O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
A combinação de combustíveis e alimentos mais caros com vagas de trabalho com salários mais baixos e sem benefícios perturba os norte-americanos
Caro leitor,
Na semana passada, tive a oportunidade de participar do Benzinga Cannabis Capital Conference, evento focado no setor de cannabis que aconteceu nos dias 20 e 21 de abril em Miami, nos Estados Unidos.
Mais do que apenas falar sobre o que pude ver nos dois dias com as principais cabeças do segmento (mais sobre isso abaixo), o período foi importante para ter noção de como anda a maior economia do mundo — e como isso pode impactar as decisões de política monetária do Fed e suas implicações para os ativos de risco do mundo inteiro.
1) Inflação: algo comum para a realidade tupiniquim, o aumento dos preços nos EUA tem de fato incomodado muitos cidadãos.
Após ter ficado bem abaixo da meta estipulada pelo Federal Reserve (de 2%) por um bom tempo, as medidas adotadas para o combate da pandemia, aliadas às dificuldades observadas na cadeia de suprimentos global e outros fatores-surpresa (como o impacto nos preços das commodities devido à invasão da Ucrânia pela Rússia), têm mantido a inflação nos maiores níveis em mais de 40 anos.
De fato, conversando com pessoas que moram no país, foi possível verificar que muitas pontuavam esses aumentos como algo que não viam há muito tempo e que estava comprometendo o orçamento familiar.
Leia Também
Assim como ocorre aqui, a principal reclamação dos motoristas de aplicativo eram os altos gastos com combustível, fazendo com que o lucro final das corridas seja cada vez menor. E, olhando os números mais a fundo, não parece que eles terão um alívio tão cedo…
Segundo dados do site GasBuddy (comparador de preços de combustíveis nos EUA), o preço médio do galão hoje nos EUA está na casa dos US$ 4,10 — comparado com US$ 4,34 na máxima do ano, o equivalente a uma queda de 5%.
É importante notar também que o preço médio ao longo de 2021 não chegou aos US$ 3,50/galão, mesmo com o preço do barril caindo quase 20% das máximas.
E esse aumento generalizado também tem afetado os custos com alimentação, tanto nos domicílios como fora de casa.
Levantamento feito pela Square (empresa de meios de pagamento) mostra que os americanos estão tendo que pagar mais pelo almoço: no último ano, o aumento no preço dos produtos ficou nos 7%; já analisando os valores de março de 2022 frente ao mesmo mês de 2020, alguns itens apresentaram aumentos de 10%, 20% e até 30%.
E posso contar por experiência própria que senti esse impacto no bolso. O clássico café da manhã americano (não me julgue, mas sou um grande apreciador de tal iguaria) estava 20% mais caro em relação à visita que fizemos dois anos atrás.
Isso pode ser corroborado pelos resultados divulgados recentemente por Coca-Cola e Pepsico. Ambas apresentaram um bom crescimento em suas receitas (+16% e +9% vs. 1T21, respectivamente), o que se deve mais à elevação de preços do que a um aumento substancial do volume vendido.
2) Emprego: também não pude deixar de notar a grande quantidade de avisos de vagas de trabalho disponíveis, independentemente do setor ou do porte da companhia oferecendo emprego.
Vestuário, alimentação, saúde, grandes corporações ou negócios locais. Para muitos, isso reforçaria a ideia de que quem quer se dar bem nos EUA não tem desculpa, dadas as inúmeras oportunidades de trabalho.
Mas muitos se questionam como seria possível haver tantas vagas de emprego uma vez que a taxa de desemprego americana se encontra perto do menor nível histórico, aos 3,6%.
Desde 1948, apenas em dois períodos (entre 1951 e 1953 e nos dois anos finais da década de 1960) esse indicador ficou abaixo do patamar atual — e ambos precederam recessões na terra do Tio Sam…
Alguns economistas apontam que muitos desistiram de voltar à força de trabalho após a pandemia por não considerarem tais ofertas atrativas o suficiente para saírem de casa.
