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Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @Renan_SanSousa
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Onde investir em 2022: Metaverso virou a palavra do momento, mas vale a pena investir em criptomoedas de um projeto que ninguém entende direito?

O metaverso é uma palavra nova e que empolga, mas é uma boa opção de investimento no mundo das criptomoedas?

Renan Sousa
Renan Sousa
5 de janeiro de 2022
7:00 - atualizado às 15:48
Na esteira das matérias especiais de Onde Investir, o metaverso ganhou um destaque especial nas criptomoedas. Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O universo das criptomoedas é vasto e extenso. Não à toa, na nossa primeira matéria especial de Onde Investir em 2022 houve uma divisão entre bitcoin (BTC), criptos promissoras, NFTs e DeFis para falar especificamente de cada projeto e suas particularidades. Agora, focaremos na palavra mais procurada nos últimos meses: o metaverso

O que é o metaverso?

A ideia de um universo digital e integrado não é nova. 

Ele nada mais é do que uma realidade aumentada, um conceito que engloba aspectos sociais, culturais e econômicos. Dentro de uma mesma plataforma, é possível encontrar os amigos, ver shows, comprar arte, jogar e muitas outras coisas que são possíveis no mundo real utilizando um personagem (avatar) customizado.

Com o ambiente digital ganhando cada vez mais importância, plataformas ligadas ao metaverso devem ganhar destaque nos próximos anos, com a possibilidade de customização de personagens e ambientes para cada usuário.

As palavras "metaverso", "criptomoedas", "peer-to-peer", "blockchain" e outros termos do universo de ativos digitais está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Em um relatório da Empiricus assinado pelos especialistas Vinícius Bazan e Valter Rabelo, a popularização do universo criptográfico deve favorecer cada vez mais os ambientes digitais.

Meta X Metaverso criptomoedas

Antes de mais nada, existe uma diferença entre o ambiente digital criado pela empresa dona do Facebook, a Meta, e o metaverso do ponto de vista das criptomoedas.

A Meta (antigo Facebook Inc) se propõe a ser um ambiente debaixo do guarda-chuva de uma só empresa, onde o usuário terá ali diversos serviços (mensagens, música, conta bancária etc.).

Em contrapartida, o ambiente digital metaverso, do ponto de vista do mundo cripto, é parecido no formato, mas muito diferente no desenho do projeto. 

Enquanto o metaverso da Meta seria um espaço controlado por uma empresa oferecendo o serviço próprio ou de outras, o ambiente metaverso para as criptomoedas é um espaço totalmente descentralizado, em que os serviços são oferecidos por protocolos localizados naquela rede (blockchain).

“A falta de uma empresa por trás implica em uma maior liberdade dos usuários da rede, mas sem muita oportunidade para fazer uma reclamação no caso da falha de um protocolo, por exemplo”, afirma Rodrigo Zobaran, analista de pesquisas quantitativas da Kinea.

Onde investir no metaverso

Assim como os analistas estão otimistas com o futuro das criptomoedas focadas em design de blockchain, o metaverso precisará de um “tijolo” para se levantar, e algumas criptos podem despontar com o crescimento desse novo universo, segundo os especialistas ouvidos para esta reportagem:

Avalanche (AVAX)

Com uma alta de 3.326,70% no ano passado, a AVAX pretende ser uma blockchain com taxas de transação (gas fees) mais baratas e que também busca resolver o trilema das criptomoedas (escalabilidade, segurança e descentralização). A rede da Avalanche é composta por três blockchains separadas: X-Chain, C-Chain e P-Chain. Cada uma delas busca resolver um dos três problemas.

Decentraland (MANA)

A rede blockchain da Decentraland busca ser uma espécie de “campo de testes” para novos projetos dentro do ambiente de web 3.0. A MANA é uma das primeiras blockchains integradas a jogos do tipo play-to-earn (jogue para ganhar, em tradução livre), como o Axie Infinity, o que aumenta a concorrência em relação às demais. Não por acaso, as cotações da Decentraland subiram 4.069,40% em 2021. 

The SandBox (SAND)

Essa blockchain permite a criação de espaços dentro da internet, iguais a terrenos no mundo real, que podem ser comprados ou negociados. Veja abaixo uma ilustração do que seriam esses terrenos digitais. Sim, grandes empresas como Tesla, do bilionário Elon Musk, já garantiram terrenos no Sandbox.

