Com alta da inflação, crédito imobiliário ligado ao IPCA e poupança perde fôlego
Os financiamentos imobiliários reajustados pelo IPCA chegaram a movimentar R$ 1,2 bilhão por mês em 2020. Com os chacoalhões da economia, o volume caiu para R$ 300 milhões no fim do primeiro semestre de 2021

As linhas de crédito imobiliário pós-fixadas, atreladas ao indicador oficial de inflação (IPCA) e à caderneta de poupança, perderam fôlego, diante de juros e inflação em alta. Os empréstimos nessas modalidades foram lançados com pompa em 2019 e até mostraram crescimento promissor nos primeiros dois anos.
Os financiamentos imobiliários reajustados pelo IPCA chegaram a movimentar R$ 1,2 bilhão por mês em 2020. Com os chacoalhões da economia, esse volume caiu para o patamar de R$ 300 milhões no fim do primeiro semestre deste ano, conforme dados do Banco Central. E o viés é de baixa. A instituição não tem dados específicos sobre linhas de crédito corrigidas pela poupança.
O banco estatal foi pioneiro na adoção da linha, com taxas na ordem de 3% a 5% ao ano, mais o IPCA. As linhas vigentes até então tinham juros perto de 8,5% ao ano mais a Taxa Referencial (TR). Houve, portanto, redução considerável da parcela inicial para os consumidores, já que a inflação estava em um patamar baixo, estimulando as compras e vendas de imóveis - embora em contratos de maior risco.
No ano seguinte, em 2020, foi a vez do lançamento do crédito imobiliário corrigido pela remuneração da poupança. Aqui, o pioneiro foi o Itaú Unibanco, logo seguido por outras instituições. Esta modalidade é considerada menos arriscada para os mutuários, uma vez que o reajuste pela poupança tem um limite, ao contrário da inflação. Basta lembrar da regra: se a Selic for menor ou igual a 8,5%, o rendimento da poupança será de 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Se a Selic ultrapassar os 8,5%, o rendimento da caderneta trava em 0,5% ao mês mais TR.
"Entendemos que essas linhas vieram para ficar. Elas tiveram papel importante na diversificação dos produtos do mercado", diz o diretor executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Filipe Pontual. "Mas é natural que, dependendo da conjuntura do momento, vão ter mais ou menos atratividade."
O presidente da consultoria Melhor Taxa, Paulo Chebat, afirma que o surgimento dessas linhas representou uma inovação, com novas possibilidades de financiamento de acordo com o perfil de cada consumidor. Mas a aderência nunca foi alta, de fato.
Leia Também
'Previsibilidade'
Enquanto a linha atrelada ao IPCA chegou a R$ 1,2 bilhão por mês em seu melhor momento, a modalidade tradicional, vinculada à TR, girou entre R$ 14 bilhões e R$ 17 bilhões por mês. "Diante da instabilidade macroeconômica, a maioria dos clientes prefere a maior previsibilidade da TR", diz Chebat. "Como temos histórico de inflação e juros altos, os clientes entendem que essas linhas têm um risco maior."
A materialização do risco agora será motivo de um acompanhamento com lupa por analistas. A dúvida é sobre os níveis de inadimplência daqui para frente nas carteiras pós-fixadas, uma vez que as dívidas pesarão mais no já pressionado orçamento das famílias.
Embora haja o risco potencial de a inadimplência subir nas carteiras pós-fixadas de alguns bancos, a chance de isso causar estragos no sistema financeiro como um todo é remota, justamente porque essas linhas cresceram comparativamente pouco até então. "Hoje, o estoque de crédito atrelado ao IPCA é algo em torno de 2% do total de crédito imobiliário no sistema financeiro nacional. Ainda é uma exposição baixa", dizem Hebbertt Soares e Juliana Cantero, diretores de finanças estruturadas da Fitch Ratings.
Vale lembrar ainda que em 2019, quando o crédito com IPCA foi lançado, havia grande expectativa de que os bancos fossem securitizar os recebíveis dos clientes, ampliando suas fontes de recursos. Mas isso também não decolou.
