa é de que, com a proximidade das eleições, esse efeito seja anulado — e a inflação avance ainda mais.

"Vemos um cenário de incertezas à frente. O câmbio pode ficar entre R$ 5,50 e R$ 5,60 quando o mercado precificar que o próximo governo vai ter dificuldade fiscal. Aí, com o petróleo tateando os US$ 100, haverá mais um elemento de pressão. Com isso, provavelmente, vamos ver a Petrobras subindo o preço do combustível", disse Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Já a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, destaca que, apesar da alta do petróleo, a inflação não deve seguir uma trajetória como a do ano passado em 2022, quando chegou a 10%.

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"Mesmo que o petróleo se aproxime de US$ 100, o impacto será menor se comparado ao da alta do barril de US$ 40 para US$ 80", diz. A economista, porém, reconhece que, para o consumidor, cujo poder de compra já se deteriorou em 2021, o efeito é considerável.

Custo de produção

Para Rodolfo Margato, economista da XP, a consequência do petróleo nas alturas será mais sentida na atividade econômica.

Além de a alta na cotação diminuir o consumo — uma vez que a população terá uma renda disponível para compras menor —, ela também prejudicará as cadeias produtivas.

"O custo de produção da indústria, principalmente logístico, vai aumentar. Em muitos casos, não será possível repassar ao consumidor. As empresas reduzirão margens e investimentos", diz.

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As medidas do governo

Para tentar aliviar a situação, o governo e o Congresso propõem reduzir impostos sobre combustíveis, dar auxílio-diesel a caminhoneiros, subsidiar o transporte público e aumentar o vale-gás para famílias de baixa renda.

Dependendo do que for aprovado, o impacto fiscal dessas medidas pode atingir os R$ 100 bilhões, bem acima do orçamento do Auxílio Brasil, de R$ 89 bilhões.

"Vamos abrir mão de uma arrecadação expressiva sem a mínima garantia de que vai ter um efeito para o consumidor, porque o preço é determinado pelo câmbio e pelo petróleo", afirmou Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria.

Alessandra destaca que a proposta deteriora a situação fiscal, o que desvaloriza a moeda. Com o real mais fraco, a gasolina fica mais cara na bomba, e a inflação, mais pressionada. Segundo os cálculos da economista, a população já paga a conta de medidas que enfraquecem as contas públicas.

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"Se o real estivesse alinhado aos fundamentos, o preço da gasolina em 2021 teria sido, em média, 76 centavos mais barato", disse Ribeiro.

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