Sobrou para o Chelsea: como o congelamento dos bens de um oligarca russo pela Inglaterra pode colocar o campeão mundial de clubes em apuros
Congelamento de bens de Roman Abramovich, proprietário do Chelsea, coloca em dúvida o futuro do clube

Quando o bilionário russo Roman Abramovich pagou 140 milhões de libras pelo Chelsea em 2003, os torcedores do clube londrino respiraram aliviados. Os Blues finalmente se veriam em condições de contestar a hegemonia exercida na época por Manchester United e Arsenal no futebol inglês.
Ao longo de quase duas décadas, o Chelsea converteu o investimento em títulos. Dos seis troféus de campeonato inglês da história do Chelsea - centenário como qualquer clube inglês que se preze -, cinco foram conquistados na era Abramovich. Ainda na terra da rainha, o Chelsea faturou mais cinco Copas da Inglaterra e três Copas da Liga Inglesa no período.
Mas as conquistas do Chelsea não se limitaram ao futebol local. O clube obteve rápida projeção internacional. Além de duas conquistas da Liga Europa, o clube sagrou-se por duas vezes campeão da festejada Liga dos Campeões da UEFA (2012 e 2021), Champions League para os íntimos.
No mês passado, a sala de troféus do Chelsea recebeu a joia da coroa: o Mundial de Clubes da Fifa, primeiro da história do clube, conquistado em cima do Palmeiras em Abu Dhabi.
Do céu ao inferno
Agora troca a trilha sonora nas arquibancadas de Stamford Bridge. Termina “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, começa “Highway to Hell”, do AC/DC.
O governo do Reino Unido anunciou hoje o congelamento dos bens e a proibição de viagens de sete oligarcas russos como parte de sua resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. Um deles é Roman Abramovich, de 55 anos, o proprietário do Chelsea FC.
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Com uma fortuna estimada em US$ 13,7 bilhões, Abramovich ocupava hoje o 130º lugar na lista de pessoas mais ricas do mundo da Bloomberg e seria próximo do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Além dele, outros oligarcas russos também foram afetados pelas restrições dos Estados Unidos e de seus aliados. No nosso Instagram (clique aqui para nos seguir), comentamos sobre os 5 maiores bilionários da Rússia e como eles estão sendo afetados pelas sanções do ocidente.
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Não foi por falta de tentativa
Abramovich até tentou se antecipar. No fim de fevereiro, ele cedeu a administração do clube aos curadores da fundação de caridade do time londrino. Mas não adiantou.
"Não pode haver refúgio seguro" para aqueles que apoiaram a invasão, declarou o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, ao anunciar as sanções.
Diante da punição, o Chelsea FC não pode mais:
- vender ingressos para jogos;
- operar a loja de artigos do clube;
- comprar ou vender jogadores;
- renovar contratos;
- mudar de controle.
Em uma liga multibilionária e altamente competitiva, como é o caso da inglesa, as sanções têm ares de maus agouros para os torcedores do Chelsea.
O patrocinador principal da camisa do clube, a empresa de telecomunicações Three, já anunciou ter colocado em revisão o acordo de 40 milhões de libras.
O governo britânico, por sua vez, informou que emitirá uma licença especial para permitir a realização dos jogos, o pagamento de funcionários e a presença de torcedores que compraram o carnê para a temporada completa.
Futuro incerto do Chelsea
No início de março, Roman Abramovich anunciou a intenção de vender o clube. Segundo ele, os lucros derivados da transação seriam doados às vítimas da guerra. A imprensa inglesa informou ontem que haveria cerca de 20 empresários e grupos interessados em comprar o Chelsea. Hoje, porém, o governo proibiu que o controle do clube troque de mãos.
Enquanto as sanções contra Abramovich colocam o futuro do Chelsea em dúvida, membros do governo tentam evitar que o clube seja "prejudicado desnecessariamente".
Há quem ventile que a venda poderia ser autorizada pelo governo se Abramovich comprovasse que não teria benefício pessoal com a transação. Mas tudo não passa de especulação pelo momento.
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