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Decisão foi tomada em reunião de emergência convocada pelo BCE em meio à disparada dos juros dos títulos da dívida dos países da zona do euro

A Super Quarta dos bancos centrais começou de um jeito inesperado. Quando todos se preparavam para as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Montéria (Copom) do Banco Central do Brasil, o Banco Central Europeu (BCE) chamou uma reunião extraordinária.
Muita gente segurou a respiração diante do anúncio. Afinal, a reunião regular do BCE ocorreu na semana passada e já circula o entendimento de que o aperto monetário na zona do euro vai começar em julho.
No fim, entretanto, a reação foi positiva.
Os custos dos empréstimos para diversos governos da zona do euro aumentaram acentuadamente nos últimos dias.
No início da semana, o juro dos títulos da dívida da Itália com vencimento em 10 anos ultrapassou a marca simbólica de 4% ao ano.
Hoje, mais cedo, um indicador de referência para o risco de fragmentação na zona do euro atingiu o nível mais alto desde o início de 2020.
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O descompasso no diferencial de juros em relação aos países mais ricos da zona do euro, principalmente a Alemanha, é chamado tecnicamente de "fragmentação".
Os movimentos no mercado de títulos estão relacionados a temores de que o BCE talvez precise promover um aperto monetário mais agressivo do que o esperado anteriormente.
Mas o que parece ter realmente incomodado os investidores foi o entendimento de que houve uma falha na comunicação por parte do Banco Central Europeu.
Na reunião da semana passada, o BCE não detalhou o que pretendia fazer para apoiar os países altamente endividados da zona do euro.
Hoje, porém, o simples anúncio da reunião extraordinária trouxe um pouco alívio para os mercados financeiros da Europa.
O Banco Central Europeu anunciou hoje que orientou sua área técnica a acelerar a criação de um novo mecanismo para mitigar os riscos de fragmentação da zona do euro.
Anunciada em um comunicado divulgado ao término da reunião emergencial, a medida tem como objetivo reduzir os temores de uma nova crise da dívida dentro da união monetária.
“A pandemia deixou vulnerabilidades duradouras na economia da zona do euro que estão de fato contribuindo para a transmissão desigual da normalização de nossa política monetária entre as jurisdições”, afirma o BCE no comunicado.
O BCE também anunciou que será mais flexível nos resgates de seu programa de compra de títulos de emergência, conhecido pelas iniciais PEPP. O objetivo é “preservar o funcionamento do mecanismo de transmissão monetária”.
Embora o linguajar dos diretores do Banco Central Europeu pareça recomendar a necessidade de um tradutor para explicar o tradutor original, a reação nos mercados foi positiva.
O rendimento do título italiano de 10 anos caiu ainda mais depois do anúncio, voltando para baixo da marca de 4%.
Os custos de empréstimos para outros governos da zona do euro também caíram com a notícia.
No mercado de câmbio, o euro subia em relação ao dólar.
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