Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Estas três vezes são diferentes

Estamos num momento delicado da economia global, então havemos de estar de guarda alta. Confira três possibilidades de situações efetivamente diferentes para a situação atual

13 de junho de 2022
11:51 - atualizado às 13:15
Imagem: Shutterstock

Seu amigo inteligentinho adora repetir clichês e frases feitas para soar intelectualmente superior. “Ah, então, você acha que desta vez é diferente?” Essa é a provocação clássica. Quem a profere parece transbordar um conhecimento histórico de já ter reconhecido no passado padrão semelhante. Uma mistura de historiador com filósofo estóico, incólume diante de uma potencial novidade à sua frente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É fato que, normalmente, as coisas não são mesmo diferentes. A macroeconomia ainda estará sujeita a ciclos. Expansões monetárias e fiscais importantes serão seguidas de inflação e aumento da dívida pública, que forçarão aperto monetário contundente, levando a uma possível recessão. 

Os mercados são sempre ciclotímicos, alternando euforia e depressão. Os investidores comprarão sempre influenciados por performance recente, de tal modo que entrarão depois de uma alta, comprando caro, e sairão de cotas depreciadas, vendendo ativos baratos – uma subversão da lógica elementar das finanças, de comprar barato e vender caro.  

Diferenças e perigos das coisas 

A vida como ela é, não como ela deveria ser. Nelson Rodrigues entende mais do cotidiano do que os manuais de Economia Normativa. 

Ocorre, porém, que, embora com menor frequência, muitas vezes as coisas são diferentes mesmo – e se você questiona o argumento, lembre-se que somos todos resultados de uma sucessão aleatória de mutações genéticas; ou seja, as coisas precisam ir mudando ao longo do tempo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já escrevi aqui mesmo o rebate àquela anedota do “as quatro palavras mais perigosas dos investimentos são ‘desta vez é diferente’”. Ele brinca assim: “as doze palavras mais perigosas do mundo dos investimentos são: ‘as quatro palavras mais perigosas…’"

Leia Também

Onde mora o perigo? Como as situações diferentes são, quase por construção, mais raras, elas passam a ser também mais difíceis de serem identificadas. 

A grande vantagem do investidor

As maiores tacadas de investimento não vêm da aplicação de uma fórmula, de uma planilha, de um exercício de maximização, de um método conhecido – se ele é conhecido, provavelmente já está no preço.

A grande vantagem do investidor, assim como em outros campos, está no conhecimento tácito, como muito bem nos ensinou Michael Polanyi. Aquilo que não é formalizável e transmissível será o verdadeiro diferencial. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É o conhecimento tácito que representa e manifesta a intuição, não como um elemento metafísico ou desprovido de fundamentação, mas como um treinamento e uma habilidade desenvolvidos a partir do reconhecimento de padrões. 

Padrões e adversidade

Ora, ora mas como reconhecer padrões em situações raras, como aquelas das grandes mudanças? É uma falha no sistema! Touché.

Então, diante da adversidade metodológica, só nos resta uma postura mais cautelosa, evitando qualquer risco de sobrevivência, reconhecendo a ignorância epistemológica e nossa incapacidade de estarmos no controle. 

Em termos práticos nos investimentos, adotar uma postura de maior humildade intelectual e objetiva. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A economia global e os investimentos

Estamos num momento delicado da economia global. Havemos de estar de guarda alta. 

Existem, sim, ativos de altíssima qualidade em níveis atraentes no Brasil, como ações com fluxos de caixa muito alto e valuations muito atrativos, que merecem ser aproveitados, mas o momento requer, necessariamente, cuidado especial com o sizing (dimensionamento) de posições e dilatação do horizonte temporal, combinado a proteções importantes, como caixa, ouro e posições vendidas (shorts). 

E também existem, claro, oportunidades espetaculares na renda fixa. A diligência e a disciplina, como sempre, serão recompensadas ao final, mas isso exige mais humildade e muito profissionalismo.

Três possibilidades

Encerro com três possibilidades de situações efetivamente diferentes para o momento:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

— Criptomoedas

“Ah, essa é apenas a centésima vez que mataram o bitcoin; caiu, compra.” Talvez desta vez seja diferente simplesmente porque, de maneira objetiva, essa é, de fato, a primeira vez em que as criptomoedas passam por um ambiente de redução de liquidez, aumento de taxas de juro e de-rating (reavaliação para baixo) dos valuations. 

A plataforma Celsius já apareceu boiando – seria razoável esperar outras baleias em condição semelhante; natural para tanta disrupção rápida que aconteceu num ambiente sem regulação e com valuations completamente alucinados. 

É a morte das criptos? Não acho. O trend de longo prazo continua, mas o investidor deve saber das intempéries relevantes de curto prazo. O horizonte temporal precisa ser longo e a posição, necessariamente, pequena (ênfase no necessariamente).

