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UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

O fim da inflação está próximo? Ainda não, mas para Campos Neto o “pior momento já passou”

O presidente do BC afirmou que a política monetária do país é capaz de frear a inflação; para ele a maior parte do processo já foi feito

Roberto Campos Neto comenta sobre inflação e alta da taxa de juros
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Imagem: Reprodução/Youtube

O ciclo de altas da taxa básica de juros parece começar a surtir efeitos, com um tímido início da frenagem da inflação — essa é, pelo menos, a expectativa do Banco Central (BC), que tem adotado sucessivos aumentos na Selic desde março do ano passado.

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Embora o país ainda tenha alguns fatores que fazem os preços subirem, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira (27) que o "pior momento da inflação já passou".

Segundo ele, os índices da inflação estão dentro da expectativa e a elevação dos preços está na média dos últimos 20 anos, quando comparada aos países desenvolvidos.

"O Brasil sempre trabalhou com inflação acima do mundo desenvolvido. Inflação hoje está até abaixo da mediana. Ao contrário dos últimos anos, em que era inflação brasileira, há um componente global muito forte da inflação", disse ele.

Além disso, afirmou que, no mundo, já se observa uma indexação de salários, mas que ainda não se vê isso na inflação brasileira.

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Política monetária deve frear a inflação

Campos Neto assegurou que a política monetária adotada pela autarquia é capaz e vai frear o processo inflacionário no Brasil e avaliou que a maior parte do processo já foi feito.

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Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC indicou uma nova alta da taxa básica de juros de até 50 pontos base (0,50 pp) na próxima reunião de agosto. Vale lembrar que a Selic está em 13,25% ao ano.

De acordo com Campos Netos, a taxa Selic deve ficar mais tempo em terreno significativamente contracionista. Isso porque a taxa básica de juros deve terminar 2023 em nível mais alto do que no cenário de referência (10%).

O aperto monetário deve ocasionar, consequentemente, uma desaceleração da economia no segundo semestre desse ano, ainda que o Brasil seja um dos únicos com a revisão positiva de crescimento econômico em 2022.

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Recessão global

No momento, essa é a pergunta de um milhão de dólares. Segundo o presidente do Banco Central, países no mundo todo estão subindo os juros, mas as consequências ainda precisam ser mensuradas.

"O Brasil está muito mais perto de ter feito o trabalho todo, outros países ainda estão no meio do processo de alta de juros", disse.

Campos Neto comentou que a política adotada pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) atualmente é mais agressiva do que era inicialmente esperada.

Isso porque o mercado já precifica que os juros americanos devem chegar a uma faixa de 3% a 3,5%, já se aproximando de 4%. "Pela primeira vez, o mercado precifica juro dos EUA a nível que controle inflação", afirmou.

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A inflação global, que começou com choques de energia e alimentos, já se mostra mais disseminada em vários países, disse Campos Neto. Contudo, a China é uma exceção nesse cenário mundial, já que está com uma taxa inflacionária mais baixa

A inflação global, que começou com choques de energia e alimentos, já se mostra mais disseminada em vários países, disse Campos Neto. Contudo, a China é uma exceção nesse cenário mundial, com uma taxa inflacionária mais baixa — o índice de preços ao consumidor (CPI) ficou em 2,1% em abril.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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