"Nos Estados Unidos e na Europa, a securitização tem muita originação nas modalidades de financiamento indexadas a indicadores de mercado. No Brasil, ela nunca foi um grande lastro para isso, porque a grande maioria das operações são atreladas à TR. As linhas de IPCA e poupança teoricamente poderiam reduzir esse descasamento. Mas, do ponto de vista de análise de risco, ainda é preciso entender como essas carteiras se comportarão ao longo do tempo para dar mais segurança a investidores", dizem os profissionais da Fitch.
FITCH NO BRASIL 2026
CIO da Bradesco Asset vê piora até mesmo no investimento que é o ‘porto seguro’ dos investidores
1 de setembro de 2026 - 16:55INVESTIMENTO NO AGRO
Até 97% do CDI, isento de IR e com renda mensal: como funciona o Fiagro do BTG que pode captar até R$ 20 bilhões
1 de setembro de 2026 - 11:16GALINHA DOS OVOS DE OURO
Quem é o “Rei do Ovo”, novo membro do Top 10 da lista de bilionários da Forbes e empresário por trás dos ovos da Gracyanne Barbosa
1 de setembro de 2026 - 10:45NA CIDADE MARAVILHOSA
Lotofácil 3776 premia bolão carioca com valor milionário no último sorteio de agosto; Mega-Sena entra em setembro acumulada em R$ 36 milhões
1 de setembro de 2026 - 7:07PROGRAMAS SOCIAIS
Bolsa Família setembro 2026: veja quando começam os pagamentos e quem poderá se beneficiar
1 de setembro de 2026 - 5:39JORNADA DE TRABALHO
Em semana de decisão da escala 6×1, estudo da CNI diz que Brasil vai levar até 30 anos para recuperar produtividade
31 de agosto de 2026 - 19:25BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
O que precisa acontecer para os juros caírem no Brasil? Grandes mentes do BTG Pactual apontam o caminho
31 de agosto de 2026 - 19:01MACRO DAY 2026
Brasil está sendo “massacrado” na corrida por inteligência artificial e pode voltar à condição de colônia, alerta ex-Microsoft
31 de agosto de 2026 - 17:15LINHA DE PRODUÇÃO
Fábrica de fortunas: herdeira da WEG é a bilionária mais jovem do mundo segundo a Forbes
31 de agosto de 2026 - 13:05MACRO DAY 2026
O que falta para o ajuste fiscal? Alckmin põe parte da culpa no Banco Central
31 de agosto de 2026 - 12:30MACRO DAY 2026
Efeito de 30 programas sociais: André Esteves, do BTG, diz qual é o remédio que pode levar Selic a 7% ao ano
31 de agosto de 2026 - 11:15ÚLTIMO LOTE REGULAR
Receita Federal libera R$ 1,24 bilhão: veja se você está entre os 522 mil que recebem hoje a restituição do imposto de renda
31 de agosto de 2026 - 9:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Vender ou alugar o imóvel, o prejuízo do dinheiro parado, IPO da Shein, e o que mais move os mercados
31 de agosto de 2026 - 8:16PRÊMIOS MILIONÁRIOS
R$ 300 milhões da Lotofácil da Independência aparecem no horizonte das loterias e ofuscam Mega-Sena e +Milionária
31 de agosto de 2026 - 7:01ATENÇÃO, ESTUDANTES!
Pé-de-Meia setembro 2026: veja quem recebe a sexta parcela e as datas de depósito
31 de agosto de 2026 - 5:06QUESTÕES POLÍTICAS
A Selic pode terminar 2027 em 9,75% ao ano… ou subir para 15,5% — e o que vai definir a taxa não é a economia
30 de agosto de 2026 - 16:18NOBEL CONTROVERSO
Egas Moniz, o médico que ganhou um Prêmio Nobel por fazer 12 furos no cérebro dos pacientes
30 de agosto de 2026 - 10:03Conteúdo Empiricus
Profissional que triplicou salário nos últimos cinco anos com IA lança especialização; garanta sua vaga
30 de agosto de 2026 - 9:00AGENDA MENSAL DE BENEFÍCIOS
Bolsa Família, Gás do Povo, Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para setembro 2026
30 de agosto de 2026 - 7:07'INVESTIDOR-ANJO'