— Digital

Há sempre exageros. A pandemia levou todo mundo pro digital. Minha mãe não vai mais às feiras livres – e você não tem ideia do que isso representava pra ela! A questão é que tudo virou online, marketing digital, soluções em dois cliques.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

 E, então, perdemos a capacidade de sociabilização, a possibilidade de tomar uma boa taça de vinho olhando nos olhos de uma pessoa querida, o flerte (dos solteiros, fique claro) no escritório físico (com algumas exceções na Faria Lima), o abraço acolhedor de um amigo, a bronca calorosa (e construtiva) de um chefe, seguida de um aperto de mãos em que nada se fala, mas em que, tacitamente (de novo, a palavra nos persegue), os olhos se encontram fixamente numa transmissão espontânea de um voto de confiança e respeito recíproco. 

A verdade é que isso tudo encheu o saco e agora ninguém quer o coach histriônico dos “cinco passos deste homem que chocou Itanhaém ao emagrecer 57 kg em duas semanas”, muito menos a venda de um terreninho no céu a partir do desafio da live das cinco da manhã. 

O tão odiado cafezinho com o gerente do banco agora é objeto de desejo. Os bancões ganham tempo contra as fintechs. E tempo é muito dinheiro, principalmente se o juro é 13,25% (ou mais).

— O ciclo da pessoa física

Há algo diferente aqui também porque agora 4,5 milhões de pessoas passaram a conhecer a B3. Antes, elas não conheciam. Era uma abstração, uma hipótese idealizada de perfeição de investimentos sob contornos hollywoodianos. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se eu falasse das qualidades do gênio Luis Stuhlberger ou da habilidade especial da Dynamo (o Stuhlberger continua e continuará genial; a Dynamo continua e continuará especial; nomes sobre os quais deveríamos nos ajoelhar e agradecer todos os dias), o investidor leigo os teria como imaculados, perfeitos ou super-heróis porque é da condição humana exagerar estereótipos.

Agora, como uma criança que encontra os pais transando no quarto, a idealização caiu. O jovem que queimou a mão no fogão por conta de sua irresponsabilidade e teimosia evitará repetir o procedimento. 

Como pode ser o novo ciclo: com o investidor demorando um pouco mais a voltar para ativos de risco e vindo mais parcimoniosamente. A parte boa? Será menos idealizado, mais vida real. 

E, como diria Woody Allen, a realidade pode ser ruim, mas ainda é o único lugar em que podemos comer um bom bife. Menos espaço para frustrações e mais capacidade de sobrevivência a longo prazo, de uma forma mais construtiva e saudável. E, assim, quem sabe, o conhecimento tácito se aproxime da Economia Normativa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

SEXTOU COM O RUY

Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

13 de março de 2026 - 7:11

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O lado B dos data centers, a guerra no Oriente Médio e os principais dados do mercado hoje

12 de março de 2026 - 8:55

Entenda as vantagens e as consequências ambientais do grande investimento em data centers para processamento de programas de inteligência artificial no Brasil

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Petróleo em alta — usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa” 

11 de março de 2026 - 19:57

Depois de uma disparada de +16% no petróleo, investidores começam a discutir até onde vai a alta — e se já é hora de reduzir parte da exposição a oil & gas para aproveitar a baixa em ações de qualidade

ALÉM DO CDB

Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

11 de março de 2026 - 14:39

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Faturamento de R$ 160 milhões no combate ao desperdício, guerra no Oriente Médio, e tudo o que você precisa saber hoje

11 de março de 2026 - 8:26

Entenda como a startup Food to Save quer combater o desperdício de alimentos uma sacolinha por vez, quais os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como lucrar com a Copa sem cometer crimes, as consequências de uma guerra mais longa para os juros, e o que mais afeta a bolsa hoje

10 de março de 2026 - 8:38

A Copa do Mundo 2026 pode ser um bom momento para empreendedores aumentarem seu faturamento; confira como e o que é proibido neste momento

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O petróleo volta a ditar o humor dos mercados, mas não é só isso: fertilizantes e alimentos encarecem, e até juros são afetados

10 de março de 2026 - 7:32

O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A fila dos IPOs na B3, a disparada do petróleo, e o que mais move o mercado hoje 

9 de março de 2026 - 8:11

Depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar, e algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital

TRILHAS DE CARREIRA

O fim da Diversidade? Por que a Inteligência Artificial (IA) me fez questionar essa agenda novamente

8 de março de 2026 - 8:00

Esta é a segunda vez que me pergunto isso, mas agora é a Inteligência Artificial que me faz questionar de novo

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

De volta à pole: com Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e a retomada da produção nacional, Audi aquece os motores

7 de março de 2026 - 9:01

São três meses exatos desde que Lando Norris confirmou-se campeão e garantiu à McLaren sua primeira temporada em 17 anos. Agora, a Fórmula 1 está de volta, com novas regras, mudanças no calendário e novidades no grid.  Em 2026, a F1 terá carros menores e mais leves, novos modos de ultrapassagem e de impulso, além de novas formas de recarregar as […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda dá para investir em Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), o FII do mês, e o que mais move seus investimentos hoje

6 de março de 2026 - 8:35

Ações das petroleiras subiram forte na bolsa nos últimos dias, ainda que, no começo do ano, o cenário para elas não fosse positivo; entenda por que ainda vale ter Petrobras e Prio na carteira

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar