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TRANSIÇÃO

O mercado é contra tirar o Bolsa Família do teto de gastos, mas existem motivos para isso; entenda

Medida é uma das opções na mesa do governo eleito para viabilizar um Auxílio Brasil (que deve voltar a se chamar Bolsa Família) de R$ 600 no ano que vem

Lula com bandeira do Brasil e gráfico ao fundo vermelho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Shutterstock / Luisa Dörr/TIME / Montagem Brenda Silva

Investidores do mercado financeiro reagiram mal à proposta em avaliação pela equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de retirar, de forma permanente, os desembolsos com transferência de renda do teto de gastos.

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Não que isso seja surpreendente. A regra em questão limita o crescimento das despesas públicas à inflação.

A medida é uma das opções na mesa do governo eleito para viabilizar um Auxílio Brasil (que deve voltar a se chamar Bolsa Família) de R$ 600 no ano que vem.

A preocupação se dá porque a alternativa vem ganhando força na equipe de transição - que antes priorizava apenas uma "licença" temporária para gastar além do teto, por meio da chamada PEC da Transição.

Trajetória da dívida pública preocupa o mercado

Para o mercado, essa saída pode deteriorar a trajetória da dívida pública.

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"Tirar os programas sociais do teto é a pior das possibilidades. Não que os programas sociais não sejam importantes. Mas, à medida que você tira uma classe de gastos de dentro do teto, ele passa a não ter referência para frente", afirma Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos. "É uma alternativa que fragiliza muito a previsibilidade da política fiscal."

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A medida sempre foi um desejo do mundo político, sobretudo depois da pandemia de covid-19, quando a elevação das despesas do Auxílio Brasil comprimiu ainda mais o espaço orçamentário para outras políticas, pelas amarras do teto de gastos.

O céu é o limite?

Excluir do teto os gastos de R$ 175 bilhões do programa abriria um espaço no Orçamento de 2023 para outras despesas, como o aumento do salário-mínimo, em R$ 105 bilhões.

A diferença se deve ao incremento do Bolsa Família com as promessas feitas por Lula na campanha, como a manutenção dos R$ 600 (R$ 52 bilhões) e R$ 150 para famílias com crianças de até seis anos (R$ 18 bilhões).

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"Precisamos em algum momento ter um superávit primário de 2% a 2,5% do PIB. Sem isso, não teremos uma dívida/PIB estável com uma pequena tendência de redução, que é o que o Brasil precisa. Pode-se, temporariamente, fugir desse número, mas não permanentemente", diz o ex-diretor do Banco Central e sócio-fundador da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo, que defende uma "licença" na casa dos R$ 100 bilhões.

Integrantes da equipe de Lula avaliam, segundo apurou o Estadão, que a medida é a mais viável pois tem a vantagem da previsibilidade, embora vá mexer com o mercado de juros e de câmbio num primeiro momento.

Segundo fontes, as despesas públicas aumentariam de 19% para 19,3% do PIB e deveriam ser acompanhadas por propostas de aumento de receitas - o que é difícil no início de governo, admitem.

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