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Camila Paim
Camila Paim
Produtora de conteúdo na Empiricus. Estudante de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP) e com experiência em webdesign no Jornal da USP.
PODCAST MESA PRA QUATRO

Mario Sergio Cortella dá lições filosóficas de como lidar com o dinheiro

O filósofo e professor foi convidado do podcast Mesa Pra Quatro e contou sobre a sua trajetória, relação com o dinheiro e investimentos

23 de outubro de 2021
9:48
Cortella falando em palestra
Imagem: Reprodução/ Flickr -

Professor, filósofo e escritor, Mario Sergio Cortella aplica seus conhecimentos em sua relação com o dinheiro de forma singular. Atualmente, Cortella já tem 47 livros publicados e uma rede de 6,2 milhões de seguidores no Instagram. 

Conhecido por suas ideias, como a de que “vaca não dá leite, você que tem que tirar”, o filósofo divulga conceitos e opiniões morais por meio de suas obras e também de palestras. Nessa semana, Cortella participou do Mesa Pra Quatro #19, podcast da Empiricus, conduzido por Dan Stulbach, Teco Medina e Caio Mesquita. 

Confira o episódio #19 com Mario Sergio Cortella do Mesa Pra Quatro no player abaixo!

De monge a filósofo, a trajetória de Mario Sergio Cortella

Nascido em Londrina, no Paraná, o pequeno Cortella costumava visitar o cofre do banco em que seu pai era diretor. Desde cedo, convivia com o mundo dos investimentos, mas por ser filho de italianos, seu maior apreço sempre foi pela posse de imóveis

“Eu sou caipira, posso até poupar e investir, mas a minha cultura italiana é de ter parede,” brinca o professor

Em seu primeiro imóvel, a casa de onde fala enquanto participa do programa, Cortella conta que foi onde conseguiu realizar um sonho: ter uma biblioteca. Lá, seu acervo chegou até os 12 mil livros, e representavam uma conquista para ele.

Entre os fatos inusitados de sua vida, Cortella contou no programa que, por volta de seus 13 anos, tinha vontade de ser papa. Cortella até chegou a fazer uma imersão monástica e foi monge por um período. Contudo, ele percebeu que o maior representante da Igreja tinha uma desvantagem: ter o maior patrimônio do mundo - a arte - sem poder acessá-lo, isto é, não poder tocar o teto da Capela Sistina ou a escultura de Pietá. 

Dessa fase de sua vida, o que lhe seguiu foram os princípios: ele acredita que devemos sempre prezar pelo equilíbrio, sem acumular ou gastar excessivamente

Foi na tentativa de seguir esses ideais, que anos depois de ter realizado seu sonho de ter a biblioteca e ao olhar para as estantes cheias, sentiu tristeza em ver tanto conhecimento parado, percebeu que estava na hora de doar algumas obras. Atualmente, o filósofo preserva apenas 250 livros, entre aqueles mais especiais e que contenham dedicatórias. Fora isso, ele diversifica suas formas de espalhar conhecimento, deixando seus livros em bancos e metrôs, para que a leitura se propague. 

Além disso, o escritor considera que faz “investimentos literários”, já tendo publicado quase 50 livros e, assim, acredita que está dando acesso ao seu patrimônio do conhecimento para seus leitores. 

Para acessar os “investimentos intelectuais” de Cortella, confira o Mesa Pra Quatro #19 no player abaixo:

Lições filosóficas sobre o dinheiro

O dinheiro ocupa um lugar histórico e peculiar em nossas vidas. Cortella explica que nós, seres humanos, nos desenvolvemos de forma a ter a capacidade de tomar previdências, ou seja, de nos preparar para algo que vamos precisar no futuro. Isso se deu tanto no passado, quando os nossos antepassados precisavam percorrer distâncias para conseguir água e aos poucos passaram acumular água para evitar várias viagens quando a sede retornasse. 

Segundo ele, esse acúmulo preventivo é importante, mas não deve se estender para ambição exacerbada. Na fantasia, a percepção de posse apresentada em histórias como em “A Fantástica Fábrica de Chocolate” ou os montes de ouro do Tio Patinhas ilustram um recurso que aparenta ser ilimitado e incentiva uma obsessão pelo acúmulo.

Em vias contrárias, Cortella prefere ressalvar o pensamento de Millôr Fernandes, “o importante é ter sem que o ter te tenha”, priorizando o equilíbrio de bens. Por isso, não devemos confundir o essencial com o fundamental. O fundamental, explica o filósofo, é o que precisamos para obter o essencial, ou seja, o dinheiro, a carreira, um patrimônio. Estes, vão nos levar ao essencial - a amorosidade, felicidade, sexualidade, entre outros - que pode haver em quantidades exorbitantes.

Além disso, só o tempo deve nos ensinar como escolher nossas batalhas, o que irá realmente nos afetar e as equações fazem sentido. 

Confira o Mesa Pra Quatro #19, recheado de filosofia com Mario Sergio Cortella, pelo Spotify ou sua plataforma de podcast preferida:

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