Em 2021, a criptomoeda disparou 16.279,1%.

Enjin Coin (ENJ)

Essa blockchain é mais voltada para o desenvolvimento de games, e compete diretamente com a Decentraland na construção de ambientes de teste para novos aplicativos, mas focado no mundo dos jogos. Ela foi a escolhida pela Microsoft para iniciar seu próprio projeto de metaverso e tem grande potencial de valorização, de acordo com analistas do mercado.

Não poderia ser diferente, a ENJ também tem uma valorização na casa dos milhares: a alta foi de 1.882% no ano passado.

E não custa nada lembrar: o investimento em criptomoedas é altamente arriscado. Por ser muito recente, o mercado é altamente volátil e, quanto mais recente o projeto, mais sujeito ele está aos solavancos.

Meios de pagamento no metaverso

Vale ressaltar que criptomoedas focadas em meios de pagamento também devem ganhar destaque com o surgimento do metaverso. A integração dentro da rede blockchain permitirá a transferência de dinheiro de maneira segura e rápida, o que deve impulsionar o crescimento desse tipo de moeda: 

Stablecoins

As moedas digitais com lastro ainda são mais utilizadas para reduzir os custos de negociação dentro da rede de outras criptomoedas. As maiores stablecoins do mundo tem paridade de 1 para 1 com o dólar americano, sendo que as maiores em valor de mercado, segundo o Coin Market Cap, são:

  • Tether (USDT) — 4ª maior do mundo
  • USD Coin (USDC) — 8ª maior do mundo
  • Binance USD (BUSD) — 15ª maior do mundo
  • TerraUSD (UST) — 21ª maior do mundo

Terra (LUNA)

De acordo com o white paper dos desenvolvedores, a Terra é uma blockchain focada em pagamentos do dia a dia e que busca solucionar o problema da alta volatilidade das criptomoedas. Ela pretende se tornar o principal meio de pagamento no ambiente digital, unindo a proteção da criptografia em blockchain com a estabilidade de uma moeda comum. A alta expressiva em 2021 também impressiona: 12.889,4% em 12 meses.

Além disso, blockchains e criptomoedas ligadas ao mundo dos NFTs e DeFis também devem se beneficiar do crescimento do metaverso.

A exclusividade que os certificados digitais, emitidos em forma de NFT, e a descentralização das finanças dos DeFis também fazem parte da construção de um ambiente digital mais livre. 

Os meta-problemas

Apesar da empolgação com o metaverso e diversas empresas investindo em projetos de NFTs ou comprando por milhões de dólares terrenos digitais, a comparação com outros “universos da internet” que fracassaram é inevitável. 

Existe a possibilidade de o metaverso não decolar em 2022 ou mesmo em três ou quatro anos. Assim como demais projetos em criptomoedas, os usuários precisam gerar engajamento suficiente para os protocolos crescerem e ganharem destaque no mundo digital. 

Somado a isso, existe um fator social que pesa na internet nos novos tempos.

As pessoas foram forçadas a participar do mundo digital durante a pandemia de covid-19 e, mesmo que as novidades da internet empolguem, há um certo “esgotamento emocional” com o ambiente digital que deve ter uma duração por tempo indeterminado.

Lei? Qual lei?

Por fim, a regulamentação do metaverso também deve ser um problema.

Enquanto as redes sociais, geridas por empresas, podem sofrer represálias e processos, o metaverso não possui um “presidente” ou qualquer companhia que faça a gestão daquele ambiente.

Se, por um lado, existe uma maior liberdade de ideias, por outro, a questão de crimes digitais, “cyberbullying” e outros podem afastar o usuário comum desses espaços como aconteceu com as criptomoedas no início.

Veja também - Ethereum (ETH) pode superar o bitcoin (BTC) em 2022?

*Colaboraram com esta matéria Andre Franco, especialista em criptomoedas, Lucas Schoch, CEO da Bitfy, Helen Hai, diretora da Binance NFT, Rodrigo Zobaran, analista de pesquisas quantitativas da Kinea, com informações da Binance Research, Messari Crypto Theses for 2022, Arcane Research, CryptoRank e Coin Market Cap

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