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Tecnologia de carros autônomos como o Tesla evoluiu, mas não a ponto de o motorista dormir ao volante, como mostram alguns vídeos na internet
Quando surge um vídeo de um Tesla sem motorista, de forma autônoma, ele rapidamente viraliza. Há alguns meses, um Model 3 foi filmado numa estrada de São Paulo com o motorista aparentemente dormindo.
Importante ressaltar que os sistemas autônomos dos veículos ainda funcionam de forma experimental. Até mesmo caminhões da Mercedes-Benz, à venda no Brasil, podem trabalhar na colheita de lavouras de cana de açúcar sem motorista, mas a legislação obriga que haja um condutor no comando.
A tecnologia já existe, mas não está preparada para operar no Brasil. Nos badalados modelos Tesla, o sistema semiautônomo é chamado de Autopilot e nunca pode ser usado sem a presença do motorista ou que ele esteja dormindo ao volante.
Por estarem em fase de testes, vira e mexe são relatados acidentes e incidentes com esses veículos autônomos em fase experimental.
No caso do Tesla, em testes nos EUA, um dos episódios foi o do sistema de radares do carro confundir uma grande lua amarelada no horizonte com um semáforo na luz amarela.
Em Lisboa, outro Tesla em teste freou e parou em uma ponte, formando um enorme congestionamento. Tempos depois descobriu-se que seus sensores entenderam que havia um trem vindo no sentido contrário. Isso porque a ponte tem dois níveis, e o tremor do trem, que vinha no andar de baixo, levou ao acionamento dos freios do veículo.
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A engenharia ainda terá de enfrentar muitos desafios, entre eles as mãos de direção. No Japão e Inglaterra, por exemplo, o motorista dirige do lado direito, mas carros de outras regiões da Europa, que poderiam circular na Inglaterra, são fabricados para entender algumas sinalizações lado esquerdo.
Mas voltando ao caso do dorminhoco pego em flagrante a bordo de um Tesla Model 3, carro que no Brasil não custa menos de R$ 600 mil, seu sistema autônomo é considerado de nível 2, ou seja, é semiautônomo.
Nesse nível, o volante e os pedais podem operar sozinhos, mas sempre sob a supervisão do motorista. Deixar o Autopilot operando sem acompanhamento é arriscado e perigoso.
Os 12 sensores e 8 câmeras do Tesla Model 3 são capazes de acelerar o veículo, fazer curvas e frear, sempre dentro da faixa. Exceto em estradas muito bem conservadas no Brasil, o veículo poderia causar acidentes caso a sinalização horizontal tenha alguma falha.
E embora por causa da globalização e da internet existam vídeos nas redes sociais de motoristas pelo mundo rodando sem comandar o veículo, no Brasil isso é ilegal.
Pelas nossas leis de trânsito, determinadas no Código Brasileiro de Trânsito (CTB), é proibido até dirigir com uma mão, salvo se o motorista estiver trocando de marcha.
Ou seja, um condutor de Tesla a fim de exigir ao máximo da tecnologia semiautônoma de seu veículo pode tomar no mínimo 7 pontos na carteira e pagar R$ 293,47 de multa. E claro, correr vários riscos.
Ao dormir, mesmo que seu Tesla lhe entregue no destino sem arranhões, o motorista poderá ser enquadrado no artigo 166 do CTB, por ter estado físico ou psíquico sem condições de dirigir um veículo com segurança. A infração é gravíssima, somando mais 7 pontos.
Apesar de situações arriscadas por motoristas imprudentes, a tecnologia autônoma tem tudo a ver com segurança. Um dos objetivos desses desenvolvimentos visa justamente a proteção de ocupantes e pedestres, com o uso massivo de softwares, sensores, câmeras e radares para que o veículo seja totalmente automatizado.
O carro autônomo fará parte de um sistema integrado às smarts cities. Em um ambiente mais controlado, sob o amparo de uma cidade inteligente, o número de acidentes tende a cair drasticamente.
Além da segurança, os veículos autônomos como o Tesla terão o que há de mais moderno em conectividade, auxiliados pela exploração do 5G.
O carro se tornará numa completa extensão do escritório ou da casa, para facilitar as tarefas durante os deslocamentos. Poderão ter, ainda, telões para assistir filmes ou série e jogos, para que o tempo a bordo seja melhor aproveitado.
Pela própria natureza inovadora, serão carros elétricos como o Tesla, sem emissões de poluentes e sem barulho.
Imagina-se ainda que farão parte de um sistema de compartilhamento, um próximo passo aos serviços que priorizam o uso ao invés da posse, de forma coletiva (trens e ônibus) ou individual (carros de diversos tamanhos).
A tecnologia da direção autônoma mais avançada ainda está em fase experimental. A pandemia desacelerou os projetos e desenvolvimentos, que agora são aos poucos retomados. Ainda assim, a indústria sofre globalmente com a escassez de chips, que afeta toda a cadeia automotiva, sobretudo a de veículos semiautônomos.
Quando se pensa em carros autônomos, uma marca se destaca: Tesla. Os veículos da fábrica do bilionário Elon Musk são considerados como nível 2 de autonomia, embora usuários deem a entender que possam ir além – a ponto de tirarem uma soneca em plena Rodovia dos Imigrantes.
Além da Tesla, o nível 2 foi alcançado por grandes montadoras globais, como General Motors, Nissan, Toyota e Volvo.
Em 2021, o avanço ao nível 3 foi alcançado pela Honda, com o Legend, e a Mercedes-Benz com os modelos Classe S e EQS. Com o nível 3, o carro pode ler seus arredores (tráfego, travessia de pedestres, etc.) e tomar decisões com base nessas informações, sem dispensar o motorista.
A expectativa dos especialistas é que tecnologias de nível 4 cheguem no mercado em 2025, mas levará bons anos para que sejam adotados de forma mais robusta. Alguns defendem que os carros autônomos serão introduzidos pelas frotas no segmento de carga, pressionado pela escassez de motoristas.
O Brasil ainda engatinha nesse tipo de desenvolvimento. Enquanto são poucas as soluções em eletrificação veicular, da qual o país é dependente de importações, a falta de infraestruturas viária e de telecomunicação nos distanciam mais dos carros autônomos.
As iniciativas mais viáveis que temos hoje no Brasil surgem para aplicações no agronegócio.
Mas o que o grande público quer saber é quando poderemos dormir ou jogar um videogame enquanto viajamos para a praia, correto?
Para que funcionem de forma segura, esses veículos precisam ser capazes de ler placas e sinalizações, como faixas nas ruas, avenidas e estradas. E não é preciso ir muito longe para constatar que são raras as regiões que oferecem, nos dias de hoje, esse ambiente de rodagem ideal para os veículos autônomos.
O Brasil também costuma ser lento para decisões regulatórias. Imagine a aprovação de uma pauta que envolverá segurança, responsabilidade, privacidade e segurança dos automóveis em uma inédita onda tecnológica?
A escala para designar os carros autônomos vai de 0 até 5, de acordo com a normatização da SAE (instuição mundial de engenharia automotiva):
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