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2021-02-07T09:03:56-03:00
Estadão Conteúdo
Tempos de crise

Na pandemia, Arezzo passa por transformação

7 de fevereiro de 2021
9:00 - atualizado às 9:03
Arezzo
Arezzo - Imagem: Shutterstock

Em meio à quarentena, que afundou várias varejistas, o grupo Arezzo&Co fez, possivelmente, a maior transformação de sua história. Deixou de ser uma empresa de sapatos para ser uma companhia de vestuário superdigital ao lançar um marketplace que reúne marcas que não fazem parte do grupo, e ao comprar um brechó online e também a Reserva, especializada em moda masculina. A metamorfose foi bem recebida pelos investidores - que antes viam uma limitação para a empresa continuar crescendo - e as ações da companhia já estão 11% acima do registrado antes da pandemia.

Apesar de o grupo ter tido um prejuízo de R$ 3,2 milhões nos nove primeiros meses de 2020, a avaliação dos analistas é que a Arezzo atravessou bem a crise, tendo inclusive ampliado sua participação no mercado para 30,9% enquanto as concorrentes perdiam força. "Eles foram capazes de se adaptar rapidamente. Já tinham um online forte e conseguiram torná-lo mais relevante. Bem mais do que a gente imaginava. Conseguiram adaptar também a produção e acompanhar mais de perto as mudanças do consumidor (passaram a lançar novos produtos a cada 15 dias)", diz Helena Villares, analista do Itaú BBA.

Tanto o Itaú como o BTG Pactual veem que as ações da empresa têm potencial para alcançar R$ 80 - hoje, estão cotadas a R$ 74. Desde abril do ano passado, quando os papéis afundaram e chegaram a R$ 33 em decorrência da crise do coronavírus, eles já subiram 121%."Há anos a Arezzo é vista como uma empresa premium no varejo brasileiro, com execução superior na gestão da marca e na operação bem-sucedida de seu modelo de franquias, justificando seu valor de mercado. Vemos uma nova via de crescimento para a empresa nos próximos anos", afirmaram em relatório os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi, do BTG.

Uma das alavancas para esse crescimento é a Reserva, que, ao ser incorporada, ampliou o mercado alvo do grupo de R$ 12 bilhões para R$ 40 bilhões. Antes dessa compra, os investidores achavam que a empresa tinha um potencial de crescimento limitado, dado que já detinha uma participação alta em seu mercado, de quase 25%. Agora, poderá crescer com roupas masculina, feminina e infantil, segmentos em que a Reserva está.

A aquisição, um negócio de R$ 715 milhões, foi possível porque o grupo tinha uma situação financeira confortável antes do coronavírus, com mais recursos em caixa do que o total de dívidas. Mesmo após a operação, a condição financeira da companhia é considerada sólida.

Apesar de ser vista como uma operação de potencial, a compra da Reserva traz um desafio. Essa é a primeira empresa de grande porte adquirida pela Arezzo, que terá de desenvolver expertise para integrar os negócios.

Além da Reserva, a Arezzo pretende fazer novas aquisições. "Continuamos olhando ativos de vestuário, mas não olhamos só para marcas. Também estudamos (empresas de) tecnologias que possam viabilizar o ecossistema que queremos construir. Para muitos desses ativos, criamos o ZZ Ventures", diz a diretora de estratégia, Aline Penna.

Criado em novembro, o ZZ Ventures é o braço da Arezzo para investimento em startups. Quando o grupo anunciou a iniciativa, comunicou também a aquisição de 75% da Troc, um brechó online. A intenção da Arezzo é inserir a Troc no ZZ Mall, marketplace lançado em setembro e que hoje reúne 50 marcas. Antes da pandemia, o projeto previa a entrada de marcas que não fossem do grupo apenas em 2022. O crescimento do comércio online na quarentena, porém, acelerou o projeto. Neste ano, o grupo pretende ampliar o marketplace, adicionando conteúdo sobre moda, cursos abertos ao público que ensinem, por exemplo, como criar uma coleção, e também um programa de fidelidade.

Com várias iniciativas simultâneas, no entanto, os investidores devem passar a olhar com mais cuidado a integração de todos os negócios. "A Arezzo tem muita coisa para fazer: integrar a Reserva, iniciar uma operação feminina (a Reserva tem a marca Eva, que ainda é tímida), começar mais forte com calçados masculinos. A preocupação é se vai dar conta de tudo", diz Helena Villares, do Itaú BBA.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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