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Por baixo dos panos

PSOL pede ao TCU que investigue liberação de R$ 1,2 bilhão para aprovar PEC dos precatórios

Os deputados acusam o uso de dinheiro público como 'barganha' pelo governo do presidente Jair Bolsonaro na negociação do texto

Martelo de juiz e dinheiro, representando a Justiça em casos de precatórios, herança e recuperação judicial
Imagem: Shutterstock

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue as negociações do governo em busca de apoio na votação da PEC dos precatórios. A representação enviada nesta sexta-feira (5) tem como base reportagem em que o Estadão mostrou que o Planalto liberou R$ 1,2 bilhão em recursos do chamado orçamento secreto para garantir a aprovação da proposta em primeiro turno.

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Os deputados acusam o uso de dinheiro público como 'barganha' pelo governo do presidente Jair Bolsonaro e também cobram da Corte de Contas o monitoramento da aplicação desses recursos.

"A integridade da votação do Parlamento depende de convicções e convencimento, nunca de liberação de recursos para bases parlamentares, mormente no meio de uma crise pandêmica"afirmam.

"É inconcebível - e absolutamente ilegal e inconstitucional - que o processo Democrático seja influenciado por disponibilidade de recursos por parte do Governo Federal", seguem.

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Parlamentares ouvidos pelo Estadão relataram que o valor oferecido por interlocutores do Palácio do Planalto pelo voto a favor da PEC foi de até R$ 15 milhões. O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), teria coordenado as negociações.

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Batizada de 'PEC do calote' pela oposição, a proposta estabelece um limite para o pagamento de dívidas do governo já reconhecidas judicialmente. A principal crítica é que o texto abre caminho para furar o teto de gastos ao tentar garantir espaço no Orçamento para o novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. Para ser aprovada, a PEC precisa do apoio de 308 deputados em dois turnos de votação. Na primeira etapa, o texto passou pelo placar de 312 a 144 - ou seja, apenas quatro votos além do necessário.

Se for aceito, o pedido do PSOL poderá resultar na instauração de uma auditoria no TCU. O tribunal já investiga a liberação de dinheiro do governo pelas chamadas emendas de relator-geral - o mecanismo do orçamento secreto.

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