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2022-04-06T07:55:45-03:00
Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @RenanSSousa1
De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas internacionais no vermelho de olho no Federal Reserve; Ibovespa acompanha a crise na Petrobras (PETR4) mais um dia

Os investidores ainda aguardam desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia e novas sanções a caminho

6 de abril de 2022
7:47 - atualizado às 7:55
queda da bolsa, tudo em vermelho
Confira o que movimenta bolsas, Ibovespa e dólar hoje. Imagem: Shutterstock

O Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, voltou a ser o principal fator de pressão das bolsas nesta quarta-feira (06). A divulgação da ata da última reunião do comitê de mercado aberto (Fomc, em inglês) vem na sequência de falas sobre um possível aperto monetário mais intenso. 

Na tarde da última terça-feira (05), a diretora do Fed, Lael Brainard, disse que a instituição está disposta a retirar os estímulos em um ritmo mais forte se o quadro inflacionário persistir. Essas falas foram suficientes para piorar o sentimento das bolsas por lá e a expectativa é de que a ata traga justamente mais detalhes sobre o novo plano. 

Enquanto isso, o cenário local ainda acompanha os desdobramentos da crise na Petrobras (PETR4). No entanto, os ecos do Fed pesaram no sentimento do investidor brasileiro, o que fez a bolsa por aqui cair quase 2%. 

Dessa forma, o Ibovespa recuou 1,95%, aos 118.885 pontos, devolvendo parte da apreciação acumulada no ano. Por sua vez, o dólar à vista também voltou a se valorizar frente ao real, com avanço de 1,11%, a R$ 4,6591.

Confira o que irá movimentar bolsa, dólar e o Ibovespa hoje:

BC agressivo contra bolsas na defensiva

A ata da última reunião do Fed deve confirmar a posição mais firme do BC americano contra a inflação crescente no país. No jargão do mercado, o tom hawkish da instituição assustou as bolsas e a cautela deve se estender até hoje. 

Assim sendo, as principais bolsas da Ásia encerraram a sessão em baixa, enquanto as praças da Europa amanheceram também no campo negativo. 

De maneira semelhante, os futuros de Nova York também acompanham a publicação do Federal Reserve, que só deve acontecer no final da tarde. Até lá, as bolsas devem permanecer pressionadas. 

Guerra: Rússia X Ucrânia

Somado a esse cenário, os investidores ainda digerem as novas sanções à Rússia, que incluem sanções ao mercado darknet — uma espécie de “zona cinzenta” da internet, semelhante à deepweb —, da russa Hydra Market.

Quem encabeçou essa sanção foi o Departamento de Tesouro americano, seguido por países europeus como a Alemanha. Esses servidores da darknet podem ser fonte de softwares maliciosos, ransomwares e refúgio para criminosos digitais.

Ainda hoje, a Casa Branca deve anunciar novas punições à Rússia, mirando agora autoridades como o próprio presidente do país, Vladimir Putin. 

Covid pesa na China — e porque isso assusta as bolsas

De acordo com o S&P Global e a Caixin Media, o índice do gerente de compras (PMI, em inglês) composto da China recuou de 50,1 em fevereiro para 43,9 em março. 

Esse indicador mostra a situação de uma atividade econômica em uma escala até 100; abaixo dos 50, há a retração do setor analisado, enquanto acima desse patamar, expansão.

E porque isso mexe com as bolsas

Quem pesou no desempenho do indicador foram os PMIs industrial e de serviços, que sofreram nos últimos meses devido ao aumento de casos e lockdows no país. A guerra da Ucrânia também pesou, mas no sentimento dos negócios, que atingiu o nível mais baixo em 18 meses.

O avanço de casos de covid-19 na China pode levantar um sinal amarelo para os demais países. A necessidade da paralisação das atividades pode pressionar governos por novos períodos de isolamento social e alterar o cenário de retomada da economia. 

O Ibovespa e uma Petrobras para digerir

Desde a desistência de Adriano Pires e Rodolfo Landim, para os cargos de presidente da estatal e presidente do conselho de administração, respectivamente, o governo tenta barrar a próxima reunião de acionistas minoritários da estatal, marcada para o dia 13 deste mês.

Acontece que o governo não conseguiu um substituto para Landim, que entraria no lugar do general Joaquim Silva e Luna, agora ex-presidente da Petrobras. 

Um nome para minha estatal

Diversos nomes estão cotados para o cargo, muitos deles aventados por pessoas próximas ao presidente da República, Jair Bolsonaro. No entanto, pesa no sentimento dos investidores e acionistas minoritários a experiência desses indivíduos. 

Um deles, por exemplo, é o Secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, subordinado ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

No entanto, Andrade não preenche os critérios mínimos estabelecidos pela Lei das Estatais, como mostrou ontem Malu Gaspar ao jornal O Globo: ele não possui dez anos de experiência em empresas públicas ou de economia mista na área, não tem experiência de quatro anos como diretor e nem quatro anos como profissional liberal no setor.

Até lá, a Petrobras deve seguir em foco e pressionar o índice local, tendo em vista que a estatal é uma das maiores empresas do Ibovespa.

Agenda do dia

  • FGV: IGP-DI de março (8h)
  • Congresso Nacional: CCJ do Senado tem sessão para discussão e deliberação do relatório do senador Roberto Rocha sobre a PEC 110, sobre a reforma tributária (10h)
  • Estados Unidos: Secretária do Tesouro americano, Janet Yellen testemunha em Comitê da Câmara sobre o estado do sistema financeiro internacional (11h)
  • Estados Unidos: PMI composto e de serviços (12h)
  • Estados Unidos: Federal Reserve divulga ata da última reunião de política monetária (15h)
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