Exceto em desinvestimentos, 2020 foi muito bom para a Petrobras, diz CEO
Executivo destacou redução da dívida e produção recorde de petróleo, e espera terminar de vender refinarias neste ano

Se 2020 foi terrível para a economia como um todo, o que dizer então para as companhias de petróleo, que enfrentaram uma volatilidade pouco vista na história? Em que os preços do barril no mercado internacional acumularam queda de 20%?
Para a Petrobras (PETR4), apesar de tudo, o ano passado foi positivo, segundo seu CEO, Roberto Castello Branco.
“Em meio a um ambiente hostil, uma pandemia e a maior crise da indústria de petróleo desde sempre, nós conseguimos reduzir dívida, tivemos forte geração de caixa operacional, forte geração de fluxo de caixa livre, batemos recorde de produção”, disse ele em evento do Credit Suisse nesta quinta-feira (28). “Muita coisa foi plantada e dará frutos ao longo de 2021.”
Para não dizer que tudo foram flores para a companhia, o executivo destacou que o processo de venda de ativos avançou menos do que gostaria, por conta da pandemia e algumas questões burocráticas que atrasaram a venda de alguns ativos, principalmente no segmento de gás natural.
Ele citou o caso da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), cuja liberação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) demorou para ocorrer e atrasou o cronograma da companhia. “Lamentavelmente, por atrasos da ANP, somente no final do ano passado pudemos colocar à venda a TBG”, disse.
Em relação às refinarias, a culpa foi da pandemia. “A pandemia inviabilizou a due diligence [auditoria] por vários proponentes para a compra de refinarias”, disse. Mas ele destacou que o processo de venda de oito unidades deve ser concluído até o final do ano.
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BR Distribuidora e Braskem
Também no espectro de desinvestimentos, Castello Branco foi questionado a respeito do andamento do restante da venda da participação da Petrobras na BR Distribuidora (BRDT3) e na Braskem (BRKM5).
Com relação à rede de postos de combustíveis, ele disse que a cotação das ações está muito abaixo do que gostaria, dado todo o impacto da pandemia no mercado de ações.
“Ela está undervalued [subvalorizada], por isso decidimos não vender”, afirmou. “Quando acharmos que as condições de mercado estão favoráveis, estaremos com o dedo no gatilho para vender a nossa posição.”
O CEO da Petrobras aproveitou para elogiar a decisão da BR Distribuidora de trazer Wilson Ferreira Junior, ex-presidente da Eletrobras (ELET6), para comandar a empresa, afirmando que o executivo tem um “histórico muito bom em grandes empresas”.
No caso da Braskem, as coisas são um pouco mais complicadas, dada toda a dificuldade enfrentada pela Odebrecht, a sócia controladora. A intenção da Petrobras é listar as ações da petroquímica no Novo Mercado para então vender sua participação de 36,1%, mas a iniciativa “tem encontrado obstáculos por parte do nosso sócio, muitas discussões”.
Preço do diesel
A apresentação de Castello Branco no evento do Credit Suisse contou também com uma defesa da política de preços da companhia, colocada em foco novamente por conta das ameaças de greve dos caminhoneiros.
Ele novamente defendeu que os preços acompanhem as cotações internacionais, relembrando das consequências para a companhia quando ela vendia combustíveis abaixo dos custos.
“A Petrobras importava a preços elevados para vender a preços mais baixos, o que contribuiu para o enfraquecimento da companhia, prejuízos, aumento de endividamento e atrofiou a capacidade de investimentos. Foi ruim para todos”, disse.
No caso do diesel, ele afirmou que o preço praticado no Brasil é de 25% a 27% menor que a média global. “O preço do diesel é o preço de mercado e estamos dentro do mercado”, disse.
Petrobras é petróleo e gás
Enquanto outras companhias de petróleo e gás estão investindo em matrizes energéticas mais limpas, a Petrobras seguirá como uma empresa que produz esses dois produtos, disse Castello Branco.
“Nossa vocação é petróleo e gás natural”, afirmou. “Não vamos, como falei várias vezes, investir em energias renováveis só porque os outros estão investindo. Não temos competência nessa área, somo humildes, não vamos sair comprando usina eólica offshore. Vamos investir naquilo que sabemos fazer.”
Isto não quer dizer que a Petrobras não dará sua contribuição ao meio ambiente. Castello Branco destacou os investimentos em tecnologia sendo feitos para reduzir a emissão de gases que provocam efeito estufa em suas operações e no chamado diesel renovável, produzido com a utilização de óleo vegetal ou gorduras animais e que emite 15% menos gases que o biodiesel e 70% menos em comparação ao óleo diesel mineral.
Dividendos
Um dos últimos tópicos tratados pelo CEO da Petrobras foi a questão da nova política de dividendos da companhia, anunciada em outubro.
Segundo as mudanças aprovadas pelo conselho de administração, a administração poderá propor o repasse de proventos, mesmo sem a apuração de lucro, caso se verificar redução da dívida líquida nos 12 meses anteriores. O pagamento depende também de os diretores entenderem que a sustentabilidade financeira da companhia não será prejudicada com o repasse. Essa regra vale apenas para quando o endividamento bruto estiver acima de US$ 60 bilhões, a meta que a companhia estabeleceu para a sua dívida.
Segundo Castello Branco, a expectativa é alcançar o patamar de endividamento de US$ 60 bilhões em 2022, mas ele destacou que a empresa não se tornará uma grande pagadora de proventos para investidores.
“Uma empresa produtora de petróleo, sendo petróleo um negócio altamente intensivo, não pode ser uma grande pagadora de dividendos como utilities, mas esperamos pagar dividendos mais decentes”, disse.
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