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Se a história pode nos servir de mapa, depois de um ano ruim há um possível alento no ano seguinte. E o Brasil não tem muita vocação para o desastre
Na semana passada, tratei neste espaço sobre os principais riscos mapeados para o ano que vem, destacando a importância, entre outras coisas, do panorama fiscal no Brasil e da perspectiva para a economia global.
Agora, tentando estabelecer um cenário mais construtivo, minha ideia é trabalhar um pouco mais sobre os eventuais caminhos positivos que poderemos trilhar.
No início de 2022, comentei que o tema do ano seria inflação. De fato, os índices de preços e o consequente aperto monetário foram os fatores que nortearam os mercados globais de maneira inequívoca.
Agora, olhando para 2023, o grande ponto de atenção deverá ser a desaceleração das economias centrais, com chance considerável de recessão nos próximos 12 meses.
Com isso em mente, pretendo nas próximas linhas apresentar minhas ideias de algumas surpresas positivas para o próximo ano, as quais podem delinear um pouco do desempenho dos ativos de risco ao longo dos meses de 2023.
Não será, provavelmente, um ano trivial. Ao mesmo tempo, como comentei brevemente antes, anos seguintes a anos tão difíceis costumam ser positivos. E 2022 foi muito difícil.
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Como podemos ver acima, 2022 se distancia com alguma margem dos anos de maneira geral desde 1926. Para ilustrar, o tradicional portfólio internacional 60/40 (60% bolsa americana e 40% bonds nos EUA) cai, na média, 15%. Estamos falando do sétimo pior ano de toda a longa série histórica.
Contudo, há algo interessante a se notar.
Historicamente, é possível ficar feliz quando olhamos para frente. Em nove dos dez piores anos para o portfólio 60/40, houve recuperação no ano seguinte, com um retorno médio de 17%.
Dito de outra forma, ao mesmo tempo em que a trajetória do ano foi ruim, ela também deságua em uma oportunidade interessante.
Para isso, gostaria de destacar três possíveis surpresas para 2023.
Não é segredo para ninguém que o grande calcanhar de Aquiles do Brasil hoje é o ambiente fiscal.
Lidamos até hoje com parte do legado do governo Dilma, que teve como resposta a criação do Teto de Gastos, nossa âncora fiscal vigente. O Teto, por sua vez, não sobreviveu à pandemia e ao pós-pandemia.
Agora, precisamos reformar o arcabouço fiscal e indicar uma nova âncora para firmarmos as expectativas. O problema é que o governo tem dado, desde o resultado da eleição, sinalizações bem negativas. Tal como aprovada, a PEC da Transição confere uma dinâmica perversa à relação dívida/PIB, ainda que desnutrida.
O Brasil já incorre num déficit estrutural do setor público. A PEC adiciona outros R$ 168 bilhões ao problema. A consequência é que, com o arcabouço fiscal atual, traçamos uma trajetória ruim para a dívida pública.
A imagem abaixo mostra uma estimativa para a trajetória da dívida sobre PIB a partir do cenário de crescimento dos gastos públicos. Fica claro que o aumento real dos gastos dificulta muito uma trajetória positiva da dívida.
Para piorar, o anúncio de nomes de perfil pouco ortodoxo para o ministério da Fazenda e para as estatais reacendeu a preocupação com um resgate da nova matriz econômica, que quase explodiu o país no governo Dilma.
O risco existe e não é baixo. Contudo, parte desse risco já foi parar nos preços.
Tanto é verdade que foram raras as vezes nos últimos 20 anos que observamos um valuation tão atrativo para os ativos locais. Somente na crise do subprime em 2008 e no ápice da crise da Covid identificamos ações tão baratas.
Em todas elas, seguiu-se um período de grande valorização nos meses subsequentes. O desconto é ilustrado pelo gráfico abaixo de Preço sobre Lucro esperado para os próximos 12 meses.
O que eu quero dizer é que boa parte do tom mais pessimista já está no preço. Ou seja, se houver o mínimo de esforço por parte do governo em produzir um novo arcabouço fiscal eficiente de maneira rápida (já no primeiro semestre), há chance de observarmos um bom desempenho dos ativos locais.
Eles não precisam andar muito, basta que o múltiplo de P/E caminhe para média histórica que já seria um desempenho interessante.
Como costuma dizer Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus: "o Brasil não tem muita vocação para o desastre." O próprio sistema reage, sobretudo em cenários de crise, como fez com a Dilma, principalmente com um Congresso relativamente mais conservador e mais de direita.
Por isso, uma nova âncora fiscal pode ser uma surpresa positiva para 2023, ajudando a remover os prêmios de risco da curva e levando os ativos locais a patamares mais valorizados, distantes do desconto atual.
Desde o início do processo de aperto monetário por parte do Federal Reserve, a autoridade americana tem sugerido com frequência a possibilidade de condução de um "soft landing" depois da alta dos juros. Isso se traduziria em uma desaceleração ou uma recessão mais leve, ao invés de algo muito violento para a economia real.
Ainda que poucas vezes na história tenhamos testemunhado um "soft landing", alguns indicativos importantes nos chamam a atenção, talvez apontando para uma recessão mais breve do que pudéssemos esperar.
Para ilustrar, tivemos na semana passada a publicação do resultado do PIB americano do terceiro trimestre, que mostrou com crescimento de 3,2% anualizado, bem acima da previsão de 2,9%.
Adicionalmente, temos um mercado de trabalho ainda robusto, mantendo um ritmo forte na economia e sugerindo que os agentes econômicos aguentam desaforo.
Sim, os juros podem ficar elevados por um longo período, em patamares como o de 5% ao ano, mas haveria espaço para que isso se traduzisse apenas em uma desaceleração ou, no pior dos casos, em uma recessão mais leve e rápida.
Não estou argumentando que isso provavelmente vai acontecer, mas a chance não é ignorável, sendo uma possível surpresa positiva para 2023 caso confirmada.
O Brasil, como um grande beta sobre o mundo, poderia se beneficiar do movimento, tendo sustentação para manter um crescimento modesto no período, enquanto trabalhamos nossas reformas estruturais, como a fiscal e a tributária.
Por fim, um dos grandes temas para 2023 se refere à reabertura da China. Depois de ampla expectativa ao longo deste ano, em que o país se manteve apegado à política de "zero-Covid" e esteve ocupado com as discussões políticas para o terceiro mandato de Xi Jinping, já há sinais de flexibilização e aumento da circulação, com medidas efetivas de abrandamento das restrições anteriores impostas sobre os cidadãos.
Temos acompanhado a redução do tempo das quarentenas e a menor exigência do uso de máscaras. Em paralelo, a expectativa é de que, com maior testagem e novas vacinas no começo de 2023, a economia chinesa possa voltar a crescer com um pouco mais de força, sustentada por esforços fiscais adicionais e de apoio ao setor imobiliário.
Sabemos como a reabertura teve um efeito econômico surpreendente nas economias ao redor do mundo em 2021. O mesmo deverá acontecer com a China, se as coisas caminharem bem.
Por isso, já se trabalha informalmente com um crescimento de 5% na China no ano que vem, o qual, se confirmado, poderia voltar a alimentar os preços de commodities e devolver fluxo de recursos para mercados emergentes.
Dessa forma, teríamos, com uma reabertura, mais uma surpresa positiva para a economia global, podendo servir de amortecedor da recessão dos países centrais.
O prognóstico de 2023 como o ano dos mercados emergentes ganha representatividade entre estrategistas globais, favorecendo a alocação em commodities no ano que vem. O Brasil pode surfar bem essa onda.
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