De fato, com o ganho real dos trabalhadores no negativo (ou seja, perdendo para a inflação), as companhias só conseguiriam atrair novos talentos aumentando o pacote de compensação aos funcionários.
Além disso, o retorno à normalidade tem feito com que as empresas, cada vez mais, solicitem a seus funcionários que voltem a trabalhar nos escritórios.
Mas o aumento nos custos, tanto de deslocamento como para alimentação no dia a dia do trabalho, tem feito com que muitos profissionais reforcem com as companhias a possibilidade de continuarem atuando remotamente.
A ManpowerGroup, uma das maiores empresas de recrutamento do mundo, tem recebido cinco vezes mais comentários de trabalhadores relatando que o aumento nos custos tem afetado o dia a dia no trabalho, até mesmo fazendo com que muitos repensassem a sua continuidade no emprego.
Se antes era comum ouvir demandas de profissionais como “eu não gostaria de ter que me locomover diariamente para o trabalho”, atualmente a consultoria tem escutado que muitos não têm condições para realizar tal deslocamento.
E, se as disrupções mantiverem os preços em níveis altos, a expectativa é que cada vez mais e mais trabalhadores comecem a reivindicar aumentos salariais.
Ainda que as empresas aceitem essas solicitações, a chance de que esses incrementos sejam repassados para os consumidores via aumento de preços, com a possibilidade de uma espiral inflacionária, não é algo a ser desprezado.
3) Cannabis: enfim, o grande motivo da nossa visita às terras americanas.
No evento, pudemos escutar tanto de empresas de capital aberto como de instituições privadas aquilo que batemos na tecla aqui dia sim, outro também: o setor de cannabis nos EUA segue altamente promissor, mas é algo que nenhum investidor pode esperar que mature da noite para o dia.
Com vendas que totalizaram mais de US$ 23 bilhões em 2021, a expectativa dos analistas é que até 2026 esse mercado ultrapasse a marca dos US$ 46 bilhões. No mundo, as projeções apontam que o setor deve movimentar US$ 61 bilhões no mesmo período, ante US$ 29 bilhões no ano passado.
É interessante notar a participação de grandes personalidades no segmento. Logo de cara tivemos a oportunidade de conversar com Isiah Thomas — duas vezes campeão da NBA (liga de basquete americana) pelo Detroit Pistons e 12 vezes convocado para o Jogo das Estrelas da liga.
Hoje ele é CEO da One World Products, que pretende produzir cannabis e cânhamo na Colômbia e exportar para outras empresas de bens de consumo ao redor do mundo.
Sem falar em todos os empreendedores com quem conversamos durante esses dois dias (um deles já investiu cerca de US$ 85 milhões para estruturar operações em três estados americanos), além das companhias de capital aberto presentes (uma que está atualmente na carteira do Green Rider anunciou um novo negócio no valor de US$ 80 milhões no evento).
Contudo, ainda que as empresas e os executivos se mantenham positivos quanto ao longo prazo, com capacidade de colocar seus planos estratégicos em prática, fato é que o grande empecilho para o setor tem sido a questão regulatória.
Nem mesmo a presença de dois congressistas do Partido Republicano (tido como mais conservador nesse assunto), que já apresentaram projetos de lei visando facilitar a vida das companhias do setor, foi suficiente para virar o humor dos presentes. Ainda temos um longo caminho pela frente.
Por outro lado, o início das vendas no estado de Nova Jersey serviu de alento para os investidores, mostrando que diversos outros estados ainda podem entrar na dança e aumentar o tamanho desse mercado.
Um abraço,
Enzo Pacheco
Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs
Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais
Fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, permitindo ao investidor, em um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras e geradoras de caixa
Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país
Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho
Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição
Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa
Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno
Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro
Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?
A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio
Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic
Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais
O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo
Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras
Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira
Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic
A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia
Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje
Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta