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O jeito de fazer barulho que eu mais acredito e recomendo é assim: falando muito com todas as pessoas que podem te ajudar nessa mudança

Uma tendência no mundo do trabalho nos Estados Unidos, que está dando o que falar nos últimos tempos, é o quiet quitting ou 'demissão silenciosa', em tradução livre. Inclusive, o movimento tem até hino oficial, a música Break my soul da Beyoncé:
I'm lookin' for motivation
I'm lookin' for a new foundation, yeah
And I'm on that new vibration
I'm buildin' my own foundation, yeah
Hold up, oh, baby, baby…
Não faltaram opiniões sobre o quiet quitting. "Pessoas preguiçosas sempre existiram"; "não vejo nada novo nisso, para ser demitido é só ir jogando a toalha"; "isso é coisa dessa nova geração, eles não querem se comprometer com nada". Estes foram alguns dos comentários que ouvi no meu entorno e em discussões em fóruns que participo.
Mas o que é este fenômeno?
Parece haver um movimento maciço de pessoas, principalmente entre os mais jovens, que já não querem ir além das expectativas no trabalho e estão apenas cumprindo a descrição de cargo (ou "o job description", no léxico corporativo), até que sejam demitidos.
De acordo com dados da Gallup, o engajamento dos funcionários dos EUA retrocedeu durante o segundo trimestre de 2022, com a proporção de trabalhadores engajados permanecendo em 32%, mas a proporção dos ativamente desengajados aumentando para 18%. A proporção de funcionários engajados sobre os desengajados agora é de 1,8, o menor em quase uma década.
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A queda no engajamento que motivou o quiet quitting começou no segundo semestre de 2021 e foi concomitante ao aumento das demissões no país. Gestores, entre outros, tiveram a maior queda.
O relatório mostra que o declínio geral foi especialmente relacionado à falta de clareza das expectativas, oportunidades de aprender e crescer, sentir-se preocupado e uma conexão com a missão ou propósito da organização – sinalizando uma crescente desconexão entre funcionários e seus empregadores.
Os dados desse estudo parecem corroborar a tese de realmente estarmos passando por esse fenômeno do quiet quitting, pois além do percentual dos ativamente desengajados ter aumentado, os 50% restantes da força de trabalho se encaixam na definição da Gallup de “não estar engajado” no trabalho. Ou seja, são funcionários que fazem o mínimo exigido e são psicologicamente desvinculados de seu trabalho.
Todos os outros estão engajados (32%) ou ativamente desengajados (18%). Estes últimos são uma espécie de "desistentes barulhentos", que tendem a ter a maior parte de suas necessidades no local de trabalho não atendidas e espalham sua insatisfação dentro e fora da empresa – eles provavelmente tem sido os protagonistas nas postagens do TikTok que geraram milhões de visualizações e comentários.
Em suma, na metodologia da Gallup há três categorias: engajados, ativamente desengajados e os não engajados, que seria uma espécie de neutro (nem engajado nem desengajado).
A referência que faço no título sobre o quiet quitting não é para os 18% ativamente desengajados, que já estão com a boca no trombone, ou melhor, nas redes sociais. Minha conversa hoje é com você, do grupo dos 50% (nem engajado nem desengajado). Vamos ao plano?
Para quem me acompanha aqui há mais tempo, sabe que sou um eterno defensor de que para mudar é preciso ter coragem para olhar para si mesmo. Inclusive, comece com um papo honesto com você mesmo. Se as coisas não estão boas no trabalho, primeiramente reconheça isso.
Antes de partir para medidas mais extremadas, como fazer posts inflamados nas redes sociais, organize as ideias e investigue com mais curiosidade as causas raízes de sua insatisfação com o trabalho.
O caminho de responsabilizar o outro por uma condição não satisfatória costuma ser mais fácil num primeiro momento, mas a mudança de maneira consistente passa obrigatoriamente pelo autoconhecimento. É preciso olhar para dentro antes de olhar para fora.
O jeito de fazer barulho que eu mais acredito e recomendo é assim: falando muito com todas as pessoas que podem te ajudar nessa mudança.
Partindo da premissa de que você não tenha objeção à empresa, mas apenas à posição que ocupa, você já pensou em abrir uma conversa com a sua liderança para explorar se não há outros projetos ou vagas que possam trazer mais significado e motivação para você?
Frequentemente vejo pessoas reclamando de seus trabalhos, mas vejo poucos explorando possibilidades por meio de conversas honestas com a liderança e/ou área de recursos humanos.
Se você cuidou de você, como sugiro no primeiro passo, e pulou direto para essa alternativa da saída, meu conselho é que você saia do jeito mais íntegro possível em vez de recorrer ao quiet quitting.
Vejo frequentemente muito ressentimento em pessoas que decidem sair das empresas, e sempre acho que há um custo individual alto nisso. Por que colocar energia em algo que já não importa mais para você? Economize para os seus novos desafios.
E, claro, comunique e direcione os problemas para os devidos responsáveis e canais específicos da organização. Alguns meios possíveis que as empresas costumam ter:
Se for fazer barulho (recomendável na sua casa para extravasar ou celebrar sua mudança), está aqui a trilha sonora ideal.
Até a próxima!
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