Petrobras (PETR4) dispara quase 7% após rumores de possível venda de ações por parte do governo; reajuste da gasolina pesa no bolso, mas também favorece os papéis
A alta não é surpresa e já havia sido antecipada até mesmo por Bolsonaro, um dos críticos mais ferozes da política de preços da estatal

Em clima de Halloween, os postos de combustíveis têm se transformado em uma verdadeira casa dos horrores para os consumidores brasileiros. Quem parar para abastecer seu veículo a partir da próxima terça-feira (26) vai levar um novo susto com o valor exibido nas bombas.
Isso porque a Petrobras (PETR4) anunciou nesta segunda-feira (25) mais um reajuste nos preços dos combustíveis. No segundo aumento promovido pela estatal em outubro, a gasolina ficará R$ 0,21 mais cara por litro, enquanto o diesel passará a custar R$ 0,28 a mais nas refinarias da companhia.
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Apesar de ser ruim para quem precisa encher o tanque do carro, a notícia traz um alívio para quem tem ações da Petrobras. Os papéis também repercutem a notícia dada pelo canal CNN de que o presidente Jair Bolsonaro tem discutido a privatização da estatal, o que seria feito por meio da venda de ações ordinárias e preferenciais da companhia, tirando o controle acionário da União.
Com as notícias, os papéis PETR3 avançaram 5,84%, a R$ 29,53 no pregão de hoje, enquanto as ações PETR4 subiram 6,81%, a R$ 29,03.
Com os novos valores, o preço médio de venda da gasolina A da Petrobras passará de R$ 2,98 para R$ 3,19 por litro — a alta é de 7,04%. Já para o diesel A o reajuste é maior, de 9,15%, e o preço médio de venda vai a R$ 3,34 por litro, contra R$ 3,06 antes do reajuste.
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Vale destacar que a gasolina já acumula alta de 73,4% em 2021, enquanto o diesel subiu 65,3% nas refinarias.
O aumento dos combustíveis segue a alta internacional do petróleo. O preço do barril de petróleo Brent, que é a referência internacional para a Petrobras, encerrou a semana passada acima dos US$ 85,53 e sobe 0,66% hoje, a US$ 85,20. A alta é de 31,08% em relação aos preços médios de US$ 65 registrados no início deste ano.
Como o petróleo é cotado em dólar, a desvalorização do câmbio aqui no Brasil representa um fator adicional de pressão sobre os preços.
Impulsionado pelo furo no teto de gastos, o dólar acumulou alta de 3% apenas na semana passada. Nesta segunda-feira, porém, a moeda devolveu parte dos ganhos e recuou 1,90%, cotada em R$ 5,56.
Privatização no horizonte
O novo aumento ocorre em meio a ameaças de falta de combustíveis em novembro. Segundo informa a petroleira, em nota, o reajuste é importante justamente para "garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento”.
A alta também não é surpresa e já havia sido antecipada até mesmo por Jair Bolsonaro, um dos críticos mais ferozes da política de preços da Petrobras. Ontem, durante participação em um evento, o presidente declarou: "infelizmente, pelos números do preço do petróleo lá fora e do dólar aqui dentro nos próximos dias, a partir de amanhã, teremos reajuste do combustível".
Ao comentar sobre a política de preços da Petrobras, Bolsonaro chegou a mencionar uma palavra que soa como música aos ouvidos do mercado: privatização. Em entrevista à Rádio Caçula FM, Bolsonaro reafirmou hoje que a privatização “entrou no radar” do governo, mas destacou que o processo é uma “complicação enorme” e não deve sair tão cedo.
Vem mais por aí
Com o petróleo e o dólar em alta, o reajuste de hoje ainda não é suficiente para garantir o alinhamento da Petrobras com o mercado internacional. É o que indica o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.
De acordo com Araújo, mesmo com o aumento, ainda existe uma defasagem grande em relação aos preços do mercado internacional.
O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, estima que esse espaço representa um potencial de até 17% para novas altas no curto prazo. “Contudo, vale comentar que na semana passada, no auge da crise política que deteriorou ainda mais o câmbio, a defasagem chegou a se aproximar dos 30%."
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